Profilaxia permite que pessoa soropositivo tenha filhos sem o risco de contrair HIV

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Milka Régia – Enfermeira do CTA

Um recurso para o casal onde um está vivendo com HIV e tem o desejo de ter filhos concebido de forma tradicional, porém, um dos dois é soro discordante, ou seja, não tem HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana.

Assim, a PrEP – Profilaxia Pré Exposição ao HIV, um novo método de prevenção à infecção pelo HIV, possibilita ao que não tem no organismo o HIV faça o ato sexual sem preservativo, possibilitando a concepção sem que seja contaminado pelo vírus. “A PrEP consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus causador da AIDS infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com o vírus, pois, se a pessoa tomar PrEP diariamente, a medicação pode impedir que o HIV se estabeleça e se espalhe em seu corpo”, explica Milka Régia, enfermeira do Centro de Testagem e Aconselhamento de Parauapebas (CTA), detalhando que a PrEP é a combinação de dois medicamentos (tenofovir + entricitabina) que bloqueiam alguns “caminhos” que o HIV usa para infectar seu organismo.


Porém, Milka alerta que a PrEP só tem efeito se os comprimidos forem tomados todos os dias, pois, caso contrário, pode não haver concentração suficiente do medicamento em sua corrente sanguínea para bloquear o vírus.

De acordo com Milka Régia, mesmo antes de ser inserida essa profilaxia, já era possível que mulheres com HIV pudessem engravidar e ter filhos saudáveis, porém, agora é possível que o casal soro discordante tenha relações sexuais sem contaminar o parceiro. Assim, no caso de que o homem seja soro positivo, além de que a criança nasce sem a possibilidade de contaminação pelo HIV.
Mas, no caso contrário, em que a mulher seja soro positivo, o homem pode proporcionar que ela engravide pelo método sexual sem se contaminar com o vírus; porém, a gravidez, bem como o parto, precisará ter acompanhamento para garantir que a criança não se contamine.

O CTA de Parauapebas, tem estrutura adequada para pôr em prática as políticas públicas no tratamento de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Infecção Sexualmente Transmissíveis (IST), e vem oferecendo serviço de atendimento especializado para pessoas que vivem com as diversas contaminações. Dentro deste grupo estão mulheres que engravidam já sabendo ser portadoras, por exemplo, de HIV ou outras que descobrem depois, durante o pré-natal, podendo ter filhos saudáveis.

 

Segundo Milka Régia, o Ministério da Saúde tem investido em tecnologias que diminuem essa possibilidade de contaminação, dando a essa mulher a possibilidade de gestar. “O fato de a mulher ser vivendo com HIV não a impede de ser mãe. A partir disto, vendo o desejo, é feito o acompanhamento com medicações específicas, também oferecidas ao parceiro, para evitar que ele se contamine, e garantir um desfecho desse processo, onde a gente consiga auxiliar para que esse casal venha ter filho em um processo da forma mais saudável possível, evitando a contaminação tanto do parceiro quanto da criança”, detalha Milka Régia, recomendando que tudo deve ser acompanhado por profissionais de saúde do CTA, que, além de tratamento médico especializado, oferecem acompanhamento psicossocial para que tudo inicie da forma correta e termine bem.

 

A enfermeira lembra que a prevenção deve começar no pré-natal, quando a mulher, tendo uma suspeita de gravidez, procura uma unidade de saúde, onde um dos exames essenciais e obrigatórios na primeira consulta de pré-natal é o teste de HIV e que, uma vez diagnosticada com HIV, essa mãe deve ficar sendo acompanhada em sua unidade de saúde de origem e também no CTA, onde uma equipe multiprofissional ministrando a ela medicação até o momento do parto, outro período que requer cuidado quando a paciente recebe medicação específica sendo parte da profilaxia. “Ao nascer, o bebê já recebe assistência diferenciada com medicação especial durante 28 dias, continuando a ser acompanhado pela equipe do CTA até os primeiros 24 meses, período considerado de exposição ao vírus HIV; em cujo período, a gente investiga se essa criança ainda está exposta ao HIV, se ela foi contaminada ou não”, relata Milka, assegurando que, caso a criança, durante o tempo previsto de exposição, que é de 24 meses, apresente resultado de soro positivo para HIV, já passa a ser assistida pelo CTA, podendo ter acompanhamento e uma vida normal em tratamento cuidando para que não desenvolva aids.

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