Após manifestação de famílias e cobranças formais na Câmara de Parauapebas, secretária Maura Paulino gravou pronunciamento explicando o atraso; promessa de retorno na próxima semana, no entanto, permanece condicionada a trâmites administrativos

A crise no transporte escolar destinado a estudantes com deficiência e neurodivergentes em Parauapebas ganhou uma resposta oficial do governo municipal nesta semana. Após famílias de crianças atípicas, em especial da região do Complexo VS-10, anunciarem mobilização pública e o problema se tornar alvo de requerimentos na Câmara Municipal, a secretária municipal de Educação, Maura Paulino, gravou um vídeo institucional para prestar esclarecimentos.
No pronunciamento, a gestora afastou a acusação de falta de planejamento por parte da Secretaria Municipal de Educação (Semed), mas confirmou que o serviço segue desassistido em uma de suas frentes por problemas operacionais da empresa vencedora do processo licitatório.
De acordo com Maura Paulino, a prefeitura realizou um pregão eletrônico dividido em três lotes com o objetivo de cobrir a demanda de transporte escolar no retorno das aulas no início de agosto. Segundo a secretária:
- Lotes 1 e 2: Estariam funcionando normalmente com ônibus e micro-ônibus, cobrindo rotas das zonas urbana e rural.
- Lote 3 (vans do transporte especial): Foi o ponto de colapso. Conforme a secretária, a empresa declarada vencedora do lote — classificada por ela como uma empresa local — não possuía as vans necessárias para operacionalizar a frota e prestar o serviço contratado.
Diante do descumprimento, a Semed informou ter retornado as fases do processo para convocar as segundas e terceiras colocadas no certame, procedimento padrão previsto pela legislação de licitações.
Promessa com ressalvas: há prazo real ou discurso paliativo?
Ao projetar uma solução para os pais que aguardam o retorno do transporte, a secretária declarou estar “esperançosa” de que o serviço possa ser normalizado na próxima semana. No entanto, a fala da gestora veio acompanhada de condicionantes:
“Após todos esses trâmites, nós estamos esperançosos que a empresa que sair vencedora (…) possa já, se tudo correr bem, na próxima semana estar fazendo esse atendimento dos nossos alunos”.
Na prática, a declaração não estabelece uma data taxativa para a circulação das vans. Ao condicionar o retorno da rota à frase “se tudo correr bem” e à finalização de chamamento de empresas remanescentes, a Semed deixa em aberto o desfecho caso as próximas colocadas também enfrentem entraves documentais ou falta de veículos adaptados.
Além disso, a secretária não detalhou no pronunciamento quais sanções administrativas foram aplicadas à empresa vencedora que não entregou a frota, nem como a Semed pretende assegurar a reposição pedagógica para as crianças que já acumulam semanas sem comparecer à sala de aula.
Mães cobram fiscalização e apontam prejuízo contínuo
Para os responsáveis organizados no movimento “Somos Mães Atípicas”, a explicação burocrática não diminui o impacto na rotina dos alunos. Mães que denunciaram o caso relatam que muitas crianças já enfrentavam dificuldades de acesso mesmo antes das férias de julho, totalizando períodos ainda mais longos de evasão forçada.
Para além de um entrave de deslocamento diário, a interrupção da rotina escolar para crianças no espectro autista acarreta regressões no desenvolvimento social e cognitivo, além de sobrecarregar cuidadores que não têm condições financeiras de arcar com transporte privado ou adaptado diariamente até as escolas de Parauapebas.
Pressão do Legislativo
A justificativa apresentada pela titular da Semed coincide com a aprovação dos requerimentos nº 348/2026 e nº 351/2026, de autoria dos vereadores Zé do Bode (União) e Alex Ohana (PDT), na Câmara Municipal. Ambos os documentos cobram formalmente da pasta relatórios sobre o contrato, os motivos da interrupção e o cronograma vinculante para a entrega do serviço.
A comunidade escolar agora aguarda o desfecho dos trâmites administrativos ao longo dos próximos dias para verificar se a promessa de restabelecimento se concretizará nas ruas ou se as famílias precisarão manter o calendário de protestos.







