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Marabá 104 anos: Uma cidade de paladar variado

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Foto: Arquivo | Jordão Nunes

Em qualquer roda de conversa com os moradores mais antigos da cidade é possível lembrar de como nasceu Marabá, do número de casas que haviam na Marabá Pioneira, e principalmente de como a cidade era abastecida. Tudo dependia da trafegabilidade dos rios. E isso foi relembrado por Maria Virgínia Mattos, no artigo “Alimentação em Marabá”, publicado no Boletim Técnico Nº 4, edição comemorativa do 25º aniversário da Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM), em 2009.

A culinária marabaense a linha da miscigenação – a autenticidade indígena, somando as influências de outros estados, como Maranhão e Tocantins, que antigamente era parte do Goiás. Os primeiros moradores de Marabá, em seu isolamento em relação à capital do Estado, dependendo do transporte fluvial para receberem aquilo que não podiam produzir, aproveitaram de todas as formas os recursos da floresta e dos rios, principalmente da ligação fluvial com o Maranhão, para criar a sua própria identidade alimentar.


“E era uma riqueza!”, foi assim que Mattos descreveu os hábitos alimentares marabaenses. Analisando os costumes de hoje, é possível afirmar que não houve mudanças. Há quem ainda seja tradicional sem saber. Nos quebra-jejuns, merendas e doces, ainda encontramos o cuscuz feito com a massa de milho ou arroz e os beijus de tapioca, todos regados com azeite de coco. Nas padarias da cidade, os bolos feitos com tapioca ainda são maioria: bolo cacete, bolo frito, bolo de puba e o mangulão (famoso bolo de roda). O bolo de arroz e as “oreias” fritas (chamados também de “oreias de macaco”). E ainda existem famílias que mantém o costumo da pupunha cozida, paçoca de gergelim, coalhada de leite cru, as pamonhas (prato goiano).

No quesito dos doces é preciso destacar que além dos comuns em outras regiões, como o de leite e o de mamãe verde, os marabaenses acrescentaram no cardápio os doces de murici, de fava, de entrecasca da melancia e de cupuaçu com castanha. Mas a culinária local caracterizou-se ainda mais pela arte de misturar carnes e frutos ou raízes. É difícil achar alguém que não tenha comido o feijão ou a fava, com o arroz e a farinha de mandioca. E nas listas de carnes, os peixes ganham destaque com a variedade, como o pacu, curimatá, pescada, mandi, filhote, tucunaré, cari, cará, pirarucu, cachorra e piabanha. Seja frito, assado ou cozido (leite de coco ou da castanha, ou ainda com jambu e tucupi).

Outra coisa que não pode ser esquecida são temperos típicos desses pratos, que antigamente eram plantados nos quintais das casas: coentro, cebolinha, couve, pimentão e o tomate. O jambu, a chicória, as pimentas, principalmente a de cheiro. O quiabo, as vinagreiras (ingrediente do arroz de cuxá – prato maranhense). A comida ainda ganha saber com o azeite ou o leite de coco babaçu (de origem maranhense), o leite de castanha, o tucupi extraído da mandioca.

Algumas pessoas ainda cultivam seus canteiros de temperos, mas hoje, esses ingredientes são encontrados com facilidade nas três feiras da cidade: da Folha 28, no Bairro da Nova Marabá; da Laranjeiras, no bairro que recebe o mesmo nome; e na feira do Produtor, na Marabá Pioneira. O solo marabaense ainda é produtivo para as castanhas e frutas (cupuaçu, bacuri, bacaba, açaí, buriti, jenipapo, murici e cajá).

E quanto se fala das frutas é importante lembrar das combinações mais saborosas: o cupuaçu (socado na casca com a ajuda de pequenas forquilhas, para soltar os caroços) com o leite de castanha (extraído através do processo de ralar as castanhas em uma raiz de “paxiba”), mistura adoçada e consumida com farinha de mandioca. E ainda tem o açaí ou a bacaba, comidos com farinha de mandioca, acrescentando-se ou não o açúcar. Muitas vezes o açaí é chamado de “refeição”, acompanhado de carne ou peixe, assados ou fritos, e ainda a farinha.

O cardápio torna-se extenso quando lembramos os estados vizinhos. Marabá herdou os cozidões de carne com verduras, o “baião de dois” (combinação com feijão, arroz e muitos temperos), a “maria-isabel” (arroz preparado com carne seca), os pratos “saia véia” (carne seca cozida, desfiada e refogada com fartos temperos), e a “panelada” (prato preparados com vísceras – bucho, tripas e mocotó de boi), a “mojica” (preparada com fígado e ovos de jabota). Além das misturas com as carnes, tem os pratos da farinha de mandioca, o pirão e o caribé (caldo engrossado com farinha, com pedaços de carne, e temperado com sal, pimenta do reino e alho – podendo ser acrescido o ovo).

A tradição alimentar continua e o que mais mudou no cardápio marabense foi a caça, que variava entre os tatus, jabotis, tracajás e cotias. Ainda tinham as aves jacus, jaós e mutuns. Sem esquecer do veado, a paca, a anta e o caititu. As caças eram preparadas com leite da castanha ou do coco babaçu, ou ainda, no azeite de coco babaçu. Com o passar do tempo, as caças foram sumindo do cardápio, principalmente com a chegada do Ibama a Marabá.

Reportagem: Larissa Rocha / Grupo Correio de Comunicação

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