Indicação aprovada na Câmara sugere parceria com Vale, ICMBio e outros órgãos para transformar área em modelo de desenvolvimento sustentável no pós-mineração

A Câmara Municipal de Parauapebas aprovou, na sessão ordinária desta terça-feira (5), a Indicação nº 281/2026, que propõe a elaboração de um plano estratégico para o uso futuro da Mina do Azul, localizada no Complexo Minerário de Carajás e atualmente em processo de exaustão.
De autoria do vereador Alex Ohana, a proposta sugere que o Poder Executivo Municipal desenvolva o planejamento em parceria com a Vale, o ICMBio, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (SAAEP) e demais órgãos competentes.
Planejamento para o pós-mineração
A iniciativa tem como objetivo antecipar discussões sobre o futuro da área minerada, contemplando ações de recuperação ambiental, desenvolvimento sustentável, turismo ecológico e técnico, pesquisa científica, educação ambiental e até mesmo o uso da cava da mina como um possível reservatório estratégico de água para o município.
De acordo com a justificativa apresentada, a Mina do Azul — que iniciou suas operações em 1985 voltadas à exploração de manganês — está entre as primeiras da região a caminhar para o encerramento das atividades, com previsão de exaustão entre os anos de 2022 e 2025.
Diante desse cenário, o vereador defende que Parauapebas precisa iniciar, desde já, um planejamento de médio e longo prazo para garantir que a área seja reaproveitada de forma segura, sustentável e estratégica.
Possível reservatório hídrico
Um dos pontos centrais da proposta é a avaliação técnica da possibilidade de utilização da cava da mina como reservatório de água. A ideia, segundo o texto, não é de uso imediato, mas de inclusão da alternativa no planejamento futuro, considerando o crescimento populacional e a necessidade de segurança hídrica do município.
Para isso, seriam necessários estudos aprofundados nas áreas hidrológica, geotécnica, ambiental e sanitária, a fim de verificar a viabilidade do projeto, a qualidade da água, a capacidade de armazenamento e os possíveis impactos.
A proposta destaca que, caso viável, o reservatório poderia ajudar a ampliar a capacidade de abastecimento, reduzir riscos em períodos de estiagem e fortalecer o planejamento hídrico da cidade.
Exemplo de Minas Gerais
Como referência, a indicação cita a experiência da Mina de Águas Claras, em Nova Lima, onde a antiga cava minerada vem sendo transformada em um grande lago, dentro de um projeto de requalificação que envolve conservação ambiental, uso urbano e desenvolvimento sustentável.
Embora cada área tenha características próprias, o exemplo reforça que regiões mineradas podem ganhar novas funções após o encerramento das atividades.
Grupo de trabalho e participação social
Outro ponto importante da proposta é a criação de um grupo de trabalho ou comitê permanente, com participação da prefeitura, Câmara Municipal, empresas, órgãos ambientais, instituições de ensino, sociedade civil e comunidades locais.
Esse grupo seria responsável por discutir diretrizes, avaliar viabilidade técnica e propor ações concretas para o uso futuro da Mina do Azul e de outras áreas mineradas do Complexo de Carajás.
Visão de futuro para Parauapebas
A indicação também reforça a necessidade de preparar o município para um cenário pós-mineração, diversificando a economia e criando novas oportunidades a partir de áreas já exploradas.
Para o autor, o planejamento antecipado é fundamental para garantir que a riqueza gerada pela atividade mineral se traduza, no futuro, em benefícios duradouros para a população, com equilíbrio ambiental, desenvolvimento social e segurança no abastecimento de água.
Com a aprovação na Câmara, a proposta segue agora para análise do Poder Executivo Municipal.










