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Maurino Magalhães diz: “Serei prefeito de novo para limpar meu nome”

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“Maurino entrou na rica Marabá pobre e saiu da pobre Marabá rico”. Essa era uma das afirmações que faziam alguns dos opositores a Maurino Magalhães quando ele saiu da Prefeitura, em 31 de dezembro de 2012. Mas a vida que o ex-prefeito leva agora, passados dois anos e três meses, mostra outra realidade. A entrevista concedida por ele aconteceu em sua chácara, seis quilômetros depois de Morada Nova, em direção a Nova Ipixuna, na manhã do último domingo, 15, e revela – pelo menos um pouco – as mágoas que Magalhães tem com uma parcela da sociedade que o perseguiu, abandonou e até plantou inverdades.

O Maurino versão 2015 está solteiro após três casamentos, retomou o labor partidário que havia deixado em segundo plano e pensa em voltar ao cenário político em 2016, quer seja como candidato a prefeito ou vereador, caso a Justiça não lhe tire esse direito.


Após a separação, ocorrida em maio do ano passado, Maurino, que agora tem 56 anos de idade, passou a morar sozinho em sua residência em Morada Nova e tem dividido seu tempo entre a criação de peixes em seis tanques que mantém em sua chácara e os cultos na Assembleia de Deus naquele bairro, onde congrega. Enquanto está enclausurado politicamente, o ex-prefeito não descarta novo relacionamento amoroso, mas avisa que ainda não é a hora para isso. Acompanhe a seguir, os principais pontos da entrevista com Maurino Magalhães.

CORREIO – O que o senhor tem feito desde que saiu da Prefeitura de Marabá, em dezembro de 2012?

Maurino Magalhães – Depois que saí da prefeitura logo no início de janeiro de 2013, eu fui para Belo Horizonte descansar. Passei momentos muito difíceis, principalmente nos últimos três meses como prefeito que eu não desejo para os que me desejam o mal.

Como foi um mandato difícil, de muitas perseguições, cassações, com mais de 800 notificações do Ministério Público, deixei o cargo respondendo a mais de 70 processos administrativos ingressados pelo Ministério Público. Então, eu precisava dar uma descansada. Mas as notícias que saem sobre mim são um pouco deturpadas, mas a Bíblia diz que todas as coisas inverídicas um dia serão reveladas, por isso que eu fiquei um pouco no anonimato, sem aparecer.

CORREIO – E o que tem feito aqui em Marabá, depois que retornou?

Maurino Magalhães – Depois que vim para Marabá, e não sai mais. As minhas viagens são a trabalho, às vezes preciso ir a Belém porque continuo como presidente do meu partido (PR) aqui em Marabá.

CORREIO – Houve um zum zum zum de que o senhor seria nomeado diretor do DNIT em Marabá. Por que isso não se confirmou?

Maurino Magalhães – Realmente, isso quase aconteceu. Eu estava atuando informalmente junto ao Dnit dando celeridade aos projetos para nossa região para melhorar as BR’s 155, 222 e 230. E naquele momento eu deveria ser indicado diretor do Dnit em Marabá, mas aí juntou muita gente numa campanha contrária e acharam melhor não me nomear diante da pressão de alguns. Mesmo assim, fiquei dando apoio mesmo sem ser titular no cargo e tivemos um crescimento de atendimento da região. Cheguei a levar para uma audiência no Ministério dos Transportes, em Brasília, uma comitiva de 11 empresários de Marabá de setores diferentes para discutir o desenvolvimento regional.

CORREIO – Qual, o senhor considera, foi a principal obra de seu governo?

Maurino Magalhães – A duplicação da Transamazônica foi uma grande obra, que mudou a cara da cidade. Mas a obra que mais me orgulha é a regularização fundiária do município de Marabá. Hoje, quando olho para os bairros que ajudei colocando energia, como Bairro da Paz, Filadélfia, Bela Vista, São Miguel da Conquista, Coca-Cola, Francolândia, todos esses bairros não tinham iluminação, estavam no “gato”. E hoje deixamos esses bairros iluminados e os lotes regularizados em diversos logradouros. Isso tudo porque montei uma equipe de Planejamento só para fazer projetos e consegui em quatro anos mais de um R$ 1 bilhão em recursos. Depois, conseguimos 6.468 casas populares para Marabá através do Minha Casa Minha Vida. No meu tempo, não houve uma invasão na cidade.

CORREIO – O senhor passou 20 anos como vereador e quatro como prefeito. Não sente saudade do poder?

Maurino Magalhães – Eu sempre coloquei a minha vida na mão de Deus, que permitiu que eu ficasse fora da vida pública por um período para eu fazer uma reflexão, analisar quem eram meus verdadeiros amigos. Não sinto saudade e não esqueci.

CORREIO – Pretende se candidatar a algum cargo em 2016, se não for barrado pela Justiça?

Maurino Magalhães – Eu não fico fora da política de jeito nenhu, disputando mandato ou não. Mas esse projeto está nas mãos de Deus e do povo de Marabá, para prefeito ou vereador. Se eu não tiver condição de disputar, não vou, mas vou participar de alguma forma. Numa pesquisa que sempre faço, percebo que de cada 10 pessoas, quatro votam em mim, se fosse para prefeito.

