Confirmados
27.650
Recuperados
18.995
Óbitos
190

 Publicidade

Após um ano e meio, vendas do minério de Parauapebas batem recorde

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) ainda não divulgou os dados da Balança Comercial por município do mês de maio, mas, ajuntando alguns cacos, é possível antecipar os números que devem sair amanhã referentes a Parauapebas.

A extração de minério da Serra Norte, porção da província de Carajás situada nos domínios parauapebenses, foi de 12,05 milhões de toneladas (Mt), a maior produção física registrada este ano até o momento. Isso gerou à mineradora multinacional Vale, quem lavra o minério de ferro de Parauapebas, 463 milhões de dólares. É a maior quantia exportada por aqui desde 2015.


Em maio, o peso da “Capital do Minério” nas exportações paraenses foi de 50% (em minérios de ferro e manganês), o que mostra o gigantismo do município para a economia do Estado, mesmo em cenário de crise desafiador. No comparativo com maio do ano passado, quando foram exportados 229 milhões de dólares, o mês que se encerrou anteontem foi 102% melhor.

Indiscutivelmente carregando uma banda do Pará nas costas, em termos de exportações, Parauapebas vai ganhar um bom aumento na mesada de royalties em julho (cerca de R$ 20 milhões), quando será paga a lavra do mês de maio. A média mensal deste ano está em R$ 15,34 milhões. Por força de lei, contudo, a utilização dos royalties é vedada para algumas finalidades, entre as quais o pagamento de dívidas e o pagamento de salário de servidores.

PREOCUPAÇÃO
Vale aguenta preço baixo. Mas e Parauapebas, será que aguenta?

No mês em que comemorou seu aniversário de 28 anos de emancipação, Parauapebas teve exportação digna de seus tempos áureos, registrados em 2011, 2012 e 2013. A quantidade recorde de minério extraído pela Vale foi, sem dúvidas, o fiel nessa balança. Mas nem tudo são flores.

Analistas de commodities do banco BTG Pactual divulgaram relatório com previsões nada animadoras para o minério de ferro, único cartão de visitas de Parauapebas lá fora. O preço do minério começa a despencar – este ano, a tonelada do produto chegou a 68,70 dólares – e nesta quinta-feira (2) era cotado a 48,18 dólares, 20 dólares mais barato. Com o preço do minério em baixa, e o dólar também baixando, as exportações devem retomar ao patamar de fiasco ou ao fundo do poço, atingido em maio e agosto do ano passado e em janeiro deste ano. Por tabela, diante de exportações mais magras, cai também a arrecadação de royalties, que são recebidos em moeda brasileira, não em dólar.

Para os analistas do Pactual, no segundo semestre deste ano, a pressão sobre o preço do minério de ferro será muito elevada, e um dos motivos foi parido de Parauapebas mesmo: Canaã dos Carajás. É lá que, a partir de novembro, vai entrar em operação o maior projeto da indústria extrativa mineral, o S11D.
Além de S11D, vai entrar em produção o projeto Roy Hill, na Austrália. Com mais minério em oferta, o preço cai, pressionado também pelo arrefecimento do mercado de aço na China, maior consumidora de minério do globo.

TEMPOS MAIS DUROS’

Há quem ache pessimismo nos dados do BTG Pactual, que praticamente não tem errado em suas previsões para a commodity nos últimos dois anos, desde que o preço do minério com 62% de pureza começou a cair. A própria Vale, em maio, declarou durante conferência para investidores, que “temos que nos preparar para períodos mais duros”, prevendo que os preços devam voltar a despencar, diante da volatilidade do mercado.

A montanha-russa do minério é tamanha que, em abril, o preço quase tocou 70 dólares, mas três meses antes havia chegado à mínima de 38 dólares. Hoje, quase dois meses depois de estar no alto, chega a 48 dólares com perspectiva de cair mais.

Do ponto de vista empresarial, a Vale é uma companhia sólida cujos custos por tonelada tornaram-na uma das produtoras mais baratas. Evidentemente, ela está preparada para competir em qualquer nível de valor porque sempre estará do lado esquerdo da curva de preços do minério de ferro.

Do ponto de vista social, contudo, os retornos financeiros pela produção em Parauapebas podem cair de mínimos para extremamente pífios, mesmo a Vale aguentando o rojão. No final das constas, o município sempre perde, visto que fica sem minério, que vai embora de trem e navio para a China, e sem eira nem beira, já que os milhões que entram em sua conta são “insuficientes” para a promoção do desenvolvimento social em nível local.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

Publicidade

Veja
Também