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Parauapebas perde com rombo de R$ 9,5 bilhões anunciado pela Vale

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A mineradora Vale anunciou na manhã de hoje, quinta-feira (30), seu Relatório Financeiro do 1º Trimestre de 2015 (RF 1T15) e, nele, um rombo estratosférico no primeiro trimestre deste ano: R$ 9,5 bilhões.

Apesar de sua produção física ter aumentado, era sabido que – com a baixa acentuada do preço do minério em dólar e a depreciação da moeda brasileira frente à americana – um prejuízo estaria a galope. Os investidores só não imaginaram que a porrada fosse tão cruel.


Na semana passada, a Vale vangloriou-se de ter o melhor primeiro trimestre da história em extração de minério de ferro, o chamado resultado físico. No entanto, os resultados financeiros ficaram para ser anunciados hoje, véspera do Dia do Trabalhador.

Apesar de a palavra Parauapebas não ter sido mencionada uma vez sequer no RF 1T15 (porque, comercialmente, apenas a expressão Carajás tem peso, importância e valor venal), o impacto dessa bomba divulgada pela empresa nas primeiras horas do dia, antes da abertura das bolsas de valores, virá com força total a seu maior e principal terreiro, que é, evidentemente, Parauapebas.
É que, com o prejuízo, os desinvestimentos continuarão a ser fato; muitos empregados serão demitidos para operacionalizar processos e otimizar custos e lucros; e aqueles funcionários que sobreviverem (ou ganharem sobrevida) nos postos terão suas remunerações impiedosamente achatadas. Tudo isso mexe com a dinâmica econômica da comunidade local, visto que o comércio engessa, o dinheiro não circula, acordos não vingam, prestadores de serviços quebram e a economia municipal regride.
Somem-se a isso as reduções na chamada Responsabilidade Social Corporativa, na qual a Vale certamente passará a ter mais cautela e rigor. É uma espécie de “nem vem que não tem” (um “não” escrachado) a prefeituras que queiram “convidar” a empresa para assumir pepinos sociais.

DEPRECIAÇÃO

Entre o primeiro trimestre do ano passado e o deste ano, a Vale reduziu seu patrimônio líquido de 67,9 bilhões de dólares para 48,3 bilhões. Com o dólar sendo cotado em média a R$ 3, isso é o equivalente à perda de riqueza do tamanho da produção do Estado do Maranhão, cujo Produto Interno Bruto (PIB) é de R$ 58,8 bilhões e faz do vizinho a 16ª economia do Brasil, entre as 27 Unidades da Federação.

Na praça, a Vale deve cerca de 28,5 bilhões de dólares – uma dívida mais que suficiente para comprar as riquezas calculáveis do Mato Grosso, estimadas em R$ 80,8 bilhões.
A mineradora perdeu praticamente metade de sua receita operacional com minério de ferro no comparativo com os três primeiros meses do ano passado. E, também, reduziu suas despesas com pessoal de 110 milhões de dólares para 82 milhões.
Para minimizar as dores do prejuízo, a empresa divulga que “pela primeira vez na história, opera abaixo de 20 dólares por tonelada”. Ela quer dizer, em verdade, que o custo de sua produção de tonelada de minério de ferro ficou a 19,7 dólares. Mas isso, nem de muito longe, é suficiente para enfrentar um cenário macabro para o minério de ferro, que, segundo previsão de analistas internacionais, pode baixar a menos de 40 dólares a tonelada no curto prazo – daí a Vale querer eliminar ainda este ano mais 2 dólares no custo de produção de cada tonelada.

Apesar dos pesares, a Vale não desgruda do projeto S11D, em Canaã dos Carajás, que poderá ser seu melhor custo-benefício nos médio e longo prazos. Ela informa que 51% do ramal ferroviário estão concluídos e que o andamento da usina de beneficiamento do projeto está em 35%. Canaã, por seu turno, deve continuar alheio a qualquer menção honrosa pela “participação especial” indireta, mesmo com perspectiva de ser, daqui a alguns anos, a “terra prometida” para resgatar a Vale de um eventual sufoco no mercado de commodities e assumir, de fato, o poder de salvação da lavoura.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

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