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Sim! Artistas locais para todos os eventos públicos, já!

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“Resolvi escrever este texto para confabular algumas observações com os colegas artistas, ativistas culturais e a comunidade em geral de Parauapebas (os cíveis e os governamentais). E o faço aproveitando o posicionamento governamental de que, em 2019, haverá uma reestruturação no formato de execução dos recursos culturais. Mas já iniciado em 2018, realizou o Réveillon só com artistas locais.

Na minha opinião, essa ação de “realizar eventos com recursos públicos só com artistas locais” já é 50% do trabalho de reestruturação dos “investimentos” com cultura no município. Os outros 50% deve ser a estruturação das políticas públicas Culturais devidamente definidas pela minuta da lei do Sistema Municipal de Cultura – que está em processo de aprovação e reúne a demanda da comunidade cultural e dos munícipes, levantadas nas conferências culturais e sessões do Conselho de Políticas Culturais ( governo e sociedade cívil).


Após anos de “aculturaçao”, estamos condicionados a gostar só das coisas importadas. Em geral, as coisas produzidas no nosso municipio não tem valor para nós. Isso se dá pelo diariamente ditado pela mídia de massa e o mau uso da internet. A falta de Políticas públicas de Educação cultural (Educação Patrimonial- sensibiliza os cidadãos à valorizar a sua cultura e respeitar as demais), desperta em nós outra maneira de pensar, refletir, interagir, respeitar e proteger os nossos bens culturais materiais (os utensilios, os meios de transportes, as ferramentas, as artes, nossas vestes); os bens imateriais (os cultos, os rituais, as danças, o teatro, a música) e os bens naturais (A natureza, nativa ou culticada), desperta o nosso sentimento de pertencimento a este território que nos acolhe, amplia a capacidade de valorização do que temos de melhor, a nossa identidade cultural (a individual (de cada um) e a coletiva (dos grupos), ambas alimentadas por nossas memórias ancestrais, familiares e pelas interrelações construídas ao longo de nossas vidas.
Infelizmente o que temos vivido muito intensamente é a política de balcão que custeia de forma desordenada (sem atender as ações demandadas pelos munícipes nas conferências), em benefício de poucos e detrimento da maioria.

Temos ouvido muitas críticas sobre os “gastos” com a cultura no município, tanto pela populaçao, quanto pelos artistas locais, que vêem sendo contratados por cachês irrisórios, sendo que os artista de fora (famosos ou não), alguns até desconhecidos com trabalho inferior ao dos nossos músicos, já foram contratados com cachês que daria para garantir “renda justa” para mais de dez dos nossos. Os de fora, antes de subirem ao palco o recurso deve está em suas contas. Enquanto que os pagamentos dos artistas locais, só recebem muito depois.
Temos discutido no Conselho de Politicas Culturais a regulamentação pela Secult para a contratação direta dos artistas locais para que possam construir curriculum e provas de suas atuações profissionais. Uma questão urgente a ser resolvida.

Optar pela contratação de artistas locais para atender as demandas dos eventos bancados com recursos públicos, é um ato de coragem, responsabilidade com o recurso público e:
– a valorização profissional dos nossos artistas, com cachês mais justos e maior oportunidade de trabalho;
-os recursos investidos circulariam no município, na mão dos artistas, no comercio local, nas lojas de son, produtoras, no supermercado, parte retornaria aos cofres públicos em forma de impostos.
-Além de garantir qualidade de vida para seus familiares, teriam a possibilidade de investirem em suas carreiras (produzir material de divulgação) para ampliar o acesso à novos mercados, os que já conseguiram investir, já estão colhendo os frutos.
-Teríamos uma enorme economia, invés de “custo” teríamos “investimentos sustentáveis” no setor cultural. Mas essa economia não é para migrar para outros setores (recurso da cultura deve ser investido na cultura) é sim, para investir em programas culturais, educação, pesquisa, editais, difusão e fortalecimento dos grupos de cultura popular, povos tradicionais, contratação de técnicos culturais para sistematizar e executar as atividades da Secult com qualidade (as constantes mudanças de gestores da Secult (no pleito anterior, mudou cerca de 08 vezes), os técnicos culturais foram demitidos e nãos repostos conforme a necessidade que a Secult precisa. Com isso, ações importantes e eventos tradicionais(garantidas no PPA/LOA) não foram realizados na integra e os que foram, tiveram muitas interferências negativas, inclusive de quem deveria apenas executar os serviços contratados e não alterar a identidade dos eventos tradicionais ao seu bel prazer financeiro.
-outra situação, mesmo desfalcada, a Secretaria foi sobrecarregada com eventos de aniversários das vilas rurais ( sem discriminaçao às vilas) na minha opinião essa atribuição é do DRC (Departamento de Relação com a Comunidade). A Secult precisa de seu contingente para cuidar das políticas públicas culturais.

