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MARABÁ E PARAUAPEBAS: Serviços de água e esgoto estão entre os piores do Brasil

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Parauapebas é um dos municípios do Pará que mais perdem água na rede de distribuição. De cada 100 litros que passam pelos canos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (Saaep) rumo às casas, 64 não chegam ao consumidor. Em Marabá, de cada 100 litros de água fornecidos pela Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), 44 se perdem no caminho.

Os dados foram divulgados ontem, terça-feira (16), pelo Ministério das Cidades em seu “Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos”, referente ao ano de 2014. Esses mesmos dados constam do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e são fornecidos pelas empresas que prestam os serviços, sendo de responsabilidade destas as estatísticas como tais.


A Cosanpa, que atua em Marabá, é uma sociedade de economia mista controlada pelo Governo do Estado do Pará que presta serviço de abrangência estadual, enquanto o Saaep é uma autarquia que presta serviço localmente e está sob a batuta da Prefeitura Municipal de Parauapebas.

CALAMIDADE

O mais grave nem é, na prática, quanto se perde em água na distribuição. Esse é mero detalhe. Em Parauapebas, na área urbana, que tinha 165 mil habitantes em 2014, um batalhão de 30 mil moradores não era atendido com água encanada. Proporcionalmente, de cada dez residentes urbanos, dois não recebem água do Saaep. É um dos percentuais de fornecimento mais baixos do Estado entre os prestadores de serviços locais, uma vez que a maioria absoluta dos municípios nessa categoria atinge fornecimento de água encanada na ordem de 90% e alguns, como Rurópolis, já universalizaram o serviço.

Na cidade de Marabá, que tinha 205 mil habitantes em 2014, a situação é mais grave. Lá, apenas 40% dos moradores eram atendidos com água encanada, o que faz com que os demais se virem nos trinta para cavar poços individuais. Vale ressaltar, contudo, que os reflexos das obras de ampliação do sistema de saneamento de Marabá não surtem efeito no diagnóstico em 2014, tanto assim que a Cosanpa sequer informou ao Ministério das Cidades a situação da rede de esgotamento sanitário da cidade.

No quesito esgoto, aliás, Parauapebas passa um dos maiores vexames entre os municípios com mais de 150 mil habitantes do Brasil. É que apenas 18.800 iluminados, informados pelo Saaep, dispõe desse tipo de serviço na sede municipal. Logo, a realidade dos números aponta que mais de 145 mil moradores vivem em meio a esgoto correndo a céu aberto, não importa a condição social. É uma situação de imundície pior que a registrada em muitos municípios no início do século passado. Só para se ter ideia, em 1900, exatos 116 anos atrás, as cidades de Rio de Janeiro (811 mil habitantes), São Paulo (240 mil), Salvador (206 mil), Recife (113 mil) e Belém (97 mil), as maiores do Brasil à época, já tinham rede de esgoto maior que a de Parauapebas atualmente.

CONSUMO

Se hoje, em pleno século 21, a água é motivo de guerra em vários países e até mesmo no Brasil é motivo de morte – de pessoas, de animais, de plantações –, em Parauapebas e Marabá a gastança “per capita” do líquido precioso é uma farra.

Na “Capital do Minério”, cada morador gasta por dia 156 litros, muitos mais do que o uso recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), de 110 litros diários por pessoa. E olhe que nem todo mundo tem acesso direto à agua da empresa distribuidora.
O morador da “Rainha do Tocantins” vai ainda mais longe: em Marabá, são gastos 166 litros por dia, isso sem também computar o consumo de quem se vale de poço doméstico.

Tudo isso se mostra um verdadeiro contrassenso que depõe contra a moral e os bons costumes dos serviços de saneamento básico que deveriam ser prestados, a contento, pelas administrações públicas, mas que no frigir dos ovos tornaram-se gargalos irresolutos que revivem o atraso de décadas e abrem as portas para problemas de saúde pública que infernizam a população há séculos.

Os problemas de saneamento em ambos os municípios não nasceram hoje e o pior de tudo isso é que não há perspectivas de melhorias, e estas, quando anunciadas, só ocorrem em passos lentos.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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