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Canaã dos Carajás bate triste recorde histórico de desemprego

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Município algum do interior do Pará jamais conseguiu a façanha de Canaã do Carajás em um único mês, desde que o Caged foi criado, em 1965: desempregar tanta gente de uma vez só. É isso o que se viu em Canaã em outubro. Foi de arrepiar.

A “Terra Prometida”, que tem a quinta maior economia do Pará, despejou nas ruas absurdos 1.656 trabalhadores — quase tudo o que Marabá demitiu em dez meses deste ano; e Marabá tem sete vezes mais habitantes que Canaã. No acumulado de 2016, é o 42º município brasileiro que mais demite, com 4.731 trabalhadores desempregos a mais a vagar. Nem mesmo uma capital com mais de um milhão de habitantes, como São Luís (MA), demitiu tanto.


Esse verdadeiro bota-fora de trabalhadores é consequência do mesmo motivo que os empregou outrora: o projeto S11D, da mineradora multinacional Vale. Acontece que as obras civis do empreendimento estão chegando ao fim, e é natural que os trabalhadores sejam desligados. Na verdade, todos os que estão saindo já sabiam que o projeto teria começo e fim — mais fim que começo, aliás.

O que causa espanto é o volume alto para o mês, um recorde muito ruim que certamente nenhum outro município paraense vai atrever-se a superar. E o pior: não vai parar por aí. Ainda há milhares de trabalhadores “sobreviventes” ao S11D que vão “pegar a quita” nos próximos capítulos da novela dramática das demissões.

Portanto, qualquer candidato a emprego atento que se preze jamais irá procurar no momento vaga de servente de obras, que só em outubro cortou impressionantes 308 postos, ou motorista de caminhão, que demitiu 108 pessoas em Canaã. Também não há vagas, de jeito algum, para eletricista, conservador de trilhos de trem, mestre de obras, pedreiro, carpinteiro, apontador, motorista de guincho, montador de estrutura metálica, montador de máquinas e soldador.

Mas se, por um lado, falta emprego em Canaã dos Carajás por conta das demissões em S11D, por outro, a prefeitura em breve vai disparar seu recolhimento de royalties de mineração com a operação do projeto, que deve render muitos milhões ao governo municipal quando atingir a carga plena nos próximos anos. O mistério é saber se os royalties serão revertidos em desenvolvimento social e geração de emprego e renda, para beneficiar os trabalhadores e criar condições para que a economia local não seja dependente da mineração.
Se seguir o mau exemplo de quem lhe pariu, Canaã poderá se sufocar com a empáfia de sua prefeitura, estribada, perdida e escrava de muito dinheiro. Que isso não aconteça, para o bem de sua população.

Leia mais: Desemprego dispara e arrebenta cidades da região de Carajás

Reportagem: André Santos / Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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