O prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano (Avante), utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (3) para divulgar um diagnóstico detalhado da situação financeira e administrativa encontrada pela atual gestão ao assumir a prefeitura em 2025. A publicação, acompanhada por uma sequência de artes explicativas, traz números expressivos e aponta um quadro classificado pelo próprio gestor como “difícil” e de grande impacto para o funcionamento do município.

Na mensagem, Aurélio afirma que a nova administração herdou mais de R$ 1,6 bilhão em dívidas, além de uma queda acentuada na arrecadação, fatores que, segundo ele, comprometeram diretamente recursos que deveriam ser destinados a áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
“A verdade precisa ser dita. Assumimos a prefeitura e encontramos um cenário difícil”, escreveu o prefeito.
Dívidas bilionárias e obrigações não cumpridas
De acordo com os dados apresentados, somente a dívida relacionada à Previdência (INSS) ultrapassa R$ 1,15 bilhão. Segundo a publicação, a gestão anterior teria descontado a contribuição previdenciária dos servidores, mas não realizado o repasse devido. O parcelamento desse débito gera, atualmente, uma obrigação mensal estimada em R$ 7 milhões, valor que, conforme destacado, poderia ser suficiente para a aquisição de ambulâncias ou para garantir anos de alimentação escolar.
Além disso, o levantamento aponta:
R$ 70 milhões em restos a pagar;
R$ 61,7 milhões em serviços e materiais não empenhados;
Mais de R$ 40 milhões em consignados descontados dos servidores e não repassados aos bancos, com casos já judicializados;
R$ 277 mil em dívidas com sindicatos e associações;
Mais de R$ 10 milhões em débitos com a Equatorial Energia;
Outras dívidas diversas, incluindo obras abandonadas.
Queda de arrecadação agrava o cenário
Outro ponto destacado pelo prefeito é a redução significativa das receitas municipais. Segundo as informações divulgadas:
O município deixou de arrecadar, em média, R$ 40 milhões por mês com a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) — montante que, segundo a publicação, seria suficiente para a construção de sete escolas completas;
No caso do ICMS, a perda anual estimada chega a R$ 500 milhões.
Somando a queda de arrecadação com o volume de dívidas herdadas, o impacto financeiro ultrapassaria R$ 2 bilhões, valor próximo ao orçamento anual inteiro do município.
Reflexos nos serviços públicos
As artes divulgadas pelo prefeito também relacionam o cenário financeiro a problemas visíveis enfrentados pela população, como escolas sucateadas, prédios públicos abandonados, merenda escolar reduzida, falta d’água em diversos bairros e buracos espalhados pela cidade.
“A verdade sempre em primeiro lugar”, reforçou Aurélio Goiano, ao afirmar que a gestão não pretende esconder os problemas encontrados.
Compromisso com transparência e reorganização
Na conclusão da publicação, o prefeito destacou que, apesar do cenário adverso, a atual administração está comprometida em enfrentar os desafios com responsabilidade, transparência e trabalho.
“Não escondemos problemas. Enfrentamos. Com responsabilidade, transparência e trabalho sério, vamos reorganizar a casa e devolver dignidade ao povo de Parauapebas”, afirmou.


