AMADOR ou EMPREENDEDOR CULTURAL?

É uma pergunta que devemos responder.
Se a escolha for [email protected], o que faço e do jeito que faço, está ótimo!

Se escolhermos [email protected], aí teremos que tratar com mais zelo o nosso produto.

Parauapebas tem um grande elenco de músicos e intérpretes, em diversos perfis (identidade musical, quando ecléticos, ainda assim, são melhores em um estilo), alguns totalmente prontos e cuidadosos com suas carreiras (organizam repertório de acordo com a identidade do evento, cumprem os horários, autoreconhecem o seu perfil musical e buscam serviço apenas nos eventos que lhes são compatíveis, teem compromisso e responsabilidade profissional, a humildade e o respeito também ajudam nas relações de trabalho). Outros, não se preocupam em cuidar do seu produto.

Não sou técnica de música , mas como servidora da Secult por alguns anos, ou mesmo como espectadora tive a oportunidade de acompanhar muitos carnavais, festivais juninos, semana da mulher, Faps. Percebi que alguns artistas se comportam no palco para grande público da mesma maneira que se comportam nos barzinhos (Sem descriminação alguma aos barzinhos) apenas para dimensionar o volume de público). Tenho alguns exemplos: apresentar o mesmo repertório do barzinho sem se preocupar com a dimensão nem a temática do evento: cantar Fank no festival junino e tentar justificar “meu público gosta”. Mas aquele publico não é do artista, é do evento, e o artista deve respeitar a identidade do evento. O “senta! senta!” No palco da semana da mulher, depois de um trabalho importante de valorização feminina. “loirinha vai ao chão” num evento onde o público era casais de idade. O salão ficou vaziado antes que a música acabasse, todos levantaram e foram embora. Falatório na hora da apresentação, mandando “alô” para o amigo fulano, o amigo ciclano ou exaltanto o proprio nome o tempo todo é um balde de água fria na multidão, murcha o climax do evento. As pessoas estão aĺi para se divertirem ao máximo e o artista deve estar focado para cumprir o seu contrato de serviço com qualidade, mostrar o seu melhor, afinal o seu desempenho positivo pode ser o ingresso para outros contratos…

Meus parabéns à equipe que ousou em organizar o Reveillon!

Caso a Secult opte em realizar os demais eventos com artistas locais, terá que sistematizar alguns critérios para garantir que os eventos tenham ao máximo qualidade. Afinal a população há anos vem sendo doutrinada pela propria PMP a gostar do produto externo. Algumas pessoas ao saberem que um evento vai ser com artistas da terra, fazem deboche e os chamam de “os minhocas”. Retrata bem a desvalorização do que é nosso.
Quem é da área deve lembrar que já houve ano em que todos os eventos públicos realizados por diversas secretarias, foram contratados shows nacionais, muitos até em três versões (gospel, católico, secular), sendo possivel observar uma disputa dos gestores para ver quem trazia o artista mais famoso. Eventos absurdamente pensados “de fora pra dentro” primeiro as atrações externas, sem nenhuma preocupação com a situação dos artistas locais.

