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Em Parauapebas, 51 cabeças de engenheiro de minas rolaram ano passado

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O Rio de Janeiro, segunda maior economia do Brasil, foi também o segundo estado em número de demissões totais de engenheiros de minas (155), atrás apenas do anfitrião, Minas Gerais (180) no ano passado. O Rio, porém, leva o cetro de destaque negativo por possuir o pior saldo negativo do país, com 140 postos de trabalhos encerrados, no balanço entre quem arranjou emprego e quem foi demitido. É a pior tragédia para os engenheiros de minas na história do Estado. Lá, assim como no resto do Brasil, engenheiros dos ramos de pesquisa mineral, planejamento e projetos não têm vez: estão sendo demitidos aos montes. Para agravar a situação fluminense, projetos envolvidos em esquema colossal de corrupção foram parados, empresas fecharam as portas e o ramo petrolífero, outro grande empregador de engenheiros, já não é mais o ouro negro reluzente.

Em segundo lugar, Minas Gerais até se comportou em relação a 2015. Mesmo assim, o saldo negativo do ano foi de quase uma centena (exatamente 94), e o maior problema é que o salário inicial de contratação está caindo. Antes, havia engenheiro lá faturando R$ 30 mil na carteira. Agora, não passa de R$ 15.839, valor que, em nível de Brasil e em tempos de desemprego, pode parecer muito, mas nem de muito longe justifica o peso de título de doutor em lavra e a pressão por produção imposta pelas empresas privadas. A desmobilização de frentes de trabalho, a fiscalização mais atuante dos órgãos competentes e a redução de custos operacionais em grandes empreendimentos, aliados ainda ao prejuízo da tragédia em Mariana e adjacências, justificam a maior parte das demissões. E, a propósito, nessa matemática de Minas nem entram a pilha de diretores e executivos de mineração que foram colocados no olho da rua nesse ano cruel. Foram 27 com salários superiores a R$ 25 mil. Era uma vez um executivo…


Maranhão (58) e Espírito Santo (35) vêm em seguida no listão das cabeças que rolaram na mineração especializada, exuberando o sinistro que está o mercado de trabalho para profissionais qualificados.

No Pará, a situação está se estabilizando. O Estado deixou de ser o segundo pior para empregar o profissional, uma vez que foram realizadas 63 novas contratações ante 72 demissões. Mesmo o saldo estando negativo em nove postos, o crescimento das admissões é notório e vários projetos têm contribuído para isso, como empreendimentos para extração de ferro e cobre em concentrado nos municípios de Canaã dos Carajás, Curionópolis e Marabá.

O destaque negativo mesmo fica com o maior minerador do Brasil, que é o município de Parauapebas. Lá, onde a Vale bateu o recorde dos recordes de produção de minério de ferro em 2016 e apresenta resultado financeiro deslumbrante, foram mandados embora 51 engenheiros de minas, 23 dos quais da área de projetos ao longo de 2016. Parauapebas está tão perigoso para engenheiro de minas que uma cabeça rola por semana, em média. Por outro lado, a maior parte das 34 admissões realizadas no município é para lotação no projeto S11D, no vizinho município de Canaã dos Carajás. O salário médio é de R$ 8.480,71. Mantido o ritmo de demissão dos últimos três anos, agora em 2017 nada menos que 40 outros engenheiros de minas devem ganhar as contas.

Incólume ao cenário vegetativo da categoria profissional, os estados de Acre e Tocantins, se não contrataram, também não demitiram ninguém com carteira assinada. Zero a zero. Amapá e Sergipe ficaram no “elas por elas”: contrataram um, demitiram um. Já Piauí (saldo positivo de três contratações), Goiás e Pernambuco (duas contratações cada) e Amazonas e Rondônia (uma contratação cada) são os nichos minguados de oportunidade Brasil adentro. Projetos de gás, ferro, pedras preciosas e cobre nesses lugares ainda arregimentam mão de obra. É um banho de água morna num oceano antártico, considerando-se a frieza negativista dos números do Caged.

Aos 674 profissionais, certamente 2016 é um ano para esquecer, assim como foi, em dose ainda mais cavalar, 2015. Se serve de consolo, as demissões estão gradativamente diminuindo, mas eis que se visualiza outro problema decorrente disso: quase já não há mais quem demitir. E aí, no tocante a 2017, paira no ar material particulado de pergunta: quem vai ser o próximo?

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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