Requerimento aprovado na Câmara exige dados detalhados sobre falta de ônibus, atrasos e o cumprimento de metas das cooperativas subsidiadas com mais de R$ 3,2 milhões

O sistema de transporte público de Parauapebas, um dos temas mais sensíveis para a população, voltou ao centro do debate político nesta terça-feira. Durante sessão ordinária na Câmara Municipal, o vereador Alex Ohana (PDT) apresentou o Requerimento nº 103/2026, realizando uma cobrança firme à gestão municipal sobre a qualidade e a fiscalização do serviço prestado à comunidade.
O documento, aprovado pelos parlamentares, solicita que a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Segurança Institucional e Defesa do Cidadão (SEMSI), preste informações detalhadas e urgentes sobre a operação das frotas, o cumprimento de metas e a sustentabilidade do Programa Tarifa Zero.
Relatos de caos e desrespeito aos usuários
A iniciativa do vereador fundamenta-se em um volume crescente de reclamações que chegam diariamente ao seu gabinete. Moradores de bairros como Palmares, Complexo VS-10 e Rio Verde relatam uma rotina de sofrimento: escassez de veículos, intervalos intermináveis entre as viagens e superlotação crônica, especialmente nos horários de pico.

A situação é ainda mais crítica para a classe estudantil. Alunos das universidades federais e estaduais (UFRA e UEPA) denunciam que os atrasos frequentes do transporte coletivo municipal fazem com que percam o transporte universitário e, consequentemente, suas aulas. No período noturno, o problema se agrava com o desembarque de estudantes no entorno do shopping por volta das 22h, sem garantia de integração para chegarem com segurança em suas residências.
Fiscalização do subsídio milionário
Um dos pontos mais contundentes do requerimento diz respeito ao uso do dinheiro público. Para viabilizar a gratuidade tarifária, a Câmara aprovou um subsídio de R$ 3.237.132,60 apenas para o primeiro semestre de 2026. Em contrapartida, as cooperativas têm a obrigação legal de realizar um incremento mensal de 20% na frota circulante — meta que, segundo a percepção dos usuários, não está sendo atingida.
“É dever do Poder Legislativo fiscalizar a correta aplicação dos recursos públicos. A população depositou suas esperanças neste programa, e precisamos assegurar que os mais de R$ 3,2 milhões investidos revertam-se em um serviço digno e eficiente”, destacou Alex Ohana na justificativa do requerimento.
As 11 perguntas que a prefeitura precisa responder
O requerimento exige respostas para questionamentos técnicos e operacionais, entre eles:
- Frota real: Qual o número exato de ônibus operando e se a meta de aumento de 20% está sendo cumprida com relatórios comprobatórios?
- Superlotação e espera: Quais as medidas para reduzir o tempo médio de espera e o desconforto nos horários de pico?
- Aplicativo Rota Fácil: Por que há defasagem entre a informação do GPS no app e a realidade dos ônibus nas ruas?
- Prestação de contas: Se as cooperativas estão apresentando os relatórios financeiro-técnicos mensais exigidos por lei.
- Manutenção: Qual a idade média da frota e o plano para evitar quebras constantes que deixam passageiros na mão.
Expectativa pela Tarifa Zero Universal
O vereador também pontuou a expectativa em torno da implementação da Tarifa Zero Universal, prometida para julho de 2026. Atualmente, a gratuidade plena ainda gera dúvidas na sociedade, que demanda transparência sobre como o sistema será mantido financeiramente após o término do subsídio inicial.
A aprovação do requerimento coloca a gestão municipal sob pressão para apresentar soluções práticas e não apenas justificativas burocráticas para um problema que afeta diretamente o direito de ir e vir de milhares de parauapebenses.








