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Indígenas voltam a protestar em Parauapebas

Melhorias nas estradas e a implantação do “Programa Vilas Online” voltaram à pauta dos indígenas das etnias Kayapó e Xikrin. Motivo que que trouxe membros das aldeias Djudjêkô, Cateté e Ô-ODjá a protestar pelas ruas da cidade de Parauapebas, no sudeste do Pará e também no Fórum do município.

O ato sucede a ocupação do prédio da Prefeitura de Parauapebas ocorrida no dia 9 de julho tendo sido mantida até a sexta-feira, 12; de onde saíram com a promessa de que tudo seria resolvido.


Desta vez, além das antigas pautas, os indígenas protestam contra a decisão da Vale que é a desativação da Casa de Apoio localizada próximo ao Núcleo de Carajás, interior da Floresta Nacional de Carajás (Flonaca).

De acordo com o professor indígena Bemoro Xikrin, a decisão da Vale desagrada, pois, vão ficar longe do Hospital Yutaka Takeda, onde os índios geralmente são atendidos. “Queremos continuar lá, pois, o hospital lá é melhor, e aqui teremos dificuldade para ser levado para lá quando o índio precisar”, explicou Bemoro.

O representante jurídico dos indígenas, advogado Diogo Lima, confirmou a insatisfação dos membros das aldeias. Segundo ele a Vale ajuizou, na justiça comum a reintegração da chácara onde está a Casa de Apoio. Ainda de acordo com o advogado, a reintegração foi pedida sob a alegação de que a mineradora fará reformas no local. “Porém, só a reforma não atende as necessidades das comunidades indígenas, além, de não ser suficiente para que a Vale cumpra as obrigações em decorrência da exploração mineral que ela faz no empreendimento Ferro Carajás”, explicou o advogado, dando conta de que além da reforma, é um dever da Vale a ampliação do espaço que recebe os indígenas.

 

Em nota, a Vale explicou que em nenhum momento se negou em fazer a reforma e a ampliação, mas, entende ser necessário a retirada dos índios do local. A recusa dos índios em deixar a área, segundo a nota da mineradora, tem dificultado a execução da obra.

Alegação contestada pelo advogado, afirmando que a Vale recusou, sim, em fazer a ampliação, dando por necessário apenas a reforma; o que não foi aceito pelos indígenas, sendo esse o objeto da reunião ocorrida na manhã desta quarta-feira, 16, no Fórum, em Parauapebas, onde tramita o pedido de reintegração da Chácara.

O prefeito Darci Lermen, participou da reunião e se posicionou em favor dos índios, detalhando que a prefeitura dá apoio às comunidades indígenas com serviços nas áreas da saúde, educação, assistência social, limpeza urbana, e ainda com recursos financeiros; já tendo cumprido a pauta apresentada no mês de julho, quando da ocupação da prefeitura. Um dos pontos de pautas cumprido, segundo o prefeito, foi a recuperação das estradas nas aldeias e a recuperação de 14 pontes já está em fase de conclusão.

O caso está sendo tratado na 3ª Vara Cível e Empresarial de Parauapebas, onde o Juiz Lauro Fontes Júnior pediu que o poder executivo mediasse as conversas que ocorreu entre os indígenas, Vale, ICMBio e a Justiça para que se chegue a um consenso para a reconstrução da Casa de Apoio. “Foi importante a conversa com o juiz no sentido de aproximar todos os envolvidos, já que todos querem o bem dos índios”, contou Darci, dando por certo que ficou marcada agenda para segunda-feira, 21, quando a conversa será retomada e que se possa achar a melhor saída baseada no diálogo com flexibilidade para se chegar ao entendimento.

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