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Quase 4 mil mortes fazem de 2018 o 3º ano mais violento do Pará

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O Pará fechou 2018 com quase 4 mil mortes violentas. Os números ainda não estão consolidados e foram obtidos com base em relatório fornecido pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). Foram 3.755 homicídios, incluindo os de 45 policiais militares – em 2017 foram 35 -, 192 latrocínios e 16 lesões seguidas de morte, o que dá um total de 3.963 pessoas mortas.

Vale dizer que nesse montante não estão as estatísticas de pessoas mortas após intervenção policial porque o órgão alegou ainda não ter fechado esses dados. Mas tal quantidade de assassinatos já é suficiente para colocar 2018 como o terceiro ano mais violento do Pará. Só nos oito anos do governo de Simão Jatene (PSDB), quase 29 mil pessoas perderam a vida de forma violenta.


O ex-governador esteve à frente do Estado nos três anos mais violentos. O recorde anterior é de 2017, quando houve, segundo dados obtidos pelo DIÁRIO e divulgados em janeiro do ano passado, 4.416 mortes violentas, abrangendo homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes porintervenção policial.

O segundo ano mais violento foi o de 2016, com 4.223 mortes, segundo o Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Na linha do tempo de assassinatos de 1996 até 2018 nota-se um crescimento mais lento no início, mas agressivo nos últimos anos.

AUMENTO

Em 2011, Jatene encerraria seu primeiro ano do mandato com 3.073 homicídios, reduzindo em quase 500 mortes em relação ao ano anterior, quando o Estado era governado pela então petista Ana Júlia, hoje no PC do B. Mas a tendência de queda não se confirmou. Nos anos seguintes, houve um crescimento assustador nesse quesito: a pífia política de combate ao crime levou os dados a ultrapassarem as mais de 4 mil vidas perdidas em 2016 e 2017.

Sinais de fragilidade da Segurança Pública

“Precisamos entender inicialmente tudo isso como um processo, uma construção. A Segurança Pública vem apresentando sinais de fraqueza, de enfraquecimento, fragilidade. Isso nos leva a crer que as políticas voltadas a essa área foram pensadas de forma equivocada”, afirma o pesquisador sobre violência urbana da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Aiala Colares.

Essa situação, no entendimento do estudioso, permitiu que grupos estabelecessem processos de poder e comando territoriais, seja pelo tráfico, pelo contrabando ou pela ação de milícias, tanto na Região Metropolitana de Belém (RMB) quanto no interior do Estado.

“Isso culmina com uma série de conflitos que resultam nos homicídios de civis e de agentes de segurança pública. A medida envolvendo a Força Nacional para reforçar é emergencial, mas é preciso pensar nas ações de médio, curto e longo prazo”, pondera. O pedido da presença da Força Nacional no Pará foi feita esta semana pelo governador Helder Barbalho (MDB). O grande desafio dessas ações, segundo Aiala, é desmantelar os grupos milicianos. “Esse é um problema que compromete todo e qualquer projeto político pensado para diminuir os índices de violência, onde for”, afirma.

PROJETOS

Ele destaca a necessidade tanto do combate e da investigação quanto, simultaneamente, das propostas e projetos sociais e ações estratégicas chegarem de fato às áreas onde a criminalidade domina.

Diz ainda que essa pode ser uma forma de tentar mudar a realidade de jovens envolvidos com o crime -hoje, a faixa etária desse grupo é de 15 a 29 anos, são eles as vítimas da maior parte dos homicídios, tanto pelo tráfico quanto pela ação de grupos de extermínio. “Existem duas ações distintas que precisam existir e funcionar juntas: a política da Segurança Pública e as políticas públicas voltadas à Segurança Pública ”, afirma.

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