CORREIO – Qual a renda de Maurino Magalhães na atualidade?

Maurino Magalhães – Hoje eu não tenho nenhuma fonte de renda, vivo do sítio e não estou empregado. O emprego que iria sair pra mim do Dnit não deu certo. Algumas pessoas disseram que eu sai muito rico de Marabá. Outras me deram posto de gasolina, outros fazenda no Mato Grosso. Eu disse o seguinte para uma delegada da Polícia Federal: eu vivi 24 anos no poder e autorizo qualquer autoridade a investigar meus bens durante todos esses anos. Assumi quase todos os cargos políticos de Marabá, mas não roubei. Um dia, um oficial de justiça veio me entregar uma intimação com piadinha. Falei para ele que faria uma procuração para ele ficar com tudo que ele encontrasse que não fosse minha casa e uma parte do sítio (ele é sócio com um primo). Bens que estivessem no nome de minha família, desde filhos, irmãos, mãe, tudo.

CORREIO – É verdade que o senhor procurou a Defensoria Pública para lhe defender de um processo porque não tinha dinheiro para paga advogado?

Maurino Magalhães – Isso é boato. Claudio Correia está advogando para mim sem me cobrar honorários, mas hoje, se fosse para pagar advogado, eu não teria grana mesmo. Primeiro, meu maior advogado é Deus e Ele sabe que estou falando a verdade. Eu ando de cabeça erguida, quando as pessoas começam a falar coisas contra mim, posso olhar no olho delas e no seu, como repórter, porque ganhei o que tenho através de meu trabalho.

Eu ando de cabeça erguida, não entrei na vida pública para enricar, senão era o homem mais rico de Marabá. Quando entrei para a política ganhava R$ 15 roçando juquira numa diária, no sol quente. A partir daí, comecei a viver no salário maior de vereador e depois de prefeito.

CORREIO – O senhor acredita que um dia vai conseguir limpar seu nome diante da opinião pública, que pensa que está rico?

Maurino Magalhães – Com certeza. Bens são bons, mas não representam tudo na vida. Bom é o caráter do homem. Nesse período como prefeito perdi uma parte da minha identidade. Antes de assumir como prefeito meu nome era 100% acreditado por todos, mas depois inventaram muitos falatórios. Mas ainda penso em regatar meu nome e minha dignidade. Meu nome eu não troco por 10 mandatos de prefeitos. Se Deus me permitir, quero um dia – não sei quando – voltar a ser prefeito de Marabá para resgatar a metade da minha identidade que ficou perdida.

CORREIO – O que o senhor mudaria em sua gestão, se começasse tudo de novo hoje?

Maurino Magalhães – Hoje eu mudaria muita coisa. Errar uma vez é permitido. Errar duas vezes no mesmo ponto é burrice, e eu não sou tão burro assim. Muitas equipes (de sua gestão) fizeram ações contra mim por questões políticas, mas posso afirmar que 80% trabalharam em prol do projeto para Marabá. Senão, não seria possível alcançar o que conseguimos. A equipe realizou muitos projetos importantes nas áreas da saúde, educação, assistência social, esporte, entre outras. Tudo isso num governo que dizem que não deu certo. Imagina se tivesse dado.

CORREIO – É verdade que o senhor se separou da esposa e ex-secretária de Assistência Social, Edileusa Magalhães?

Maurino Magalhães – Sim, é verdade. Isso aconteceu em maio do ano passado. Fiquei mais abalado que a saída turbulenta da prefeitura. Eu não esperava, depois de 16 anos de casado. Mas somos amigos e temos dois filhos e os criamos por intermédio da guarda compartilhada. Eu também pago pensão. Hoje, peço a Deus que ela seja muito feliz, porque é uma pessoa maravilhosa, não tem defeito. A única coisa que não deu certo foi a nossa relação conjugal. Quando uma pessoa diz que não quer mais, a gente não pode obrigar e eu não obriguei.

CORREIO – Pretende casar-se novamente?

Maurino Magalhães – Vou esperar um pouco e vê o que Deus tem para minha vida, porque tenho sete filhos fruto de três relacionamentos. Ficar sozinho é que eu não vou. Estou orando e pedindo para Deus uma companheira, que a escolha não seja minha, mas sim o direcionamento dEle. Se for para ter outra pessoa…

Maurino Magalhães – Continuo frequentando a igreja, aqui em Morada Nova, estava numa vigília até 4 horas da manhã no Bairro da Coca-cola. Não posso largar Jesus por nada, tudo pode me abandonar, tudo eu posso abandonar. A única coisa que eu não posso abandonar é Jesus.

CORREIO – Caso não consiga concorrer a cargo eletivo, apoiaria Tião Miranda ou João Salame em 2016?

Maurino Magalhães – Primeiro eu teria de consultar minha base, que é o PR, mas não tenho nada contra nenhum desses dois nomes. Apoiaria quem tivesse o melhor projeto por Marabá e a base acompanhasse. Mas não descarto ser vereador de Marabá, o que é uma honra para mim.

Reportagem: Ulisses Pompeu e Emilly Coelho / Foto: Arquivo

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