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Agricultura de Parauapebas é a mais cara do Brasil e menos produtiva

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É mistério o porquê de Parauapebas assistir ao encolhimento de sua quarta mais preciosa e saborosa fonte de renda e grande protagonista por colocar o alimento na mesa dos cidadãos. O investimento da prefeitura na pasta da agricultura em 2015, declarado ao Portal da Transparência, foi arrochado para R$ 17,76 milhões (após ter sido de R$ 29,56 milhões em 2014) como se a produção campesina não fosse prioridade.

Por isso, apenas no Pará, Parauapebas – que já foi uma das maiores potências do campo – passou da 16ª colocação entre os de maior produção agrícola para 24ª colocação. Municípios bem menores, e com receita anual inferior ao orçamento destinado à agricultura local, são bem mais produtivos, como Floresta do Araguaia, maior produtor de receitas no campo em se tratando de culturas temporárias, e Belterra, nona potência agrícola do Estado.
Mantido o ritmo, e se nada for feito, em uma década e meia Parauapebas poderá se transformar no município paraense com a produção agrícola mais fraca do Pará, considerando-se o fato que nenhum lugar do Estado, na pesquisa, faliu tanto.


DADOS DE 2015

Ao cruzar os dados de produção do IBGE com os do Portal da Transparência, e reforçá-los com os números da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), todos referentes ao ano de 2015, é possível perceber que a agricultura de Parauapebas é a mais cara e uma das mais tacanhas do Brasil – e não é por falta de investimento. Em 2015, de acordo com o STN, Parauapebas foi o município brasileiro que mais gastou com a pasta: quase R$ 18 milhões injetados. O segundo colocado do ranking, São Carlos (SP), gastou dois milhões a menos, tem área de cultivo imensamente menor que a de Parauapebas e, ainda assim, gerou receita duas vezes maior.
Ocorre que, apesar dessa montanha de dinheiro lançada à agricultura local, Parauapebas é o octingentésimo sexagésimo quarto em produtividade – isso mesmo: o de número 864 entre os 5.570 municípios do Brasil.
É verdade que a vocação econômica de Parauapebas está longe de ser a agricultura. Mas é verdade, também, que ser o primeiro do país em gastos no setor e, ao mesmo tempo, quase o milésimo em produtividade é vergonhoso. É o mesmo que financiar pragas para destruir lavouras.

SURRA DE EXEMPLO

Um bom exemplo de produtividade na agricultura é o pequeno município baiano de São Desidério. Lá, que é o maior produtor agrícola do Brasil e tem o algodão herbáceo como carro-chefe, a prefeitura investe apenas R$ 1,6 milhão na agricultura (379º maior aplicação). O resto dos investimentos vem por meio de parcerias com empresas, que enxergam no município de apenas 33 mil habitantes um celeiro de boas oportunidades no campo. A agricultura sozinha de São Desidério movimentou R$ 2,84 bilhões em 2015, sem precisar de muitos milhões, de planos exagerados ou pirotecnia, apenas com valorização do homem do campo e das condições de acesso pelas vias rurais, somados a uma boa pitada de empreendedorismo.

Longe dessa realidade, Parauapebas (que gasta quase 400 vezes mais e tem saldo 27 vezes menor que São Desidério) vai perdendo a oportunidade de fazer do campo sua galinha dos ovos de ouro frente a um futuro de incertezas. As ações do presente, mais cedo ou mais tarde, vão cobrar a fatura que é programada.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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