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Unidade Materno Infantil da Susipe em Marabá garante assistência a detentas grávidas

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Até lá, Aureane permanece custodiada na Unidade Materno Infantil (UMI) da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado, um espaço criado para assegurar um tratamento humanizado a detentas grávidas. Marabá tem a segunda UMI prisional do norte do Brasil destinada a acolher exclusivamente mulheres grávidas privadas de liberdade e seus bebês.

Aureane veio para a unidade de Marabá transferida do município de Canaã dos Carajás, onde foi presa junto com o companheiro, acusada de envolvimento com tráfico de drogas. Sem contato com outros familiares, desde o falecimento da mãe, há seis anos, Aureane depende unicamente dos cuidados que recebe no CRF.


Desde que chegou ao presídio, a interna recebe acompanhamento médico semanal e assistência na gestação. “Eu fazia pré-natal antes de vir para cá. Na última ultrassom que fiz, aos cinco meses, vi que estava tudo bem com o neném, mas não consegui descobrir o sexo. Aqui na unidade já estão dando continuidade ao pré-natal, fui para consultas, tomei vacinas que ainda não havia tomado e a nova ultrassom já está marcada”, contou a interna que pretende dar o nome de Rafaela à criança, se for uma menina.

Além das consultas de pré-natal, Aureane também conta com atendimento psicológico e nutricional. Para garantir o desenvolvimento saudável do bebê, a detenta recebe uma alimentação balanceada e diferenciada das demais detentas, rica em ferro e com maior quantidade de proteínas. “Tudo é avaliado, inclusive a alimentação. A dieta desenvolvida especialmente para mulheres gravidas faz parte do acompanhamento assegurado pela Susipe, e inclui as vitaminas e nutrientes necessários, evitando que ela venha a ter problemas com hipertensão, por exemplo”, explicou Morgana Lobo, enfermeira do CRF de Marabá.

Na UMI de Marabá, as detentas grávidas dispõem de alojamento climatizado (com berço e leitos), banheiro, refeitório e sala de amamentação. “Não vou dizer que estar presa esperando um filho é bom, porque não é, mas não tenho o que reclamar do espaço. Tenho tudo o que preciso e se meu bebê nascer aqui acredito que ele vai ter também. Nunca imaginei que encontraria algo assim num presídio, mesmo assim espero que meu processo não demore na Justiça e que eu possa sair logo, porque a saudade que tenho dos meus outros filhos é muito grande”, conta a detenta.

A primeira UMI da Susipe foi inaugurada na Região Metropolitana de Belém, em 2013, para atender detentas custodiadas no Centro de Recuperação Feminino, em Ananindeua. A unidade foi planejada para garantir um ambiente humanizado às detentas durante o período gestacional, e às crianças durante a amamentação. O atendimento é feito 24h, para qualquer emergência. Na UMI, as internas contam com assistência médica integral, feita por uma equipe multidisciplinar, formada por ginecologistas, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, odontólogos e pediatras.

Com as duas Unidades Materno Infantis implantadas no estado, a Susipe atende as recomendações da Política Nacional de Atenção às Mulheres Encarceradas. O espaço garante um convívio mais humanizado entre mães e bebês até o primeiro ano de vida das crianças. “É muito importante para o desenvolvimento do bebê que ele conviva com a mãe nos primeiros meses de vida e receba o aleitamento materno, que é essencial para o seu crescimento saudável, até pelo menos um ano de vida. Por isso, nossa equipe trabalha para o fortalecimento dos laços familiares entre a interna e o filho e garante todo o cuidado na entrega do bebê aos familiares mais próximos, quando este atinge a idade limite para permanência na unidade”, explica a diretora de Assistência Biopsicossocial da Susipe, Ivone Santana.

Agora, Aureane faz planos para voltar a estudar no cárcere. Com Ensino Fundamental incompleto, ela espera encontrar nas aulas dentro do presídio um novo futuro. “Decidi voltar a estudar aqui na unidade. Parei meus estudos na quinta serie do Ensino Fundamental, porque nunca liguei muito pra isso, mas agora percebo que vai ser mais importante do que nunca, não só para o meu futuro, mas também para sentir que estou fazendo algo de útil no tempo que devo passar aqui”, finaliza a detenta.

Reportagem: Timoteo Lopes

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