A Secult terá que ter pessoal qualificado para organizar os eventos. No mínimo um produtor musical para selecionar os artistas a cada evento por perfil musical, discutir repertório de acordo com a identidade do evento para apresentar ao público, cada vez melhores resultados ( já presenciei situações de vários artistas subirem ao palco e, em raras exceções, ouvir uma ou outra música difetente, praticamente o mesmo repertório sendo apresentado). Um bom produtor musical contribuirá bastante na formação continuada dos músicos e interpretes, será um laboratório de qualificação, terão mais experiência com eventos grandes, mais tempo em palco. Com as seleções por perfis e apresentação de repertórios, os artistas terão mais cuidado com a qualidade de seus serviços, poderem beber em muitas fontes, produzir músicas novas, repaginar músicas maravilhosas. A Bahia, na sua infinita criação musical, no carnaval resurgem sucessos antigos, todos os anos, por interpretes e famosos cantam de tudo e de todos, com as devidas considerações ao seu melhor perfil (Aché pra quem é melhor no Aché, Marchinha pra quem manjar do assunto e assim, sucessivamente. músicas….)
No palco uma banda completa, músicos e intérpretes bons nós temos, o Brasil tem um acervo infinito de músicas antigas maravilhosas, que só não vai gostar “…quem já morreu…”. No caso das músicas novas “dingos carnavalescos” distribuir entre os selecionados para evitar tanta repetição no mesmo dia (num evento, na mesma noite, conferi a mesma música, na mesma quantidade de interpretes que se apresentaram, neste caso em específico, o cantor de fora era o autor da música, também cantou no início e no final da apresentação.
Com a seleção (perfil/repertório, outros criterios técnicos que desconheço ) é uma forma de não ficar às cegas e antes mesmo do serviço ir ao palco já se tenha alguma espectativa de resultados positivos. Agradar o nosso público será um trabalho gradativo, a qualidade é fundamental para essa conquista. Se funciona? Não sei!. Quem assumir a tarefa, terá um bom desafio.

FESTIVAL JUNINO, experiência bem sucedida

Participo das festividades juninas em Parauapebas desde o JUNIFEST, se não me falha a memória mudou de nome no oitavo ano para Festival Jeca Tatu. É uma manifestaçao que mostra a ecência cultural da maioria da população do município, formada pelos migrantes da região nordestes. A manifestação tem características nordestinas mas com elementos agregados que imprimem identidade local. A forma de dançar, a carroçada, a organização dos espetáculos incluem as artes visuais, a dança, o teatro, a música, uma completa OPERA. A gastronomia apresenta diversidade, uma mistura de norte nordeste. É o evento que mais potencializa a economia da cultura em todas os segmentos artísticos, serviços diversos, compra no comercio local. O valor investido circula na cidade. É um exemplo bem sucedido de que não precisamos de ARTISTAS EXTERNOS para mobilizar espectadores. Inclusive o festival Junino é a culminância do trabalho da Liajup e das agremiações juninas iniciado no inicio de cada ano (algumas iniciam logo após o evento, até 12 meses antes) com a pesquisa dos temas, ensaios, cada agremiação realiza um arraial em seus bairros e acontece um incrível intercâmbio entre as agremiações dançando em diversos arraias, até chegarem em junho para a disputa no festival, Ofece ao público dois ambientes: a arena com arquibancadas para os apaixonados pelo espetáculo e outro cenográfico com barraquinhas de comidas típicas, feirinha dos Artesãos e atrações folclóricas, em especial o Forró pé de Serra. Envolve completamente as familias de Parauapebas. É um evento com identidade, tradição que merece ser mantido com todas as suas características constituída há 16 anos, com suas mais de 20 agremiações, cada uma com no mínimo 45 pessoas (todas as vezes que teve contratados externos, desabonou os artistas locais).

GINCANA DA MULHER

A dinâmica já foi experimentada e foi lindo!
Particularmente gostei muito. A maioria das cantoras de Parauapebas tiveram a oportunidade de se apresentarem. As atividades de palco realizadas pelas equipes fluiram com mais qualidade, liberdade sem o estress de palco ocupado pelas toneladas de equipamentos de bandas nacionais. O pior de tudo é o sufoco na plateia, quando acontece show nacional, as mulheres não tem a oportunidade de assistir as atividades. Em geral a praça é ocupada de forma intensa, na última vez, muitas brigas foram registradas. As mulheres não conseguem usufruir do evento realizado para elas, poderia também ser adotado, no meu ponto de vista.

