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Coluna do Lima Rodrigues – 7 de novembro de 2019

Paragominas discute pecuária de corte em Simpósio

Paragominas, que já foi chamada de “Capital do Boi Gordo”, lá na década de 60, passou por vários ciclos econômicos e a pecuária extensiva teve seu tempo áureo, assim como a madeira. A cidade deu adeus as atividades extrativistas e, desde 2008, experimenta uma produção focada em resultado e sustentabilidade. Foi assim, com o aumento da agricultura em áreas já antropizadas e, a pecuária leiteira e de corte, responsáveis por uma fatia considerável da geração de riqueza no município e região, que a cidade passou a experimentar uma economia equilibrada.


Para discutir novidades na produção bovina, o Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas realizou ontem (6) e hoje (7), o 1º Simpósio Nacional de Pecuária de Corte. Profissionais de renome nacional, tais como: Moacyr Corsi, Júlio César Salton, Diede Loureiro, Luciano Penteado, Julio Cesar Silva, Danilo Sathler, Maurício Palma Nogueira e Guilherme Reis, todos profissionais da área reconhecidos por suas atuações no mercado da carne.

1.197.640 cabeças de gado

Hoje, segundo dados da Pesquisa da Pecuária do IBGE, a cidade conta com um rebanho de 1.197.640 cabeças, para atender vários mercados. O que o Simpósio se propõe a discutir, é a pecuária de corte não só na região nordeste paraense, mas do Pará como um todo, já que o Estado é o 5º lugar no ranking nacional de rebanho de bovinos, segundo pesquisa realizada pelo IBGE e divulgada mês passado.

Segundo um dos palestrantes, Luciano Penteado, médico veterinário e consultor especializado em planejamento e execução de projetos reprodutivos e de sistema de produção, Paragominas desponta no Estado pelo crescimento da produtividade que está intimamente ligada ao aumento do uso de tecnologias.

“Para o produtor ter um retorno econômico e viabilidade dentro da sua propriedade, precisa implementar várias tecnologias pensando em um sistema de produção tecnológico, que faça com que ele aumente sua produção por hectare. Principalmente em regiões onde a agricultura está presente, podendo depois promover a integração. Quando isso acontece, os resultados são infinitamente melhores porque você consegue produzir uma nutrição para esses animais na época da seca. A consorciação traz benefício para pecuária e para agricultura”, explica Luciano. “Mesmo Paragominas não sendo uma região que se destaque em quantidade de gado, ela se torna uma região altamente tecnológica e produtiva”, disse ele.

Pecuária Sustentável

Importante destacar que, a cidade tem um vasto trabalho voltado para pecuária sustentável, o que também será levantado e discutido durante os dias de evento. Ainda de acordo com Luciano, a produtividade e a sustentabilidade caminham juntas. “Aliás, a pecuária só vai competir com a agricultura e outras atividades se ela aumentar sua taxa de lotação, se trabalhar com número maior de animais por hectare. Senão, ela não conseguirá ser economicamente viável e é a tecnologia que faz ela ser. Paralelamente, como precisamos aumentar mais sua produtividade por hectare, então você precisa de menos hectare para produzir. Isso dá uma sinergia grande ao tema de sustentabilidade. E o Simpósio vai mostrar isso muito bem isso”, finaliza.

Luciano Penteado

Médico Veterinário graduado em 1994 pela Universidade de Marília – SP. Proprietário da empresa Firmasa Tecnologia para Pecuária, especializada em Biotecnologias da Reprodução e Produção Bovina. Membro do grupo de pesquisa científica a campo do Prof. Pietro Barusseli da Universidade de São Paulo – USP, com mais de 50 trabalhos científicos publicados. Responsável pelo planejamento e execução de projetos reprodutivos e produtivos em diversas propriedades e rebanhos de Bovinos de Corte no Brasil e outros países.

