Parauapebas perde protagonismo nas exportações e é ultrapassada por Canaã e Marabá no primeiro semestre de 2026

Estudo do economista Wesley Oliveira mostra que a antiga líder da mineração paraense agora ocupa apenas a terceira colocação entre os maiores municípios exportadores do Estado

Durante décadas, Parauapebas foi sinônimo de mineração e desenvolvimento econômico no Pará. Conhecida nacionalmente como a “Capital Nacional do Minério”, por abrigar a Serra dos Carajás, onde está uma das maiores minas de minério de ferro a céu aberto do planeta, o município sempre figurou como protagonista absoluto nas exportações paraenses.

Entretanto, um levantamento divulgado pelo economista Wesley Oliveira, parceiro do Portal Pebinha de Açúcar, revela uma mudança significativa nesse cenário. Os números do primeiro semestre de 2026 mostram que Parauapebas deixou de ocupar a liderança e aparece apenas na terceira colocação entre os maiores exportadores do Pará.

Segundo dados do MDIC/Comex Stat, compilados e analisados por Wesley Oliveira, Canaã dos Carajás assumiu a liderança estadual com US$ 3,6 bilhões em exportações, seguida por Marabá, com US$ 2,2 bilhões, enquanto Parauapebas registrou US$ 1,8 bilhão no período.

Uma mudança que chama atenção

Mais do que a mudança de posições no ranking, o que mais impressiona é a diferença entre os números dos dois municípios vizinhos.

Sozinha, Canaã dos Carajás exportou praticamente o dobro de Parauapebas durante os seis primeiros meses deste ano, consolidando uma nova realidade econômica na Região de Carajás.

Na participação sobre o total exportado pelo Pará, os percentuais também evidenciam essa transformação:

  • Canaã dos Carajás: 26,7%;
  • Marabá: 16,7%;
  • Parauapebas: 13,5%.

Na prática, isso significa que mais de um quarto de todas as exportações paraenses no semestre teve origem em Canaã dos Carajás.

O avanço de Canaã e a nova configuração da mineração

O crescimento de Canaã dos Carajás não acontece por acaso. Nos últimos anos, o município recebeu grandes investimentos na expansão da atividade mineral, especialmente com o Projeto S11D, considerado um dos maiores empreendimentos de mineração de ferro do mundo.

Ao mesmo tempo, Parauapebas enfrenta um cenário diferente do vivido nas décadas anteriores. Embora continue sendo um dos principais polos minerais do Brasil e mantenha enorme relevância econômica, parte da produção mineral da região passou a ser contabilizada em Canaã dos Carajás, alterando significativamente o peso econômico de cada município nas estatísticas de exportação.

Marabá, por sua vez, também amplia sua participação graças ao fortalecimento de seu parque industrial, da logística e da atividade siderúrgica, consolidando-se como outro importante protagonista da economia paraense.

Reflexos nas finanças municipais

O estudo destaca ainda que esses números vão muito além das estatísticas do comércio exterior.

A movimentação das exportações influencia diretamente a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), conhecida como os royalties da mineração.

Como a CFEM incide sobre a comercialização dos bens minerais, municípios que concentram maior produção e comercialização tendem a ampliar suas receitas, enquanto aqueles que reduzem sua participação relativa podem sentir impactos na arrecadação ao longo do tempo.

Desafio para o futuro

Embora continue sendo uma potência mineral e mantenha posição de destaque na economia nacional, os dados mostram que Parauapebas vive uma nova realidade econômica. O município, que durante muitos anos liderou com folga os indicadores ligados à mineração, agora divide espaço com cidades vizinhas que ganharam força graças aos novos investimentos no setor.

O cenário reforça um debate que vem sendo defendido por especialistas há anos: a necessidade de diversificação da economia de Parauapebas. Reduzir a dependência da mineração, estimular novos setores produtivos e atrair investimentos em indústria, comércio, tecnologia e serviços podem ser caminhos importantes para garantir crescimento sustentável nas próximas décadas.

Enquanto isso, os números apresentados pelo economista Wesley Oliveira retratam uma mudança histórica no mapa econômico do Pará e mostram que a corrida pela liderança das exportações estaduais ganhou novos protagonistas.

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