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RENDIMENTO: Média salarial do trabalhador paraense aumentou R$ 50

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Na quinta-feira (19) da semana passada, o Ministério do Trabalho (MTb) divulgou os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) para 2016. O manancial de números da Rais está sendo examinado atentamente pela fanpage “Meu Parazão”, que elaborou quadro com o ranking salarial do trabalhador formal por Unidade da Federação.

Aqui no Pará, houve aumento de aproximadamente R$ 50 na remuneração média paraense entre 2015 e 2016, mesmo em meio à crise financeira nacional que, somente no Pará, ceifou 72,4 mil postos de trabalho. Esse aumento do rendimento verificado no Pará e na maioria dos estados brasileiros deve-se ao fato de que as demissões foram mais agressivas em empregos com rendimento mais baixo, acompanhado da substituição numérica nos postos com ganhos mais elevados — onde, por exemplo, uma pessoa desempenhava função ganhando R$ 10 mil, hoje há duas pessoas ganhando R$ 5 mil cada.


O estado que proporcionalmente mais aumentou a remuneração é Sergipe, com ganho de R$ 120 de um ano para outro, puxado pela indústria mineral. Por outro lado, o vizinho Amapá é a Unidade da Federação onde o trabalhador mais perdeu renda. A média lá despencou R$ 780 e o fez cair da segunda para a 11ª colocação entre os maiores rendimentos nacionais. No geral, praticamente todos os estados brasileiros pagam abaixo do salário mínimo ideal calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), atualmente em R$ 3.668,55.

No curioso caso de perda de renda do Amapá, cabe ressaltar que sua massa salarial é sustentada majoritariamente por vínculos estatutários. No serviço público amapaense, por exemplo, a média salarial caiu de R$ 5.533,10 para R$ 3.715,47, e isso foi o que mais impactou no cálculo da média. A própria queda nesse subsetor é justificada pela inserção de servidores públicos (ao contrário do cenário de demissões, o estado ganhou em um ano 9.306 novos funcionários públicos, de todas as esferas) que, no entanto, foram admitidos com salários mais baixos que a média.
No Pará, por outro lado, o ganho de R$ 50 diz respeito ao fato de que, dos 24 subsetores econômicos computados pela Rais, em apenas três (indústrias de calçados, construção civil e instituições de crédito) houve retração de rendimento. A indústria de papel e gráfica, seguida do subsetor de serviços médicos, odontológicos e veterinários, lidera os ganhos.
O trabalhador formal do Pará recebe o 14º melhor salário do país, à frente de potências do Centro-Sul (como Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo), ainda assim atrás de praticamente todos os estados da Amazônia (só Rondônia e Maranhão pagam salários piores).

 

RAIS X PNAD

Por ser mais abrangente e computar vínculo a vínculo, a Rais é mais exata que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que trabalha com amostragem. De acordo com a Pnad, o rendimento efetivo do trabalhador no último trimestre de 2016 foi de R$ 1.396, mais de mil reais menor que o verificado pela Rais.
Como nada é perfeito, a Rais tem suas limitações. Uma delas a fanpage “Meu Parazão” divulga com exclusividade: é o tratamento dos dados após o envio do empregador. Aqui no Pará, especialmente nos municípios onde a mineradora Vale atua, isso é bastante sensível. Os dados de rendimento e vínculos empregatícios da indústria mineral assinada pela Vale em Canaã dos Carajás e de Curionópolis, por exemplo, são contabilizados como sendo de Parauapebas, onde está a sede administrativa da empresa. Por isso, até mesmo nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Canaã e Curionópolis apresentam números acima ou abaixo da realidade, mas nunca próximos. As contratações para a operação do projeto S11D, por exemplo, que são realizadas em Canaã, foram todas para o saldo de Parauapebas, o que impacta nos números finais da Rais e em nada condizem com a realidade. Na Rais de Parauapebas estão quatro mil trabalhadores de Canaã dos Carajás (projetos Sossego e S11D) e Curionópolis (projeto Serra Leste).

Reportagem: André Santos / Curta: www.facebook.com/MeuParazao/

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