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‘Vestibular’ para a Câmara tem quase 20 candidatos por vaga

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Se o cargo de vereador fosse um curso, para cujo ingresso se fizesse necessário um vestibular, seria a seleção mais disputada de Parauapebas em 2016. É que, dos cursos universitários que começaram este ano, por exemplo, nenhum atingiu a relação de 19,6 candidatos por vaga, que é a demanda atual para acesso à Câmara de Vereadores do município. Há 294 candidatos aptos a brigar pela preferência do eleitorado a fim de ocuparem apenas 15 cadeiras do Legislativo, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O salário de um vereador em Parauapebas, para muitos, não é atrativo. São “somente” R$ 11.141,53 – cinco vezes mais que o piso nacional de um professor, o qual, aliás, muitas prefeituras sequer têm condições de pagar; ou mais de 12 vezes o salário mínimo, com o qual muitas famílias, compostas por várias pessoas, passam o mês, sem choro nem vela.
Em Parauapebas, tem candidato empresário que fatura, mensalmente, muito mais ficando em casa, “enfiando bufa no cordão”, como diria um popular ditado nordestino. Fora algumas regalias e prerrogativas, é o poder que fascina muitos desses candidatos, mesmo aqueles que juram, de pés juntos, que sua intenção é meramente puritana e filantrópica, caso venham a conquistar uma vaga.

COBIÇADA


A polêmica e devassa Câmara de Parauapebas, palco de diversos barracos na mídia na atual legislatura, está muito além do que qualquer recinto entre quatro paredes perdido no mapa. Em 2015, de acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional, foi o 37º Legislativo municipal mais influente, em termos de receita.
Com R$ 37,09 milhões para gastar à vontade em 365 dias, a Câmara de Parauapebas bateu câmaras de vereadores muito mais importantes no Brasil, como das capitais Palmas (TO), Boa Vista (RR), Porto Velho (RO), Vitória (ES), Macapá (AP) e Rio Branco (AC); e de municípios imensamente mais populosos e dinâmicos, como Guarulhos (SP), Joinville (SC), Londrina (PR), Olinda (PE), Feira de Santana (BA) e Campina Grande (PB), entre outros.
Como a verba que abastece as câmaras é dinheiro público, o gasto com o Legislativo de Parauapebas ano passado foi equivalente a tirar 53 centavos todos os dias de cada um dos habitantes do município. Ou seja, diariamente, ainda que de maneira involuntária, cada parauapebense arca com pouco mais de 50 centavos para tornar a Câmara local cada vez mais rica e imponente – ainda que sua operacionalidade não se reflita nos números financeiros.

SALÁRIO É ‘POUCO’?
Com fortuna de R$ 5 milhões, duas ricaças disputam salário de R$ 11 mil

No listão dos candidatos aptos a participar do “seletivo” no dia 2 de outubro, data em que ocorrerão as eleições municipais, tem de tudo quando o assunto é “perfil”. São 204 homens e 90 mulheres concentrados em garantir do eleitor sua maior arma e mais valiosa moeda de troca: o voto.
De todos os candidatos, morenos e solteiros são a maioria dos aspirantes a representantes do povo. No geral, 81 têm diploma de faculdade na parede de casa, o que mostra que 27,5% têm alguma qualificação para representar a comunidade. Dois candidatos a vereador leem e escrevem apenas o próprio nome. A faixa etária dos 35 aos 55 anos é a que concentra a maior parte dos candidatos – mais de 70% deles. E apenas um “vestibulando” da Câmara acabou de se tornar maior de idade.
Esse perfil brasileiramente “alinhado” toma conta das ruas, com santinhos de todas as cores e com múltiplos rostos. É nesta – e, no mais das vezes, somente nesta – época em que o candidato bota a cara no sol, na poeira e anda em ruas de chão batido; aperta a mão do trabalhador braçal suado com entusiasmo; dá tapinha nas costas de “amizade”, ouvindo atentamente problemas; e distribui sorrisos para, logo mais, esquecer-se de por onde andou antes de ser (se for) eleito.

TIPOLOGIA

Entre os aspirantes às vagas da Câmara de Parauapebas, o maior batalhão é de professores: 36 ao todo, do ensino fundamental ao superior. Só o atual quadro de vereadores tem três, que tentam permanecer. Comerciantes, com 26 candidatos, e empresários, com 22 nomes, também são ocupações com considerável número de representantes.
O mais curioso das candidaturas é, entre outros pontos, o patrimônio declarado pelos concorrentes. No topo da lista, estão duas candidatas, uma com fortuna de R$ 4,9 milhões e outra com bens avaliados em R$ 5,4 milhões. Em média, uma fortuna de R$ 5 milhões aplicada em fundos de investimento rende muito mais por mês que o salário de um vereador em Parauapebas. Não obstante essa dinheirama toda, 79 candidatos não declararam bens.
Uma magia misteriosa em Parauapebas leva centenas de candidatos, inclusive damas ricaças, a correrem atrás de um sonho “mais pobre” e um salário com um qual um cristão qualquer (sobretudo um pobre mortal vereador) “não dá para sobreviver”, conforme indica uma velha anedota popular dos anais da política local. Que magia será essa?

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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