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Levantamento revela crescimento no número de mortes em Parauapebas

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Os dados são do SIM, um sistema de vigilância epidemiológica nacional, cujo objetivo é captar dados sobre os óbitos do País, tendo como base o documento de entrada do sistema que é a Declaração de Óbito (DO), padronizada em todo o território nacional. Assim, faz-se uma análise epidemiológica da mortalidade que é um importante processo para o reconhecimento das condições de vida e saúde das populações.

Tendo o perfil da mortalidade populacional como um dos componentes mais importantes do diagnóstico de saúde a ser avaliado pelos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), objetivando orientar as atividades de planejamento e organização da rede de atenção de saúde.


A taxa de mortalidade geral é um dos indicadores mais utilizados em saúde pública e expressa a relação entre o total de óbitos de um determinado local pela população exposta ao risco de morrer. Este indicador ajuda a subsidiar o desenvolvimento de ações para a prevenção dos agravos e a promoção à saúde, propiciando um diagnóstico dos impactos das políticas públicas em prol da vida. E de acordo com o SIM , em 2018, o município de Parauapebas registrou 834 óbitos, o que representa taxa de 4,11 óbitos para cada mil habitantes, número que representa um crescimento de 3,4% em comparação ao ano de 2017, quando foi registrada taxa de 3,97 casos a cada mil habitantes.

 

5 a cada 8 mortes em Parauapebas estão entre os homens – A predominância da mortalidade masculina ocorreu em todas as faixas etárias, principalmente entre os adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), onde o percentual de óbitos nos homens foi seis vezes maior do que nas mulheres. As exceções ocorreram entre crianças nas faixas de 1 a 4 anos e de 5 a 9 anos de idade, nas quais o sexo feminino representou 1,08% e 0,6% do total de óbitos registrados em 2018, respectivamente.

 

Na análise, verificou-se que a mortalidade masculina é superior que a feminina. Dessa forma, em 2018 o número de mortes de pessoas do gênero masculino representou maior número, sendo 520 (62,4%) falecimentos; as causas são variadas, sobressaindo as causas externas (acidentes, homicídios, suicídios e outros) como principais causas, sendo conseqüência dos diferentes tipos de violência instaurada na sociedade brasileira e parauapebense.

 

O crescimento da presença feminina em estatística como essa, se dá devido sua ascensão no mercado de trabalho, onde, hoje, o papel ocupado por elas nunca foi de tanto destaque. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), elas estão mais presentes nas vagas de emprego, embora ainda abaixo dos homens.
O dado é confirmado pelo Ministério do Trabalho no Brasil, que aponta o crescimento da ocupação feminina em postos formais de trabalho de 40,8% em 2007 para 44% em 2016. E é exatamente isso que as expõe às causas de mortes diversas, além da violenta, aos casos de acidentes de trabalho.

A principal causa de mortes em Parauapebas foi agressão – A principal causa específica de mortalidade em Parauapebas no ano de 2018 foi agressão (homicídio), responsável por 127 óbitos com taxa de aproximadamente 63 mortes para 100 mil habitantes (15,23% de todas as mortes). Comparando-se com 2017, houve um aumento de 32 mortes por homicídio, o que representa 33,68% a mais no risco de morte por esta causa no município. Em segundo lugar aparece o infarto agudo do miocárdio, com 52 óbitos (6,24%) e taxa de 25,63 óbitos/100 mil habitantes, apresentando uma pequena redução de 7,14% em relação ao ano anterior. Em seguida, vêm as pneumonias com 43 óbitos (5,16%) e os acidentes de transportes terrestres com 38 óbitos (4,56%). Chama atenção a elevação no índice de mortes por causas mal definidas e suicídio, em 184,62%, e 125%, respectivamente.

 

Em 2018, as principais causas específicas de óbito distribuíram-se de maneira diferenciada de acordo com o sexo. Mais de 90% das mortes por homicídios, mais de 80% dos suicídios e mais de 70% das mortes por afogamento e por acidentes com transportes terrestres ocorreram nos homens. Nas mulheres, as causas mais expressivas foram as doenças cerebrovasculares (exceto AVC) com 23 óbitos, diabetes mellitus com 15 óbitos e acidente vascular cerebral (AVC) também com 20 óbitos, representando respectivamente, 63,89%, 53,57% e 51,72% de todos os óbitos ocorridos por estas causas.

 

O sexo masculino representa mais de 90% dos óbitos por essa causa, sendo que suas taxas são cerca de 11,5 vezes maiores que as femininas. Os autores ainda apontam para uma possível explicação acerca desta tendência. A socialização de homens, desde cedo, costuma ancorar-se em um conjunto de atributos, valores, funções e condutas que se espera que um homem tenha em uma determinada cultura. O poder costuma ser um dos atributos valorizados nessa socialização em determinadas sociedades e isso pode vir associado à violência, uma vez que esta pode ser vista como um instrumento para a obtenção do poder ou para a resistência a ele entre os segmentos masculinos.