SEMANA DO MEIO AMBIENTE

A SEMMA também já fez a experiência de realizar a semana de meio ambiente só com artistas locais, fez uma boa escolha dos artistas e foi um sucesso.

E os produtores de show, o que vão fazer?

Empreendedores como são, vamos ter mais um segmento cultural forte, com vários shows nacionais particulares, potencializar as atividades correlatas, as parcerias entre os produtores.

A cultura em 2019, COMO SERÁ?

A nível nacional, temos a extinção sumaria do MinC, a marginalização da Lei de Incentivo à cultural. Ainda é uma incógnita. o que vai acontecer daqui para frente.

Em Parauapebas no aguardo de novo comando para a Secult.
Posso garantir que para o segmento cultural, é sempre momento de expectativa e preocupação, devido ao histórico regresso dos ultimos anos.
Um resumo para refrescar a nossa memória:

Nos primórdios da criaçao da Secult, tivemos o seu melhor momento. Um gestor produtor cultural com acesso e aval do prefeito, além de um bom diálogo junto aos vereadores e o suporte de uma equipe de técnicos específicos para cada linguagem artística. Recurso importante para a institucionalização das leis: Escola de música e inicio da oferta de curso para jovens da comunidade; a lei do Museu e realizaçao de muitas ações de mobilização de parceiros, informações, conteúdos, exposições; Lei do Conselho e Fundo de Politicas Culturais implementações de suas atividades, realização de conferências municipais, participação em conferências estaduais e nacionais; adesão ao Sistema Nacional de cultura; inclusão no PPA demandas para todas as ações inclusive garantindo a construção de aparelhos culturais: escolas de artes, museu, casa do artesão, espaço estruturado para realização dos grandes eventos.
Não posso dizer que era o melhor dos mundos para a cultura, mas posso garantir que depois do que veio foi o melhor que Parauapebas já teve.
A rotatividade faz parte do processo democrático, mas a responsabilidade com a continuidade de Políticas públicas constituidas, deveriam ser garantidas, já que os serviços são implementados para o mesmo público: os munícipes.

Na segunda situação, o slogan já mostrava o que teríamos pela frente: “cultura não é prioridade do meu governo!”. Realmente não foi. Inicialmente ficou vinculada ao proprio partido, mas logo depois, deliberadamente virou barganha política para vereadores, um ápos o outro transformando a secretaria em uma instituição de “estágio” para secretários. Em 4 anos, pelo menos 08 indicados passaram por lá. A maioria dos técnicos (exceto os da escola de música) foram substituídos, principalmente por pessoas não habilitadas para atender as especifidades da pasta. Amargamos um enorme retrocesso neste período.
Como um vereador cumpre a sua função de fiscal do povo, sendo mandatário de uma Secretária?

A terceira experiência iniciou com boas expectativas, com um pacto pela cultura mas infelizmente até o momento não houve avanço. Apenas as atividades educativas da escola de música foi realizada, mas é necessario que as outras linhuagens (artes visuais, audiovisual, artesanato, artes cênicas, literatura, cultura popular) sejam implementadas. Não foram realizar todos os eventos tradicionais, o museu não avançou, os editais não foram lançados, apesar do Conselho e da Secult terem feito os encaminhamentos, os processos demoram para ser apreciados e sempre voltam para serem corregidos, perde -se muito tempo com esses tramites. Para piorar, a Secult tem assumido os aniversários de vilas (sem discriminação às vilas), na minha opinião poderiam ser realizados pelo DRC, e a Secult cuidar de suas atribuições.

Para 2019, desejo à equipe da Secult uma maior atenção às suas atribuições legais para que os artistas possam produzir mais, se apresentarem, compartilhar conhecimento, realizar projetos nos bairros.
É dever do município investir em processos artísticos culturais.
Que o prefeito dê maior atenção às questões definidas no pacto cultural que assinou, na aprovação do Sistema Municipal de Cultura. Parauapebas merece cultura de qualidade!

E para os colegas artistas, ativistas e comunidade, os convido para participarem das atividades do Conselho de politicas Culturais. Juntos seremos fortes!”

Feliz 2019, para todos nós!

Parauapebas, 09/01/2019.

Sandra Santos

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