Recria e engorda

Temas como lucratividade, recria e engorda, intensificação de pastagens e oportunidades de crescimento também serão pautas nas arenas. Aliás, a novidade é o modelo de arena, com uma dinâmica diferenciada. O evento terá 8 arenas, onde serão abordados temas que envolvem todo o sistema produtivo da cadeia da carne.
Além disso serão apresentados cases de Paragominas e região, para que os produtores presentes possam identificar boas práticas que levam a uma maior eficiência produtiva e consequentemente maior rentabilidade. “Tecnologias e inovações poderão ser discutidas por pecuaristas não só de Paragominas, mas de todo o Brasil. O que estamos trazendo para esses dois dias é o que há de mais novo e melhor no mercado. Como já havia anunciado, o objetivo é realizar dois eventos anuais: um voltado para pecuária e outro, para agricultura.” disse o presidente do SPRP, Murilo Zancaner.

Palestrantes

O 1º Simpósio Nacional de Pecuária de Corte – Agropec Corte está investindo pesado em nomes reconhecidos nacionalmente para oferecer aos participantes do evento, uma experiência valiosa quanto à atualização do uso de novas tecnologias e métodos que tragam maior produtividade para as fazendas.

A realização do evento é do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas (SPRP) junto com a Verum, uma empresa organizadora de eventos na área do agronegócio, com sede em São Paulo, comandada pela empresária Carla Tuccilio. (Com informações da Assessoria de Imprensa do SPRP).

Conexão Rural

A equipe do Conexão Rural está em Paragominas a convite da Verum, com o apoio da prefeitura municipal. Os detalhes sobre o 1º Simpósio Nacional de Pecuária de Corte – Agropec Corte estarão em breve no nosso programa, que é veiculado pela Rede TV de Parauapebas (PA) todo domingo às 9h30 e pelo site do jornal O Progresso, de Imperatriz (MA) e o site O Nortão, de Porto Velho (RO), além das nossas redes sociais.
Teor de gordura da carne de búfalo é quase 50% inferior ao da bovina

Estudos desenvolvidos por duas unidades de pesquisa da Embrapa no Rio Grande do Sul, Pecuária Sul e Clima Temperado, estão mostrando que a carne de búfalo é quase 50% mais magra do que a bovina. Foram analisadas as qualidades físico-químicas das carnes de 50 animais da raça Murrah, que, com a Mediterrânea, integra a lista das mais utilizadas por criadores de búfalos no Brasil.

Preliminarmente, os estudos demonstram que a média de gordura da carne bubalina é de apenas 1,29%, enquanto a da bovina de alimentados a pasto é de 2,25%. Esse resultado pode contribuir para ampliar e diversificar o mercado de produtos bubalinos no País, hoje muito mais focado no leite, cujo crescimento é superior a 20% ao ano.

Os estudos revelaram também que o rendimento de carcaça dos bubalinos é semelhante ao dos bovinos (47,7%). A pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Élen Nalério explica que desde 2016 estão sendo avaliadas carcaças de animais abatidos com 27 meses. As amostras de carne coletadas vêm sendo examinadas no laboratório de Ciência e Tecnologia de Carnes da Embrapa Pecuária Sul.

Segundo ela, os níveis de colesterol estão em fase de avaliação. “Estamos otimistas com os dados preliminares, que se apresentam bem positivos. Nosso intuito é, ao fim, fazer uma qualificação nutricional das carnes de búfalos, o que pode ser um atrativo a mais para o consumidor que busca alimentos com baixos teores de gordura”, afirma.

Já no quesito maciez, que se baseia em testes de cisalhamento da fibra muscular, a carne não foi considerada muito macia. “Esse dado provavelmente se deve à idade avançada dos animais, que possuíam mais de 27 meses. Acreditamos que, em se tratando de novilhos, com cerca de 18 meses, a maciez seria maior, o que iremos avaliar também”, completa.

Seleção e melhoramento

O trabalho realizado na Região Sul faz parte de um projeto intitulado “Análises genéticas para a seleção de búfalos (Bubalus bubalis) para leite e carne”, liderado pela Embrapa Amazônia Oriental (PA). Além da análise sensorial e físico-química da carne, a pesquisa também busca auxiliar o produtor a melhorar a genética dos animais por meio de seleção.

