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Estudo inédito aponta que município de Marabá é insustentável em 6 de 27 indicadores

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Se a Usina Hidrelétrica de Marabá realmente sair do papel, a partir de 2015, o mais importante município da Mesorregião Sudeste Paraense poderá avolumar problemas – aos crônicos já existentes – em decorrência do aumento populacional desenfreado de que se tornará vítima. Para piorar, em estudo inédito divulgado nesta segunda-feira (13) pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), Marabá aparece completamente insustentável para seguir adiante em pelo menos seis indicadores, de 27 avaliados nos eixos Bem-Estar Humano (20 quesitos avaliados) e Bem-Estar Ambiental (sete).

Números cada vez crescentes de gravidez na adolescência, evasão no ensino médio, deficiência de acesso à internet, elevado índice de roubos, alta taxa de homicídios e precariedade no serviço de esgotamento sanitário fazem de Marabá um município indecente à noção de habitabilidade recomendada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Apenas dois indicadores – o acesso à energia elétrica quase universal e a eficiência de seu Cadastro Ambiental Rural (CAR) – são sustentáveis e, por isso, elogiáveis.


A revelação consta da pesquisa “Barômetro da Sustentabilidade dos Municípios Produtores de Energia e com Potencial Hidrelétrico no Estado do Pará”, uma publicação que analisa o bem-estar socioambiental de dez municípios paraenses geradores – ou potencialmente geradores – de energia. O estudo apresenta os níveis “insustentável”, “potencialmente insustentável”, “intermediário”, “potencialmente sustentável” e “sustentável” para classificar as localidades selecionadas.

Além de Marabá, vêm à tona os níveis de sustentabilidade dos municípios de Altamira, Almeirim, Itaituba, Oriximiná, Palestina do Pará, Senador José Porfírio, Trairão, Tucuruí e Vitória do Xingu. Segundo a Fapespa, o objetivo do levantamento é contribuir em implementação, avaliação e monitoramento de ações direcionadas ao desenvolvimento sustentável dessas localidades, por meio dos gestores públicos e do setor privado, em consonância com a comunidade científica e a população.

ENTRE MAL E PIOR

A situação de Marabá não se limita aos seis indicadores completamente insustentáveis. Por muito pouco, o vexame não foi maior. Isso porque há sete assuntos nos quais o município é potencialmente insustentável. É como se estivesse à beira de um penhasco e só lhe faltasse um empurrãozinho para despencar. E se os problemas não forem minimizados até o início das obras da futura hidrelétrica, o empurrão poderá vir disfarçado de “progresso”.

Em se tratando de taxa de mortalidade materna, quantidade de leitos hospitalares, números registrados de trabalho infantil, taxa de analfabetismo, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das séries finais, diferença entre riquíssimos e paupérrimos e número de focos de calor, Marabá está em cima da linha tênue entre o mal e o pior. Os dados considerados na pesquisa são, segundo a Fapespa, correspondentes ao período entre 2010 e 2014 e o mais atualizado para cada dimensão avaliada.
Se serve de consolo, há municípios em situação pior, como o caso do vizinho Palestina do Pará, que bateu o recorde com oito notas vermelhas de insustentabilidade.

SOBRE O BARÔMETRO

O estudo, resumidamente alcunhado “Barômetro da Sustentabilidade”, traz metodologia que já foi aplicada em mais de 135 países para o monitoramento das condições humanas e ecológicas, relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Dentre os diversos indicadores analisados, estiveram saúde, saneamento, educação e utilização de recursos.

De acordo com o presidente da Fapespa, Eduardo Costa, o Pará abriga um conjunto de investimentos em infraestrutura e logística, sendo boa parte deles advinda da construção de barragens e hidrelétricas, que promovem mudanças na dinâmica econômica, demográfica, social e ambiental. — com Metropo de Marabá, Adriano De Canaã Dos Carajás, Sindicom Maraba e outras 16 pessoas.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

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