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Preço da carne bovina dispara e assusta consumidores paraenses

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Empresários e consumidores notaram nas últimas semanas o aumento do preço da carne bovina no Pará. De acordo com um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o preço do produto subiu cerca de 10% somente nas últimas três semanas. O estudo ainda comprova que, analisando os primeiros 11 meses do ano, a alta acumulada já foi quase de 20%.

De acordo com o economista Roberto Sena, a alta do preço da carne foi mais sentida pelo consumidor esse mês devido a um disparo incomum no valor do produto. Segundo ele, a tendência é que esse o preço da carne continue subindo pelas próximas semanas.


“É muito importante dizer que a alta da carne não é um fato novo. O produto vem subindo desde janeiro e, até outubro, subiu 7%, mais do que o dobro da inflação no mesmo período. O problema foi agora em novembro. Em três semanas, a carne já subiu 10%. Estamos fechando o levantamento da quarta semana, mas já podemos afirmar que o preço vai subir mais ainda”, explicou.

A situação também vem incomodando consumidores. Muitas pessoas acabam sendo obrigadas a adaptar o cardápio para driblar as altas no preço. “Fui em um supermercado ontem e o quilo da chã estava R$ 35, e do patinho estava R$ 28. No açougue perto de onde eu moro os preços também já subiram de R$ 3 a R$ 5. O açougueiro disse que a carne vai subir ainda mais, em média 30%”, relata Gilvânia Sousa, moradora do bairro da Marambaia, em Belém.

Segundo Roberto Sena, as altas no preço da carne foram ocasionadas por uma nova negociação entre o Brasil e a China. Ele explica que houve um surto de doença bovina no país e, por conta disso, a carne brasileira passou a ser a principal opção.

“Os chineses, que já compravam carne brasileira, passaram a importar mais por causa da falta do produto no país. Com isso, a carne ficou em falta aqui no Brasil. O problema é que, mesmo a carne estando cara aqui, os chineses estão pagando mais por isso”, explicou Sena.

Possível desabastecimento

Em Belém, um supermercado alertou os clientes na última quarta-feira (27) dizendo que a carne “estava em falta” nos estabelecimentos da rede. Segundo a empresa, os frigoríficos alegam que a exportação do boi em pé e da carne “in natura” para outros países fez o preço do produto subir diariamente.

A nota segue dizendo que os preços vão permanecer altos e que não há precisão para a normalizar a situação a curto prazo. O supermercado ainda sugere que os consumidores substituam a carne bovina por outro tipo de alimento.

Roberto Sena explica que realmente não há previsão de normalização dos preços a curto prazo, porém a questão do desabastecimento está vinculada a questões conjunturais. Segundo ele, para ocorrer o desabastecimento é necessário que a oferta do produto diminua e a procura aumente.

“Durante anos de trabalho eu já vi desabastecimento de gasolina, feijão, gasolina. De carne pode acontecer, mas pra isso, a corrida na exportação precisa ser ainda maior, e a procura do produto subir também”, detalha.

Crise nacional

Os aumentos seguidos no preço da carne bovina não são exclusivos do Pará. Em diversos estados do Brasil o valor do produto também disparou. Em todo o país, a carne vermelha subiu em média 20% em novembro na comparação com setembro deste ano.

Segundo a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, os preços ficaram estáveis por muito tempo e que os produtores vivem um momento de euforia, mas que o mercado vai se equilibrar. Ela ainda disse que mesmo sendo um grande exportador, o Brasil poderá importar carne.

No acumulado de janeiro a setembro de 2019, os embarques de carne bovina do Brasil somaram 1,2 milhão de toneladas, alta de 9,2% em relação a igual período do ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

A associação disse ainda que tem acompanhado atentamente todas as questões que envolvem o abastecimento do mercado interno, que apesar de indicarem que não há risco para falta de carne bovina ao consumidor brasileiro, o valor do produto in natura, assim como já anunciado recentemente pela mídia, chegou ao varejo.

A Abras finaliza dizendo que o setor supermercadista seguirá buscando formas para ofertar produtos com valores justos, a fim de evitar a sobrecarga aos consumidores brasileiros e as oscilações externas de seus domínios.

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