Semed afirma que empresa vencedora da licitação não disponibilizou as vans contratadas e que processo para convocação de outra empresa ainda enfrenta recursos administrativos

As famílias que denunciam problemas no transporte escolar destinado a estudantes com deficiência em Parauapebas receberam uma explicação da Prefeitura, mas ainda continuam sem uma resposta para a principal pergunta: quando o serviço será normalizado?
No sábado (29), a Prefeitura de Parauapebas encaminhou ao Portal Pebinha de Açúcar uma nota de esclarecimento após a repercussão das reclamações de mães, pais e responsáveis. Segundo as famílias, há crianças que estariam há mais de dois meses sem frequentar a escola por falta do transporte adequado.
No posicionamento, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) detalha os problemas enfrentados no processo de contratação, porém não anuncia uma solução imediata nem estabelece uma data para que os veículos voltem a atender os estudantes afetados.
Empresa vencedora não disponibilizou veículos
Segundo a Prefeitura, a licitação para o transporte escolar foi dividida em três lotes. O Lote 1 contempla ônibus e micro-ônibus da zona urbana; o Lote 2 atende estudantes da zona rural; e o Lote 3 corresponde às vans utilizadas tanto na área urbana quanto rural, incluindo veículo adaptado para alunos com deficiência motora que utilizam cadeira de rodas. É nesse último lote que está o impasse.
A gestão municipal afirma que o processo licitatório foi realizado e houve a contratação das empresas vencedoras. Entretanto, a empresa responsável pelo Lote 3 não teria atendido à convocação para mobilizar e disponibilizar os veículos nas condições previstas na licitação.
Diante disso, a Semed informa que adotou procedimentos para a rescisão contratual.
Outra empresa foi convocada, mas processo ainda não terminou
Após o problema com a primeira contratada, a Prefeitura realizou uma chamada “volta de fase” no procedimento licitatório, permitindo a convocação e análise da proposta da empresa subsequente. Isso, entretanto, ainda não resultou na retomada do serviço.
De acordo com a nota, o processo encontra-se atualmente em fase de análise de recursos administrativos, necessária para que seja tomada uma decisão definitiva sobre a habilitação da nova empresa.
Somente depois dessa análise deverão ser adotadas as demais providências para efetivar a contratação.
A Prefeitura não informou quanto tempo essa etapa deverá levar, quando o novo contrato poderá ser efetivado ou em qual data os veículos estarão disponíveis para os estudantes.
Famílias relatam mais de dois meses de espera
A ausência de uma previsão concreta é justamente uma das principais reclamações apresentadas pelas famílias.
Na sexta-feira (28), o Pebinha mostrou que mães, pais e responsáveis estavam se mobilizando para uma manifestação no Complexo VS-10. O ato havia sido convocado para sábado, com concentração na Avenida Olestina Lemos, no Bairro Raio de Sol.
Segundo o movimento “Somos Mães Atípicas”, estudantes estariam há mais de dois meses sem frequentar regularmente as unidades de ensino devido à falta do transporte.
Para essas famílias, o problema ultrapassa a questão do deslocamento: sem o veículo necessário para chegar à escola, crianças e adolescentes acabam tendo comprometido o próprio acesso às aulas.
Câmara também cobra respostas
A situação já chegou à Câmara Municipal de Parauapebas.
Na sessão de terça-feira (25), foram aprovados dois requerimentos relacionados ao problema. O Requerimento nº 348/2026, apresentado pelo vereador Zé do Bode (União), cobra da Semed informações sobre as causas da interrupção e uma previsão para o restabelecimento do transporte destinado a crianças atípicas e estudantes com necessidades específicas.
O vereador Alex Ohana (PDT) também apresentou o Requerimento nº 351/2026, solicitando esclarecimentos do Executivo diante das reclamações feitas pelos responsáveis.
Explicação foi apresentada; prazo, não
Em sua nota, a Prefeitura afirma que todas as medidas estão sendo conduzidas dentro dos procedimentos administrativos e que continuará acompanhando o processo até a conclusão das etapas pendentes.
A administração também reafirmou compromisso com a segurança, inclusão, acessibilidade e direito à educação.
O posicionamento esclarece o que provocou o impasse na contratação, mas não significa que o problema enfrentado pelas famílias esteja resolvido. Até o momento, não foi anunciada uma data para a normalização do transporte.
Enquanto o processo administrativo segue em andamento, mães, pais e responsáveis continuam aguardando uma definição que permita aos estudantes afetados voltar a contar regularmente com o serviço.







