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Violência sem freio: Marabá cai e Parauapebas sobe no ranking mortal

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Ele voltou e está mais sanguinário que nunca. O Mapa da Violência 2013, elaborado pelo renomado sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, saiu esta madrugada e traz números assustadores sobre os assassinatos no país em 2011, ano para o qual são disponibilizadas as informações mais recentes sobre mortes violentas do Ministério da Saúde. Na versão “Homicídios e Juventude no Brasil”, o documento principal, de 94 páginas, revela também dados preocupantes sobre a violência no Pará.

Como era de se esperar, pouca coisa mudou nas principais cidades do Estado, que continuam a ser vítimas da violência bestial que se espalha a passos largos e a taxas vis.
Marabá, sempre acostumado a figurar entre os municípios mais violentos do país, continua rebelde, mas caiu da terceira colocação nacional para a 11ª. A maior e mais movimentada cidade do sudeste paraense também perdeu o cetro de mais violenta do Pará para Marituba e Ananindeua, ambas localizadas na Região Metropolitana de Belém. Ananindeua, aliás, é o segundo município mais populoso do Estado e ocupa, agora, a posição nacional antes pertencida a Marabá: a inglória terceira colocação.


Entretanto, que ninguém se iluda: em Marabá, uma pessoa é assassinada a cada grupo de mil. Entre os jovens, então, a violência é mais agressiva: um é morto a cada grupo de 545. O “Tigre da Amazônia” é o terceiro município mais sanguinolento do Estado para a população jovem, com idade entre 15 e 24 anos, e o 21º do Brasil.
Ainda assim, poucos municípios paraenses e brasileiros tiveram a ganância de Parauapebas na escalada dos homicídios. O segundo município mais rico do Estado dá uma senhora aula de que dinheiro não é tudo: acaba de rolar da 21ª colocação no ranking paraense da violência para a décima posição. Em 2010, foram registrados 81 homicídios em Parauapebas, número que subiu a 97 um ano depois, o que significa enxerto de 19,75% na já avassaladora criminalidade – proporcionalmente, o maior crescimento do Pará.

Os assassinatos de Parauapebas, somados, conferem uma média de 533 litros de sangue derramados, o suficiente para pintar de vermelho a frente da prefeitura municipal, a mesma que, entre 1997 e 2012, montou em mais de R$ 1 bilhão de royalties de mineração e, mesmo assim, foi incompetente para resolver problemas que eram micro e se tornaram megacrônicos, como a violência urbana.
Está em Parauapebas, também, a maior expansão de homicídios entre jovens. Agora, o rico município se eleva à categoria do décimo pior para cerca de 40 mil rapazes e moças com idade entre 15 e 24 anos. Na “Capital do Minério”, a probabilidade de um jovem ser eliminado a tiro ou facada no meio da rua ou em casa é 25% superior ao mesmo evento ocorrer caso esse jovem estivesse no Iraque, um dos países mais violentos do mundo e o de mais alta taxa de mortes por conflito armado. Em Parauapebas, a juventude está condenada a perder um membro em cada reunião de 1.006 indivíduos, teoricamente. Todo cuidado é muito pouco ao andar nas duas maiores cidades do sudeste paraense.

É GERAL
A violência no Estado corre livre, leve, solta; sem barreiras, sem trégua, sem lei. Na escalada dos homicídios, o Pará pulou de 955 assassinatos em 2001 para 3.078 em 2011, um verdadeiro salto para eternidade de 222,3%. E já havia sido pior em 2010, quando o Estado chegara a 3.540 pessoas liquidadas violentamente. A taxa de crescimento da violência no Pará só perde para a da Bahia (245,2%), da Paraíba (230,4%) e do Rio
Grande do Norte (229,7%).
Por outro lado, Belém, que já foi considerada uma das capitais mais violentas do país, vive tempos de razoável calmaria, visto que, no Mapa da Violência 2013, sua taxa de homicídios recuou em relação aos mapas anteriores. Porém, de cada 10 mil beleneses em 2011, quatro foram eliminados para sempre, no jogo da vida. Para os jovens, a situação é ainda mais escabrosa: a capital paraense é a nona mais “esquentada”. Em cada grupo de 970 jovens, um foi tirado de circulação. E, repare, ela está deixando de ser violenta. Avalie se não estivesse.
O Brasil é o sétimo país do mundo com mais elevada taxa de homicídios e também o sétimo em taxa de assassinato de jovens.

Reportagem: André Santos

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