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Maior encontro mínero-metalúrgico da América Latina vai ser no Pará

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Entre os dias 22 e 26 de outubro deste ano, o mundo da mineração e da transformação mineral vai conspirar em terras paraenses. É a 27ª edição do Encontro Nacional de Tratamento de Minérios & Metalurgia Extrativa (Entmme) 2017, que acontece no chão do quarto maior exportador de commodities do Brasil e segundo no quesito extração de minérios. Belém, principal metrópole da Amazônia Oriental, vai receber em seu Hangar o maior encontro do segmento realizado na América Latina.

O Entmme é um megaevento de porte internacional para o qual são esperados 600 participantes e cuja realização se deve ao esforço de três gigantes federais do estado: o Instituto Federal do Pará (IFPA), a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). O conclave conta, ainda, com o apoio de órgãos como a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), bem como do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral). Da programação constam palestras com especialistas renomados, mesas redondas, minicursos e apresentação de trabalhos técnico-científicos.


Tradicionalmente, o encontro sempre ocorria em Minas Gerais, estado que ainda concentra a mais dinâmica indústria extrativa mineral do país, mas que perderá o posto no raiar da próxima década para o Pará, com a consolidação de projetos já em andamento por aqui e diante de uma necessidade cada vez mais crescente de minério de ferro para alimentação da poderosa indústria siderúrgica do mercado transoceânico.

A propósito, o minério de ferro, um dos insumos básicos do setor mínero-metalúrgico, é também um dos principais produtos da cesta de exportação do Brasil e o carro-chefe da economia de Minas Gerais e do Pará. Em 2016, Minas produziu 198,4 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro, enquanto o Pará encerrou o ano com 148,1 Mt. O detalhe é que o Pará possui capacidade industrial de extrair 240 Mt, o que deve ocorrer em 2020, ano em que a produção local de minério de ferro deverá ultrapassar a mineira.

PARÁ IMPORTANTE

Por sua importância à economia nacional, o Pará foi anunciado em 2015 como sede da 27ª edição do Entmme, para alegria das dezenas de paraenses que participavam do encontro daquele ano, ocorrido em Poços de Caldas (MG). Praticamente um bebê perto da mínero-metalurgia matusalêmica praticada por Minas Gerais, que se arrasta na mineração desde o Brasil Império, o Pará tem potencial inestimável e praticamente a Tabela Periódica inteira a seus pés, alvo de uma miríade de pedidos de pesquisa e lavra junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Investidores dos setores mineral e de transformação do mundo inteiro cobiçam as jazidas do Complexo Minerador de Carajás, no sudeste do estado, e há expectativa de que um grupo estrangeiro inicie a construção de uma siderúrgica em Marabá ainda nesta década. A consolidação de um polo metalomecânico no interior do Pará é cada vez mais uma realidade.

Diante de tamanho potencial, e não por acaso, as exportações paraenses são compostas, em 84%, de commodities derivadas das indústrias de mineração (64%) e de transformação mineral (20%), setores nos quais 288 mil trabalhadores estão empregados. De acordo com o DNPM, em 2016, apenas em minérios, o Pará movimentou R$ 27,68 bilhões, posicionando-se atrás de Minas Gerais, que lavrou R$ 28,93 bilhões em operações. Em janeiro deste ano, o Pará exportou 1,14 bilhão de dólares, praticamente o mesmo tanto que a Região Nordeste inteira, que possui nove estados e exportou 1,16 bilhão de dólares. Mais de 1 bilhão de dólares das exportações paraenses foi originado na extração e na transformação mineral, com destaque para o minério de ferro.

TURISMO DE NEGÓCIOS

O Entmme chegou a ser cogitado para acontecer em Marabá, município-sede da Unifesspa e de graduações afins ao evento, como Engenharia de Minas e Meio Ambiente, Geologia e Engenharia de Materiais. Se fosse realizado lá, estaria a, pelo menos, 35 léguas das minas de ferro, manganês, cobre, níquel e ouro de Carajás, o maior laboratório a céu aberto para quem quer conhecer de onde saem insumos que dão fôlego aos aparatos tecnológicos da vida moderna.

No entanto, Belém ganhou a disputa em razão de ostentar público, logística e estrutura físico-hoteleira para recepcionar palestrantes renomados e todo o staff que será apresentado ao mercado mínero-metalúrgico. Um estudo divulgado em 2014, intitulado “Pesquisa de Impacto Econômico dos Eventos Internacionais Realizados no Brasil”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), revelou que Belém é o quinto destino mais procurado no país para turismo de negócios, atrás de Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e Foz do Iguaçu.

Este ano, o encontro deve movimentar cerca de R$ 1,5 milhão apenas em transportes, hospedagens e alimentação nos cinco dias de evento. Caravanas de estudantes de, pelo menos, dez estados devem desembarcar na capital paraense para participar do 27º Encontro, trazendo consumo e injetando moeda corrente em Belém. É o turismo de negócios técnico-científico que se abre para o Pará, estado que ao longo de 2016 movimentou R$ 700 milhões recebendo pessoas de fora e que, este ano, vai mostrar por que é o centro dos grandes investimentos no setor mineral.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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