Pessoas pardas morrem mais jovem em Parauapebas – A morte não tem preferência por raça, sendo todos por ela nivelados. Claro que com a presença expressiva de pessoas “pardas” é natural que a predominância no número de óbitos sejam sempre nelas. Talvez, por isso, do total de óbitos ocorridos em 2018, 514 (61,63%) eram indivíduos pardos, 149 (17,87%) brancos, 73 (8,75%) pretos, 11 (1,32%) amarelos e 7 (0,84%) indígenas. Os óbitos sem informação na raça/cor corresponderam a 80, o que representa 9,59%.

 

A mortalidade por idade foi semelhante entre brancos e pretos e diferente quando comparada com pardos. Enquanto nos pretos e brancos ocorre uma tendência de crescimento ao longo da idade com mais da metade (66,44%) dos óbitos em brancos e quase a metade (47,95%) em indivíduos pretos registrados nas faixas acima de 60 anos de idade, nos pardos a concentração dos óbitos ocorre nas faixas etárias mais jovens e diminui a partir dos 70 anos de idade. Esta diferença revela uma mortalidade mais precoce no grupo de raça/cor parda.

 

Em 2018 quase a metade de todos os óbitos ocorreu na população acima de 60 anos – A exemplo da reportagem anterior, nesta também os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), um sistema de vigilância epidemiológica nacional, cujo objetivo é captar dados sobre os óbitos do País a fim de fornecer informações sobre mortalidade para todas as instâncias do sistema de saúde.

Em 2018, a mortalidade por faixa etária apresentou perfil diferente para cada sexo: no masculino, a mortalidade foi mais precoce, aumentando significativamente na faixa de 20 a 29 anos; já no sexo feminino, a mortalidade segue um aumento gradativo conforme a idade, sendo a maior concentração dos óbitos em mulheres acima de 80 anos de idade.

 

A mortalidade segundo a idade mede a participação dos óbitos em cada faixa etária, em relação ao total de óbitos. Dessa forma, elevadas proporções de óbitos de menores de um ano de idade estão associadas a más condições de vida e de saúde. Enquanto isso, o deslocamento da concentração de óbitos para grupos etários mais elevados reflete a redução da mortalidade em idades jovens – sobretudo na infância – e o consequente aumento da expectativa de vida da população.

Em 2018, observou-se que o número de óbitos em Parauapebas é maior em idosos, sendo a faixa etária de 80 anos ou mais a que representa o maior percentual, com 14,63% (122/834). A quantidade de óbitos com essa informação ‘ignorada’ é elevada devido ocorrerem casos que, embora investigados, são encontrados em avançado estágio de decomposição e por serem considerados indigentes (sem documentos ou família) é difícil identificar a idade.

 

Fazendo uma análise comparativa com os anos 2017 e 2018, percebe-se que houve redução em algumas faixas de idade, principalmente em menores de 1 ano e de 20 e 39 anos, e aumento da mortalidade em maiores de 70 anos. Reflexo da maior expectativa de vida, em 2018 quase a metade de todos os óbitos (45,68%) ocorreu na população acima de 60 anos. Gráfico 3.

Apenas 16,07% dos indivíduos que faleceram no ano de 2018 em Parauapebas são naturais do próprio município

Predominam entre os municípios de naturalidade os dos Estados do Pará e do Maranhão, reflexo do intenso processo migratório e também porque Parauapebas é procurada pela população dos municípios vizinhos para atendimento de saúde na rede municipal.

Apenas 16,07% (134) dos indivíduos que faleceram no ano de 2018 em Parauapebas são naturais do próprio município. Marabá e a capital Belém aparecem na linha descendente de municípios de origem dos óbitos, com 3,24% (27) e 3,12% (26), respectivamente.

 

Mortalidade por capítulos da CID10 – A análise das causas de óbito por capítulos da CID10 – Código Internacional de Doenças, mostra que as causas externas (mortes provocadas por acidentes ou violência) lideram as esta
tísticas com 236 (28,3%) óbitos registrados em 2018. As doenças do aparelho circulatório aparecem logo em seguida com 21,1% (176/834).

 

Quando analisada a mortalidade por capítulo da CID 10 de acordo com o sexo, verifica-se que o perfil de mortalidade dos homens foi diferente do encontrado nas mulheres. Nos homens, a principal causa de morte foi externa, com incidência sete vezes maior que nas mulheres.

 

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