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Índice de Desenvolvimento de Parauapebas caminhou para trás

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Esgoto a céu aberto, lixo nas ruas, desemprego crescente, doenças do século passado infernizando a população carente, falta de moradia para milhares pessoas e milhares de imóveis vagos à espera de alguém que se atreva a locar ou a chamar de seu. Tudo isso se verifica na sede urbana de um dos – ainda – mais ricos municípios do Brasil. O cenário é desesperador.

Em seu Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), uma espécie de indicador de qualidade de vida no meio da década, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) constatou sobre Parauapebas o que ninguém, que mora aqui, vai gostar de ouvir: o desenvolvimento social do município piorou, de forma inédita e, igualmente, drástica. Os dados do estudo saíram nesta sexta-feira (4) e são referentes apenas e tão somente ao ano de 2013. Os números referentes a 2015 – que, com certeza, serão ainda mais lamentáveis – só vão ficar prontos em 2017 porque o estudo tem carência de dois anos. E nem é bom desejá-los.


Atualmente, com IFDM de 0,722 (a escala vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1, melhor), Parauapebas parece ter voltado no tempo, particularmente quando se analisa o critério “Emprego e Renda”. Foi ele o vilão que derrubou Parauapebas do posto de primeiro lugar no Pará em qualidade de vida na pesquisa anterior, quando o município tirou nota 0,7894.
Com a nota atual, é como se Parauapebas tivesse retornado para antes de 2007 – nesse ano, o IFDM foi registrado em 0,7246 e, desde então, não parou mais de crescer até cair agora.

11.100 DESEMPREGADOS EM 2 ANOS

Ao analisar o panorama de 2013, ano em que produzi a dissertação de mestrado “Dinâmica Territorial e Trabalho na Amazônia: Análise do Município de Parauapebas a partir da Migração de Trabalhadores Maranhenses da Mineração”, pelo curso de Pós-Graduação em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia, pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), fiz o alerta de que o desemprego era crescente e de que, por isso, boa parte das conquistas sociais do município até então seria amputada, caso Parauapebas não encontrasse uma fonte alternativa de tocar sua economia. As observações miravam exatamente a divulgação de dados em 2015. E se concretizou.

De 2013 para cá, Parauapebas desempregou impressionantes 11.100 trabalhadores com carteira assinada, número suficiente para montar uma cidade mais ou menos do porte de Curionópolis lotada de demitidos que não conseguiram mais se arranjar no mercado de trabalho.

Hoje, sem que o próprio município de Parauapebas se dê conta, e ainda que haja resistência da parte de muitos em enxergar o óbvio, a “Capital do Minério” perde sua importância – econômica e social – para o vizinho e filho Canaã dos Carajás. O “noviço rebelde” tem destronado Parauapebas em tudo: em investimentos privados, por conta do projeto mineral S11D, da multinacional Vale; em geração de empregos, ao menos temporários, na etapa de implantação do projeto; e em indicadores sociais, já que agora derrubou Parauapebas e se tornou o município com a melhor qualidade de vida do Pará, com IFDM de 0,7351.

Quando o projeto S11D estiver em operação, em 2016, deixará milhares de desempregados em Canaã como saldo porque a implantação do empreendimento, etapa que demanda volume expressivo de mão de obra, terá terminado. Só 2.600 empregos, para mão de obra especializada, serão criados na fase de operação.

Mas nem tudo vai ser prejuízo. Quando começar a operar, o S11D dará em royalties à Prefeitura de Canaã dos Carajás quase o mesmo que Parauapebas recebe atualmente. O diferencial é que em Canaã residem 35 mil habitantes, conforme dados oficiais, e em Parauapebas, 190 mil. Ou seja, para lá, será um volume pujante de dinheiro para uma população cinco vezes menor. Se a administração souber, vai dar para fazer de Canaã uma cidade para Europa alguma botar defeito – no popular, “um brinco”.

Infelizmente, no Pará, não funciona assim. E Parauapebas ou Canaã não seriam exceção. A regra parece ser a de que municípios potencialmente ricos sejam transformados em pocilgas e com seus habitantes sem saber como será o amanhã. As administrações até se esforçam, mas é um esforço cômodo diante do capital que têm à disposição para fazer a diferença, com responsabilidade, ética e prudência. Todos padecem.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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