Entre as principais características buscadas estão, por enquanto, aquelas ligadas ao crescimento. Também está sendo realizada a avaliação genética de carcaças por meio de ultrassom para viabilizar a seleção de animais melhoradores.

No caso do leite, o melhoramento leva em conta dados de produção e avaliações da qualidade do produto. As coletas são realizadas pela Embrapa Clima Temperado a cada 28 dias, desde 2012, com o propósito de analisar a composição química do leite (gordura, proteína, lactose, sólidos totais); efetuar a contagem das células somáticas (CCS) e a contagem-padrão em placas; avaliar a instabilidade do leite pelo teste do álcool; a acidez, pelo método de Dornic; e a densidade.

Na segunda fase do projeto, as avaliações apontaram melhora no peso do leite, com aumento dos níveis de gordura. A quantidade variou de 5% a 6%, em comparação a 3% no leite de vaca. A gordura do leite, além de apresentar características importantes à alimentação, também tem papel relevante na indústria.

Números do rebanho

Segundo dados de 2017 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Rio Grande do Sul possui um rebanho bubalino em torno de 58 mil cabeças, em comparação aos 13,2 milhões de bovinos criados no estado. De acordo com os dados, no Brasil há mais de 1,3 milhão de búfalos e mais de 217 milhões de bovinos. O estado do Pará concentra o maior rebanho de bubalinos, com mais de 500 mil cabeças.

Preço do leite chega a ser o dobro do de vaca

Em relação à produção, a média anual obtida por búfala gira em torno de cinco litros por dia, para uma ordenha diária, e em oito litros diários para duas ordenhas. Apesar de inferior à produção bovina, de 15 litros por dia em média, o leite de búfala é mais bem remunerado – o preço pago pela indústria pode chegar ao dobro do preço do leite de vaca – e seus derivados têm maior valor agregado.

Além disso, o leite de búfala também rende mais no processamento. “Em comparação ao leite bovino, apresenta um rendimento superior que pode chegar a 50%, principalmente na elaboração de queijos, como o muçarela”, explica a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado Maria Cecilia Damé, responsável pelo trabalho.
Os resultados também vêm mostrando uma melhora na qualidade do leite, à medida que problemas são identificados e sanados. É o caso da instabilidade ao teste do álcool, que ocorre por problemas nutricionais e mastite, geralmente em função de ordenhadeira mal regulada.

Em termos de composição, os níveis de proteína do leite de búfala vão de 4% a 4,4%; de lactose, de 4% a 5%; e de sólidos totais, de 16% a 17%. Essas informações, tanto da produção e qualidade do leite quanto da carne, estão abastecendo um banco de dados que, após avaliação, permitirá identificar os animais de linhagens mais produtivas para corte e para leite.

O principal problema identificado em relação à sanidade do rebanho é a alta mortalidade dos terneiros, que chega a 20% devido a parasitas gastrointestinais. O controle, segundo a pesquisadora Maria Cecilia, deve ser feito com aplicação de antiparasitários, baseado em exames mensais de fezes.

“No abatedouro, entra bubalino e sai bovino”

No Brasil, há ainda um grande problema: a falta de identificação da carne de búfalo, que geralmente não é comercializada com rótulo de carne bubalina. “No abatedouro, muitos dos animais entram búfalos e saem bovinos, com algumas raras exceções. Ou seja, muita gente já comeu carne de búfalo, achando que é de bovino. Essa falta de definição fragiliza a cadeia, não proporcionando pagamento justo por qualidade, que poderia ser bonificada ao produtor e aproveitada pelos consumidores”, aponta Nalério.

No Rio Grande do Sul, onde o consumo de carnes é bem significativo, grande parte dos produtores de búfalos vê boas perspectivas para o mercado da carne bubalina. “O búfalo caminha em direção ao leite no Brasil. Porém, no Rio Grande do Sul se fez um esforço para o consumo de carne. Só que isso exige um mercado forte”, analisa Delfino Beck Barbosa, ex-presidente da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu).

(Fonte: Agência Embrapa de Notícias. Release enviado para este colunista via e-mail).

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