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COCÔNARÉ: Praia do Tucunaré é afogada pela imundície de banhistas sebosos

Marabá, em cuja área urbana residem 200 mil habitantes, pouco difere de Parauapebas. Lá, a falta de consciência ecológica arrasa o principal e mais movimentado balneário da região sudeste, a Praia do Tucunaré. Conhecida por atrair pessoas até de outros estados, a bela praia, que é vizinha dois quilômetros à frente da Orla do Rio Tocantins (e talvez este tenha sido seu pecado original), torna-se palco de um dos maiores receptáculos da imundície humana nos meses de junho, julho e agosto. É o verão dos sebosos.

O homem – que não se contenta em apenas tomar banho – precisa afogar o santuário com latinhas de cerveja, garrafas pet, papéis, plásticos, embalagens diversas, sacos, paus, comida, xixi e cocô. Não por acaso, a praia recebe o ingrato apelido de “Cocônaré”, título simbólico que deveria representar estado de vergonha àqueles banhistas que, ao passo que defecam no santuário, se lavam com a mesma água que acabaram de sujar.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) denuncia os ataques ambientais que são verificados em Marabá, especialmente contra a Praia do Tucunaré, no documento “Perspectiva para o Meio Ambiente Urbano – Geo Marabá”. De acordo com o Pnuma, a Praia do Tucunaré é pressionada pelo grande contingente de pessoas que chegam a Marabá, notadamente em julho, para rever amigos e parentes, e vão desfrutar do balneário. Porém, isso custa caro ao santuário, que passa a receber elevado volume de efluentes líquidos e resíduos sólidos, agravando o estado do meio ambiente ao causar impactos nos recursos hídricos e na própria saúde da população, que entra em contato com a água do Rio Tocantins.

ESGOTO ‘A RIO ABERTO’
E a problemática não se resume a isso. Do lado de lá da praia, na parte da Velha Marabá, o pouco esgotamento sanitário que há na cidade jorra livre, leve, solto e louco nas águas do maior rio da região. É despejado sem qualquer pudor, no mais claro e ordinário modelo do “toma, que o filho é teu”.

Em Marabá não existe sistema público de saneamento. Para piorar a situação, a opção histórica de fossas negras, em vez de sépticas, acarreta a criação de focos de transmissão de doenças de veiculação hídrica por insetos. Os efluentes – não tratados, assim como as águas servidas – são lançados nas sarjetas, nas galerias de águas pluviais ou em riachos e rios.

Na sede urbana, a rede de galerias de águas pluviais existe para apenas parcela reduzida da área comercial. Contudo, tem como destino certo (e incorreto) os rios Tocantins e Itacaiúnas, o que inevitavelmente os polui. Segundo o Pnuma, o Rio Itacaiúnas, no perímetro urbano de Marabá, está ainda mais poluído que o Tocantins, uma vez que tem porte menor e recebe a pressão de sujeira dos dois maiores núcleos urbanos, a Nova Marabá e a Cidade Nova.
As águas destes rios, por sua vez, poluem o solo durante as enchentes, bem como a imundície invade as casas de quem as produziu e atinge os poços de captação de água. Em Marabá, no inverno, parte da população recebe em domicílio a visita da seboseira que mal descartou no passado. É a vingança da natureza.

Reportagem: André Santos

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