Confirmados
27.650
Recuperados
18.995
Óbitos
190

 Publicidade

MEIO AMBIENTE: Floresta de Carajás só é preservada por causa da Vale

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

Foto: João Marcos Rosa

Segundo o estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), intitulado “Barômetro da Sustentabilidade de Municípios com Atividades Minerárias no Estado do Pará”, a situação do Bem-Estar Ambiental de Parauapebas é uma das mais confortáveis entre os municípios minerários analisados, atrás apenas da condição de Ourilândia do Norte. E que a verdade seja dita: a Vale, neste quesito, tem grande influência no destaque positivo local.

Em dois importantes quesitos (estoque de florestas e desmatamento), Parauapebas ganha o título de sustentável. Entra em cena, então, o papel da mineradora e sua atuação como mantenedora da Floresta Nacional de Carajás (Flonaca). Certamente, se a tutela da floresta estivesse com qualquer outra organização (governamental ou privada), a Flonaca não estaria mais de pé, com o próprio aval de Parauapebas.


Na Amazônia, sempre foi mais importante desmatar, por questões econômicas, do que preservar, quando a prioridade deveria ser o contrário, pelas mesmíssimas questões.

Da floresta para os rios. No tocante ao abastecimento de água, Parauapebas aparece como “potencialmente sustentável”. Mas que ninguém se engane: não é pelo coitado do rio que lhe empresta nome. Se fosse apenas pelo Rio Parauapebas, o município seria o rei da insustentabilidade, dada a situação de degradação a que condenaram o seu principal fornecedor de líquido precioso.

Hoje, Parauapebas só está “potencialmente sustentável” porque debaixo de suas terras pulsa uma considerável rede hidrográfica que leva até mesmo artérias sofridas, maltratadas e estouradas, como o Igarapé Ilha do Coco, a não desistirem de viver, apesar de estar perdendo as forças e a batalha contra infames.

E como nem tudo são flores no quesito ambiental, além da precária rede de esgoto, que corre a céu aberto e, não raro, faz a sede urbana feder, como comida podre cozinhada sob o sol escaldante de quase 40 graus, Parauapebas ganha destaque negativo no Barômetro da Sustentabilidade pela alta incidência de focos de calor e queimadas.

Para se ter ideia de como o município literalmente pega fogo, em relatório divulgado na tarde deste domingo (16), o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) informa que, desde o dia 14, foram registrados em Parauapebas nada menos que 87 focos de calor, a maior parte dentro da cidade, que é monitorada por satélites de alta eficiência do instituto.

Ao que tudo indica, o município mais rico do interior paraense – e um dos que ainda têm florestas mais bem preservadas – insiste em caminhar à margem da sustentabilidade, ainda que alguma coisa ou outra dê certo. O fogo que o consome, por dentro e por fora, é um dos sinais de que muita coisa precisa mudar. E urgente.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo / João Marcos

Publicidade

Veja
Também