Pesquisa da Uepa analisa o desenvolvimento de bebês prematuros, no município de Marabá

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Com foco no desenvolvimento saudável de crianças prematuras, os alunos da Universidade do Estado do Pará (Uepa), em Marabá, elaboraram o projeto de pesquisa Influência de Fatores de Risco e Qualidade de Interação Mãe-Bebê no Desenvolvimento Prematuro, orientado pela professora, Ivete Caldas, com a participação dos estudantes do curso de medicina, Pedro Victor e Anderson Braga.

O estudo, realizado no Laboratório de Desenvolvimento Infantil (Ladin), vinculado ao curso de medicina, no Campus VIII, ocorreu de 2018 a 2020, e analisou o desenvolvimento de prematuros durante o primeiro ano de vida. Participaram da pesquisa oito mães com seus filhos, nascidos entre 36 e 37 semanas, com peso de aproximadamente 2,5 kg.


Os recém-nascidos que integraram a pesquisa, estavam internados na unidade de cuidados intermediários neonatal (UCIN) do Hospital Municipal de Materno Infantil (HMI), no município de Marabá. Os bebês foram selecionados antes de receberem alta hospitalar.

De acordo com a professora Ivete Caldas, que é também coordenadora do Ladin, ainda no hospital, as mães foram informadas sobre o objetivo da pesquisa e o cronograma de sessões, ao longo do primeiro ano de vida das crianças, só foi implementado após as mães assinarem um termo de concordância, como é de praxe em pesquisas acadêmicas.

TESTE DE DENVER

Os pesquisadores informaram que o primeiro passo para a seleção das crianças, foi a coleta de dados por meio da ficha clínica e socioeconômica, que fornece dados de identificação da mãe, do cônjuge e do neném. A equipe implementou o Teste de Denver, uma escala utilizada por profissionais de saúde, para avaliar e identificar crianças entre 0 e 6 anos de idade, com risco para atraso no desenvolvimento (ADNPM).

“O teste baseia-se principalmente na observação da execução dos itens, e no relato dos pais, comparando o desempenho de uma determinada criança com o desempenho de outras crianças da mesma idade”, explicam os especialistas.

Assim a triagem, baseada nesse procedimento, é dividida em quatro áreas: a pessoal-social, que envolve aspectos da socialização da criança dentro e fora do ambiente familiar; a motricidade fina, relacionada à coordenação olho-mão e manipulação de pequenos objetos; a linguagem, relativa à produção de som, capacidade de reconhecer, entender e usar a linguagem, e a motricidade ampla, que corresponde aos atos de sentar, caminhar, pular e aos demais movimentos realizados pela musculatura ampla.

A equipe detalhou que as atividades foram registradas em vídeo e ocorreram com sessões aos três, seis, nove e doze meses de idade dos pacientes. “As sessões tiveram em média duração de trinta minutos, dividos em três momentos, destinados a coletas de informações da mãe e do prematuro, análises do desenvolvimento infantil dos recém-nascidos e observação das interações livres entre as mães e os filhos”, explicaram os pesquisadores.

RESULTADOS

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), só no Brasil nascem quase 300 mil bebês prematuros e essa condição é a maior causa de mortalidade infantil até os cinco anos de idade em todo o mundo. A pesquisa realizada no Ladin ressalta que com o avanço no atendimento neonatal, muitos bebês são capazes de sobreviver a esses partos. Por isso, no Laboratório, os alunos têm a possibilidade de realizar atividades de ensino, pesquisa e extensão, com inovação na área de Neonatologia, Pediatria e Neuroeducação.

Os resultados da pesquisa reforçam que o nascimento prematuro é o principal fator de risco para problemas neurocomportamentais, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com base nos dados levantados, a pesquisa também concluiu que, as mães mais velhas investem mais nos filhos em comparação com as mais jovens e que aquelas com mais responsividade, ou seja, com capacidade de responder de forma rápida e adequada ao que lhes era perguntado, poderiam influenciar no desenvolvimento sociocomunicativo e motor dos prematuros, melhorando o processo de interação mãe-bebê.

O acadêmico de medicina, Anderson Braga, destacou a importância de se reconhecer a prematuridade como um dos principais fatores de risco, visto que, com o resultado de pesquisas como esta, “milhares de bebês poderão ter um desenvolvimento saudável com mais qualidade de vida”, comemorou o universitário.

“Tive uma ótima experiência e prazer em participar como bolsista deste projeto de iniciação científica. Através dele pude aprender mais sobre o desenvolvimento infantil e sobre a importância do estímulo dos familiares, irmãos, pais, e principalmente da mãe, para o desenvolvimento do bebê prematuro”, avaliou o estudante.

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