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Professor: desunião e fraqueza!

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Por Alípio Ribeiro

A professora de português, Luciana, da escola municipal SANDRA MARIA, localizada no bairro Novo Brasil, em Parauapebas/PA, discutiu com um aluno de 14 anos, em sala de aula. Depois do fato, o aluno a esperou de tocaia fora da escola e a espancou!


Por ser menor de idade, a lei não permite a divulgação do nome do aluno, nem a imagem dele. Vamos chamá-lo de Zé!

Quando a professora entrou na sala, havia um cesto de lixo em cima da porta, preparado para cair na cabeça dela. Luciana conseguiu se desviar e não foi atingida pelo cesto.

Quando criança, eu e meus colegas de sala fazíamos artes bem piores. Não usávamos cesto de lixo, mas sacos com merda de boi. Claro, naquela época, a punição era apanhar na escola; da professora, da diretora e, ao chegar a casa, da mãe e do pai. E éramos felizes. Sabíamos que merecíamos apanhar. Não tinha esta de bullying. Qualquer desavença era resolvida no tapa. No outro dia, ríamos de tudo e continuávamos amigos. E aprendíamos muito e tínhamos respeito pelos professores, pelos colegas!

Luciana perguntou quem havia feito aquela peraltice e uma aluna acusou o Zé. Zé é um aluno conhecido na escola. Nos três anos anteriores, furou a mão de uma professora com lápis, agrediu alunas; com 14 anos, é visto bêbado, e, segundo depoimento de outros alunos e professores, o pai é alcoólatra. Ou seja, é um aluno que precisa de orientação e ajuda.

A professora Luciana começou a discutir com Zé. Trocaram impropérios e o coordenador foi chamado para retirar Zé da sala de aula. Zé saiu, aguardou a professora do lado de fora da escola. Luciana tem um sério problema na bexiga, está em tratamento. Ao sair da escola com sua moto FAN, Luciana teve que reduzir a velocidade perto de umas valetas. Então, foi surpreendida por Zé, que lhe deu uma “voadora”, acertando-lhe, justamente, a bexiga doente. Zé ameaçou Luciana de morte. Caída, Luciana tentou se defender com o capacete. Segundo ela, havia um professor e o vigia da escola assistindo a tudo. Nenhum deles, sequer, correu na direção dela para ajudá-la.

A mídia parauapebense não deu relevância ao acontecido. Pouco se noticiou a respeito. Afinal, é apenas uma professorinha qualquer, não é mesmo? Noticiar para quê? A secretaria de educação ficou de apurar os fatos. A professora foi transferida da escola. E o Zé? O Zé continua na escola! É o rei do pedaço, temido por todos, faz o que quer!

Dois dias depois, foi divulgado nas redes sociais um convite para que os professores (mais de 3 mil na rede pública) fossem participar de uma manifestação de apoio à professora agredida. Sabe quantos apareceram? Dois representantes do SINTEPP, um do COMDEPA, eu e mais meia dúzia de gatos pingados. Onde estavam o secretário de educação do município e o prefeito? Ambos professores de carreira, tanto quanto duas vereadoras da cidade, Ciza e Eliene? O que eles fizeram? E os outros vereadores? Nada! Foi feito um B.O na delegacia. Que providências foram tomadas? Como um aluno com um histórico de atitudes agressivas continua na escola? O que foi feito para punir as agressões anteriores? E o artigo 331 do Código Penal? “Art. 331 – Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.”

O que dizer da professora? Imaginem como ela está se sentindo! Alguns chegaram a culpá-la pelo acontecido. E mesmo que ela tenha culpa, como disse meu amigo Luiz Vieira num vídeo, há que se respeitar o professor. Foi-se o tempo… Quer dizer que se o filho discute com a mãe, vai ficar de tocaia e agredi-la?

Eu estou triste e indignado! Revoltado! Numa conversa com um amigo, empresário, eu falei que o salário do professor, ofertado em concurso público, é de, em média, R$2.500,00 por mês. No entanto, outros concursos como os da Caixa Econômica Federal, tribunais de justiça, oferecem R$8.000,00 para candidatos a técnicos, com ensino médio! A resposta dele foi: “veja quantos professores tem no Brasil e quantos técnicos existem!” Ou seja, para ele, tem professores demais, e não dá para pagar muito para eles! Meu DEUS!!

Quando foi que aqui no Pará uma greve de professores surtiu algum efeito? A classe foi massacrada e ridicularizada pelo Jatene! Quantos estados brasileiros não cumprem o piso salarial do magistério? E o que os professores fazemos? Nada! Ficamos em casa, vamos passear no período de greve!

A classe é fraca, desunida, despreparada! Muitos mal sabem escrever o português padrão! Digo isto, pois sou professor há 30 anos! Estou calejado. A professora agredida está decepcionada, com medo, desprotegida! E eu também!

Colegas professores. Deem um basta nisto! Eu fui agredido e revidei. Busquem na mídia (RBATV), ano de 2015 em Marabá. Eu lecionava na escola Anísio Teixeira! Fui notícia no estado e no país. Fui à luta, sem apoio da direção da escola, dos colegas, do SINTEPP. Lutei sozinho. Dei murros e fui esmurrado. E venci! Venci na briga corporal. Mas a classe foi derrotada!

A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo, disse Madiba. Do que adianta uma arma tão poderosa assim nas mãos de incompetentes, de egoístas, de educadores que não se unem para conquistar seus objetivos?

Desculpem-me se ofendi alguém. Não é esta a intenção!

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