Mesmo com plano emergencial anunciado, moradores relatam irregularidades no abastecimento urbano

Passados quase 30 dias desde que a concessionária Águas do Pará assumiu oficialmente o abastecimento de água e o tratamento de esgoto na zona urbana de Parauapebas, o cenário enfrentado por milhares de moradores ainda é de incerteza, reclamações e torneiras secas. Mesmo diante das dificuldades no fornecimento, a empresa já iniciou a distribuição das primeiras faturas de consumo, o que tem gerado forte insatisfação na população.
A mudança na gestão do saneamento ocorreu no dia 5 de janeiro de 2026, quando, por meio de concessão realizada pelo Governo do Estado, a Águas do Pará passou a operar os serviços urbanos, enquanto o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (Saaep) ficou responsável exclusivamente pelo atendimento da zona rural.
Promessas, plano de ação e a realidade nas torneiras
Durante a coletiva de imprensa que marcou o início da operação, a concessionária anunciou um plano emergencial de 100 dias, prometendo combater o rodízio, melhorar a pressão da água e realizar manutenção em poços e reservatórios. Na ocasião, foi informado que cerca de 280 mil pessoas seriam beneficiadas com as primeiras ações.
No entanto, na prática, o que se viu nos dias seguintes foi um aumento significativo nas reclamações por parte da população. Já no dia 12 de janeiro, o Portal Pebinha de Açúcar publicou diversas denúncias de moradores dos bairros Cidade Jardim, Parque dos Carajás, Vale dos Carajás, entre outros, que relataram estar há dias sem abastecimento regular.
Desde então, as queixas não cessaram. Diariamente, chegam à redação relatos de bairros inteiros sem água, muitas vezes por longos períodos, obrigando famílias a recorrerem a caminhões-pipa, armazenamento improvisado ou ajuda de vizinhos.
Cobrança sem fornecimento regular gera revolta
A situação ganhou novos contornos nos últimos dias com o início da entrega das faturas de água aos moradores. Para muitos, a cobrança chegou antes mesmo da regularização do serviço, o que tem causado indignação.
Em redes sociais, multiplicam-se comentários questionando a legalidade e a moralidade da cobrança diante de um serviço considerado, por muitos, instável e insuficiente neste início de operação.
Prefeitura promete fiscalização rigorosa
Desde o início da concessão, o prefeito Aurélio Goiano tem adotado um discurso firme de fiscalização. Mesmo sendo contrário à privatização do serviço, o gestor afirma que o município não se eximirá de cobrar resultados da concessionária.
Em manifestações públicas e postagens nas redes sociais, Aurélio deixou claro que a Prefeitura acompanhará de perto o cumprimento do contrato e que não aceitará que a população seja prejudicada. “O município não vai se calar. O povo está pagando e precisa ter água na torneira. Vamos cobrar respostas e soluções”, afirmou o prefeito em uma das publicações.








