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Governador Simão Jatene se pronuncia sobre a Operação Timóteo

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O governador Simão Jatene usou seu perfil na rede social Facebook, nesta terça-feira (20), para se pronunciar acerca da Operação Timoteo, deflagrada na última sexta-feira (16). Veja abaixo a íntegra do pronunciamento do governador e o link para assistir ao vídeo:

“Amigas e amigos,


Essa é a fala que eu jamais imaginei algum dia ter que fazer, mas a vida nos ensina que nem sempre fazemos o que gostaríamos. Precisamos fazer aquilo que deve ser feito. É por isso que, em respeito a cada um de vocês, em respeito à minha família, em respeito à minha história, é que venho fazer esses esclarecimentos.

Recentemente, conforme divulgado pela imprensa, órgãos de fiscalização e controle do governo federal fizeram uma grande operação em vários Estados e no Distrito Federal, buscando identificar desvios e ilegalidades no pagamento e utilização da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), conhecida como Royalties Minerais.

Para os que não sabem, a CFEM  é uma contribuição recolhida pelas empresas mineradoras, para a União, que por sua vez tem a responsabilidade de fiscalizar esses pagamentos e fazer a distribuição entre Estados, Distrito Federal e municípios mineradores.

Assim como governador, considerando que nenhum órgão ou secretaria de Estado foi sequer citado ou está envolvido na operação, tenho pouco a dizer, a não ser desejar que a mesma, além de esclarecer sobre o uso dos recursos, contribua para mostrar a necessidade de revisão da legislação que trata da matéria, a qual sempre achei insuficiente e injusta com os Estados mineradores.

Por outro lado, como pai, não posso deixar já de início de registrar a profunda dor e estranheza que me causou ver o nome de um filho, cuja história não sugere ou registre qualquer desvio de conduta, figurar na referida operação. Preocupado em ser justo, e não fugir da verdade, fiz questão de ler centenas de páginas, para constatar que meu filho Alberto é mencionado poucas vezes, e de forma absolutamente superficial, como se mostrará  adiante.

Amigas e amigos,

Ao tempo que os anos se sucedem nas nossas vidas, frequentemente avançamos na sensação de que já vivemos quase tudo, e nada nos surpreende. Ledo engano! A experiência vivida esses poucos dias tem o sabor ou, mais propriamente o amargor, de algo inimaginável, sobretudo para um pai que, por tantas vezes, se privou do convívio familiar, simplesmente por pretender ser “servidor público”. Servidor público, sem adjetivos. Por entender que qualquer adjetivo de qualidade já deve integrar a própria condição e opção de servir ao público.

Assim, com 48 anos de vida pública, nada fiz de que me envergonhasse, e isso os paraenses sabem, apesar da ensandecida, truculenta e escandalosa campanha para denegrir minha imagem e da minha família, que o “império de comunicação” do grupo chefiado pelos Barbalhos, nacionalmente conhecidos pelo seu comportamento ético e moral, faz cotidianamente, demonstrando o quanto é socialmente perigoso e nefasto o controle de veículos de comunicação nas mãos de políticos que os usam, sem escrúpulos, para enganar a população visando apenas alcançar o poder.

Tenho que reconhecer que foram o poder e as práticas desse tipo político que nos trouxeram a esses tempos estranhos, nos quais a presunção de inocência, princípio básico para a vida em sociedade, vem sendo transformada em presunção de culpa, contribuindo para que o tecido social cada vez mais se transforme numa massa disforme e intolerante, que tudo banaliza e coloca no mesmo cardápio a ser devorado comportamentos, histórias, valores e vidas, totalmente distintas, desde que atendam a necessidade antropofágica da ocasião.

Foi o comportamento desses políticos, que desqualificaram a política, forjando fortunas inexplicáveis, que deram motivação a uma espécie de quase histeria que exige a destruição de reputações e execração pública como se fosse catarse necessária a nos livrar da lama daqueles que, sem poder limpar suas histórias, tentam manchar as de outros, especialmente se esses não se curvaram aos seus caprichos e vilanias.

Com o tempo, aprendi a ver as adversidades da vida pública, como preço a ser pago por nossas crenças. Para mim, consequência natural do fantástico e inabalável direito de amar e defender essa terra, que foi e é base da minha família, meus amigos, meus sonhos, enfim, da minha vida. Talvez por isso, o misto de tanto sofrimento e repulsa.

Amigas e amigos,

Sem qualquer antecedente criminal, tendo família constituída, endereço fixo definido e histórico pessoal e familiar irreparável, meu filho Alberto teve pedido de prisão temporária decretada, pelo fato de terem sidos identificados dois depósitos feitos por alguém sob investigação nas contas de duas empresas das quais não é sequer o sócio administrador.

Assim, o que poderia ter sido facilmente esclarecido com uma intimação para depoimento perante à autoridade policial, uma vez que os depósitos se referiam a dois contratos assinados entre os postos e a pessoa investigada, foi transformado em prisão, com todas as consequências, familiares, sociais, psicológicas, de qualquer ato de privação de liberdade.

Por outro lado, vale ainda mencionar trecho da peça policial de acusação, à qual só tivemos acesso após a prisão, que diz textualmente: “Em que pese a inexistência de elementos aptos a indicar, nesse momento, qualquer tipo de participação de Alberto Jatene nas fraudes perpetradas em desfavor do município de Parauapebas (PA), fato inconteste é que duas de suas empresas receberam transferências de recursos de origem ilícita…”

Como se um comerciante pudesse saber a origem dos recursos de todas as pessoas com quem transaciona. A rigor, tal afirmação só confirma que, lamentavelmente, as autoridades sustentaram uma prisão, ainda que temporária, num quadro de absoluta insegurança e dúvida quanto a qualquer tipo de participação ou prática de um ato ilícito. O que, além de sinal dos tempos, é no mínimo temerário em qualquer sociedade moderna e democrática.

Amigas e amigos,

Nesse imenso turbilhão, entretanto, devo admitir que mesmo sangrando e sabendo quanta dor e prejuízo irreparável pode decorrer de um procedimento desse tipo em qualquer ação pública, por princípios morais e éticos, por desejo de uma sociedade melhor, nesse momento em que o país agoniza na busca de encontrar novo caminho, entendo que devamos apoiar toda iniciativa que contribua para abolição da podridão que, felizmente, se não alcançou todas as pessoas, parece ter encontrado abrigo em todos os poderes, todas as esferas de governo, todas as instituições públicas e privadas.

Mesmo preocupado com medidas e atitudes que possam colocar sob risco o necessário combate à corrupção, devo concordar que acertos e erros se mesclarão nas buscas da saída da profunda noite que se abateu no país, por ação e omissão de todos nós, mas, inegavelmente, por um protagonismo defeituoso e delituoso da velha política e suas teias, que, sejamos francos, não se resume aos políticos e infesta uma sociedade que teima em valorizar a esperteza em detrimento da sabedoria, a riqueza em detrimento da felicidade.

Em meu nome pessoal e de toda família, agradeço pelas incontáveis manifestações de solidariedade. Aos que nos conhecem, nada a acrescentar. Aos demais, apenas o renovar do compromisso de continuar a luta por uma sociedade mais justa, fraterna e feliz. Desejando a todos engajados nessa luta sabedoria, equilíbrio e maturidade, para que não permitamos que muitas vezes a urgência e desejo de fazer acabe prejudicando ou nos afastando do objetivo de contribuir para um Brasil menos desigual, no qual direitos e deveres sejam faces da mesma moeda, e confiança princípio civilizatório.”

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