Vale vai divulgar recorde em Carajás no dia 16 de fevereiro

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No dia 23 de fevereiro, às 7 da manhã (horário de Brasília), a poderosa mineradora multinacional Vale vai divulgar seu resultado financeiro referente ao ano 2016, no qual deverá informar lucro considerável, que lhe servirá para aliviar suas contas e se livrar de algumas dívidas. Neste dia, serão confirmados também os desinvestimentos, que deverão ser bastante agressivos para municípios como Parauapebas.

Ainda assim, o dia mais importante, ao menos para nós, será 16 de fevereiro, uma semana antes, ocasião em que a empresa vai anunciar sua produção física total de minérios, com destaque para a produção de ferro do complexo do Sistema Norte (que compreende as minas de Serra Norte, no município de Parauapebas; Serra Leste, no município de Curionópolis; e Serra Sul, no município de Canaã dos Carajás, esta última sem produção comercial ano passado).


A Vale bateu recorde de produção física, como a reportagem já havia antecipado, e sua produção total na região de Carajás ficou na casa de 142 milhões de toneladas de minério de ferro, a maior parte (137 milhões) saída de Parauapebas. Será apresentada, ainda, a produção de cobre de Sossego (em Canaã dos Carajás), de Salobo (em Marabá) e de manganês da mina do Azul (em Parauapebas).

Em nível empresarial, para a Vale, seus números, além de colossais, são financeiramente magníficos. Mais extração, mais lucro. Para municípios como Parauapebas, porém, acende o sinal de alerta. Isso porque em abril deste ano a empresa vai entregar seu formulário operacional, uma espécie de memorial descritivo das ações que mantém mundo afora, à Bolsa de Valores de Nova Iorque, caladinha, longe do Brasil, e nesse documento as previsões da empresa para a exaustão das jazidas localizadas em Parauapebas caem um ano em relação ao que se era sabido. Mais extração, menos vida útil.

Vale lembrar que, diferentemente do que o conhecimento popular divulga por aí, de haver mais minérios não explorados no município de Parauapebas, inclusive ferro, empresas do porte da Vale trabalham com algo chamado viabilidade econômica, e é exatamente por isso que outros projetos até anunciados com pompa e circunstância no passado nunca saíram no papel. A mineradora não é boba e quer focar suas operações no minério de ferro, que é o que lhe dá retorno imediato e o que é demandado em maior quantidade pelo globo.

Sobre o ferro de Parauapebas, especificamente, a Vale tem seus estudos de prospecção e sondagem que mediram e provaram os demais “enes” no município (já foram abertas as cavas de N4 e N5; faltam explorar N1, N2, N3, N6, N7, N8 e N9) e todos esses corpos não explorados comercialmente têm, juntos, um volume de minério tão irrisório que, considerando-se a fome da Vale pelo minério do município em 2016, em apenas cinco anos a multinacional levaria o ferro, a flora, os animais — inclusive os racionais — e até a alma de Parauapebas.

O debate produtivo da mineradora não é para leigo ou amador que pensa haver minério para 400 anos. Só lamento.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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