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Parauapebas registra quase 200 mortes violentas de jovens por ano

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Com 30 anos de fundação, Parauapebas já entrou nas estatísticas como uma das cidades mais violentas do Estado, com estatísticas sociais de cidades dominadas pelo crime. Segundo dados do Conselho Tutelar II, é grande o número de jovens assassinados anualmente, mostrando o alto índice de violência ligado principalmente ao tráfico de drogas que, a exemplo de outras partes do País, se tornou uma das vertentes do crime que mais mata jovens na idade entre 15 e 25 anos.

Segundo Juvenal de Lima Freire, administrador do Cemitério Jardim da Saudade, único cemitério público em atividade em Parauapebas, mensalmente são sepultados entre 10 e 15 jovens e adolescentes vítimas de morte violenta, o que dá uma média de 180 mortes por ano. “Infelizmente, essa é realidade de Parauapebas e de todo o País. A gente lamenta que nossos jovens estejam sucumbindo para o crime”, diz Juvenal.


De acordo com dados da Polícia Militar, repassado ao Conselho Tutelar, em 2017 foram registradas pela guarnição 179 casos de ocorrências envolvendo menores de idade. Foram registrados 20 casos de roubo e furto; 66 ocorrências de tráfico de drogas; onze casos de porte ilegal de arma de fogo; e 82 outras ocorrências. Há 40 casos em tramitação na justiça.

De acordo com a conselheira tutelar, Gardênia Martins, não existe hoje praticamente nenhuma política pública voltada aos jovens na cidade. Ela lembra que boa parte dos projetos existentes, que era de iniciativa do Governo Federal, foi extinta com a mudança política do País, o que agravou ainda mais a vulnerabilidade dos jovens que estão sendo tragados pelo mundo do crime.

Ela observa que os cortes orçamentários da área social brasileira impulsionaram a indústria do crime juvenil e, paralelo a isso, fez saltar vertiginosamente os dados estatísticos da morte de jovens. “Tínhamos o Pronatec, que proporcionava aos jovens cursos profissionalizantes, e isso acabou, junto com outros projetos que davam amparo social aos adolescentes com assistência psicológica e social”, afirma Gardênia.

A conselheira observa que as escolas atualmente não possuem metodologia de ensino que prenda o jovem à sala de aula. Isso se reflete na grande evasão escolar que existe e esses jovens, em sua maioria, acaba sendo absorvido pelo mundo do crime, que oferece à falsa ideia de dinheiro fácil e vida de luxo. “O fim de tudo isso, infelizmente, é cadeia ou cemitério. A gente lamenta que nossa juventude esteja morrendo. A gente sente como se estivesse perdendo a batalha para o crime”, desabafa a conselheira.

De acordo com ela, se for analisar a vida de cada um dos adolescentes que perderam a vida só este ano para o crime, a maioria já tinha passagem pela polícia e pelo Conselho Tutelar. “Tem casos que a gente luta muito para tentar tirar da vida do crime, como foi o caso de um jovem morto recentemente, mas não conseguimos. Há pouco tempo eu fui, sozinha, na casa de um traficante buscar uma jovem que estava sendo explorada e sendo usada como ‘aviãozinho’ [entregar droga]. Depois que a gente avalia o risco que correu, mas na hora a gente só pensa em resgatar aquela vida, que tem todo um futuro pela frente, mas que se ficar ali, não chega, muitas vezes, a maior idade”, detalha.

Ela destaca que os problemas econômicos e sociais do País deram um impulso enorme para o aumento da violência entre os jovens. Gardênia observa que boa parte dos jovens apreendidos ou mortos apresenta histórico de desagregação familiar e violência doméstica.

“A crise econômica fechou muitos postos de trabalho e muitos pais de família ficaram desempregados. Os adolescentes, por sua vez, quando conseguem emprego, são explorados e muitas vezes violados. A gente pode investigar, a maioria das empresas que emprega menor, acaba explorando essa mão de obra. A maior carga horária e volume de trabalho é dos jovens, infelizmente é essa é a nossa realidade”, afirma a conselheira.

Gardênia explica que o adolescente, depois dos 14 anos, pode trabalhar, mas com carga horária que permita ele a estudar. “Um jovem que trabalha o dia todo em serviço pesado, qual a motivação que ele vai ter para ir à escola no final do dia. Nenhuma. Por isso, defendemos os direitos dos jovens e adolescente, dentro do que preconiza o Estatuto da Criança e Adolescente [ECA]”, pontua, dizendo que não tem nenhum problema o pai ensinar ao filho uma profissão, o que não pode é ele ser explorado, principalmente quando o trabalho prejudica seu crescimento e atividade escolar.

“A gente pede aos pais ou responsáveis que venham até o Conselho Tutelar e busquem se informar sobre o que é preconizado no Estatuto da Criança e Adolescente. Nós não somos incentivadores do jovem fazer coisa errada, a gente só defende a garantia dos direitos, com base na lei vigente”, frisa.

Casa de passagem

Para os jovens, vítimas da violência, a Casa de Passagem tem sido o principal abrigo, sendo mantido pelo município.

Segundo Gardênia, o local é a ultima instância, quando o trabalho social junto à família e aos jovens não surte mais efeito. “Quando a criança e o adolescente vão para o abrigo, é porque ela está em situação de violação de direitos e rompimento de vínculos familiar. Ou seja, essa criança ou adolescente não tem mais ninguém que o ampare. Ele fica lá com a proteção do município sobre observação do Estado, que é o Poder Judiciário”, esclarece.

Gravidez

Paralelo a violência do mundo do crime, outra realidade reflete a desagregação familiar vivida atualmente, segundo o Conselho Tutelar. A violência e exploração sexual de crianças e adolescente.

Essa triste realidade mostra o alto índice de gravidez entre os jovens. Em 2017 foram registrados cerca de 200 casos de gravidez na faixa etária entre 10 e 13 anos. “É outra realidade lamentável. São crianças gerando outras crianças”, afirma à conselheira.

Parauapebas também desponta no ranking como um dos municípios com alto índice de estupro de vulnerável. “A gente gostaria que ver nossas crianças e jovens sendo tratadas de forma diferente, mas infelizmente a realidade ainda está aquém do ideal”, finaliza a conselheira.

Reportagem: Tina Santos – com informações de Ronaldo Modesto / Grupo Correio de Comunicação

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