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Número de casos de leishmaniose é preocupante em Parauapebas

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Um percentual altíssimo de resultados positivos nos testes para Leishmaniose feitos em animais nas clínicas particulares de Parauapebas, confirma a gravidade do caso no município que é refletido também no número de pessoas, principalmente crianças, que dão entrada no Hospital Geral de Parauapebas (HGP) com sintomas e posterior confirmação da doença. “Nesta semana fizemos aqui nove sorologias em cães, dos quais, cinco deram positivos”, mensura a médica veterinária Delaine Pereira, entrevistada pela equipe de reportagens do Portal Pebinha de Açúcar, apontando que pelo menos 80% dos exames feitos este ano, naquela clínica, deram positivos para leishmaniose.

A veterinária conta que os mais afetados são os cães de porte médio e grande, por ficarem expostos no quintal, já que no período noturno, a fêmea do mosquito flebótomo (Lutzomyia longipalpis), conhecido como Mosquito Palha, birigui ou tatuquiras, sai à procura de alimento, sangue animal.


As clínicas oferecem sorologia de Rip e Elisa, mas, como avalia Delaine, devido ao custo ainda não ser acessível, muitos donos de animais não realizam; a região não conta com laboratório para a realização do exame mais completo, sendo feito apenas em Belém, outros quando fazem e tem um resultado positivo, preferem sacrificar o animal, já que o tratamento também custa caro e depende do peso animal.

Médica veterinária Delaine Pereira

 

Mas, a situação preventiva, não depende apenas do dono dos cães, pois, mesmo cuidando bem de seu quintal e do espaço usado pelo animal, “o perigo mora ao lado”, sendo o principal agravante, os terrenos baldios. “Neles ocorrem decomposição de matéria orgânica, podendo ser folhas, fezes de animais e até o próprio animal morto; e é ali que os mosquitos se reproduzem e as fêmeas visitam os quintais e infectam os cães e até mesmo as pessoas”, avalia Delaine, dando como prova que o Bairro Cidade Jardim tenha muitos casos fomentado pelo grande número de terrenos tomados pelo mato, o que dá a entender que a solução é urbanidade, e isto precisa ser feito por todos, inclusive o poder público.

Mas, enquanto isto não é feito, a recomendação para proteger seu animal é que se use os recursos repelentes que já existem à disposição nos pets shops, que são as coleiras, pipetas, sprays, além da vacina que deve ser ministrada após os quatro meses de vida e depois de fazer os testes para saber se o animal ainda não está contaminado. A vacina é ministrada em três doses, com intervalos de 21 dias, com reforço anual de mais uma dose. “Tendo estes cuidados não precisa deixar de criar um cão ou outro animal de estimação”, orienta Delaine, alertando que a fêmea do Mosquito Palha, transmissor da Leishmaniose, evoluiu e agora já é capaz de contaminar também gatos, caso já confirmado em diversas cidades.

Após ter o parecer do profissional em saúde animal, nossa equipe de reportagens procurou a Secretaria Municipal de Saúde através do Departamento de Vigilância em Saúde para saber quais as medidas que estão sendo tomadas pelo poder público.

De acordo com o entendimento do departamento, a situação da Leishmaniose em Parauapebas é ascendente – assim como no Estado do Pará. Tendo no primeiro quadrimestre de 2017, confirmados, 50 casos de Leishmaniose Tegumentar, forma clínica menos agravante – da qual ataca a pele, e um caso de Leishmaniose Visceral. Neste ano, 2018, houve um aumento considerável de casos confirmados de Leishmaniose, pela facilidade do diagnóstico – com aquisição do teste rápido para humanos, adquiridos pela Secretaria de Saúde no mês de outubro de 2017. Sendo confirmados 19 casos e nenhum óbito.
Por se tratar de diagnóstico difícil, antes dependia do envio da sorologia do paciente ao Laboratório Central (LACEN – PA) situado em Belém até a confirmação do diagnóstico.

O Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, frisa o aumento de casos confirmados pela facilidade do diagnóstico, o que reflete no aumento de casos, porém, inicia-se o tratamento em tempo hábil após a confirmação do diagnóstico.

Para auxiliar na prevenção e tratamento está em fase de conclusão a criação da UVZ – Unidade de Vigilância em Zoonoze, ainda nos trâmites da legislação e da licitação para aquisição de alguns materiais permanentes, mesmo assim, o atendimento voltado para controle de zoonoses – principalmente na realização de teste rápido para Leishmaniose em animais, está sendo feito em domicilio.

Para ter acesso ao serviço, o morador pode acionar através da Secretaria de Saúde pelo telefone 3346-1020 Ramal: 257 (Vigilância Ambiental) ou no próprio Departamento da Vigilância em Saúde, situado no térreo da SEMSA. O agendamento é dividido por dias da semana para demandas espontâneas da população, e as ONGs protetoras de animais – da qual são grandes parceiras na reponsabilidade dos animais errantes.

Ainda de acordo com o departamento, está em fase de conclusão a aquisição de 10 mil doses para castração química, o que terá um resultado positivo ao longo prazo, diminuindo o número de animais abandonados.

Uma demonstração de preocupação com a Leishmaniose, foi a reunião ocorrida na terça-feira, 24 de abril, quando os Secretários de Saúde, Urbanismo e Meio Ambiente, equipe técnica e chefe de Gabinete, discutiram um plano de contingência no combate a Leishmaniose que posteriormente será divulgado à população e somado forças as ONGs protetoras de animais.

Outra força no combate à doença é a educação em saúde, aumento nos dias da semana para recolhimento de entulhos para propiciar o controle vetorial que tem por objetivo evitar ou reduzir o contato entre o inseto transmissor e a população humana/animal a fim de minimizar o risco de transmissão de doenças. As atividades voltadas ao controle vetorial buscam interromper o desenvolvimento do vetor ou reduzir seu ciclo de vida. Além da visita domiciliar do Agente de Endemias que é de grande importância na orientação “in loco” sobre a eliminação de possíveis foco no domicílio.

Mas, recomenda-se que a população é estritamente importante na prática das informações recebidas contribuindo na não propagação do mosquito palha, que se propaga intensamente no acúmulo de lixo, principalmente orgânico, adotando ações que eliminam ou diminuem a proliferação de vetores como a poda de árvores, limpeza de quintais – principalmente no recolhimento nas fezes de animais, não criação de aves no meio urbano, etc.

 

Além disto, está sendo feito o controle químico do vetor por meio da utilização de inseticida de ação residual (longa duração), sendo recomendado para a proteção coletiva. Esta medida é direcionada para a eliminação do inseto adulto e tem como objetivo evitar e/ou reduzir o contato entre o inseto transmissor e a população humana, consequentemente, diminuir o risco de transmissão da doença. Essa medida é realizada em áreas com registro do primeiro caso autóctone de LV humano, imediatamente após a investigação entomológica. O controle químico residual consiste no uso de inseticidas para o controle do vetor na fase adulta borrifando paredes internas e externas das casas e anexos e sua ação dura por um longo período (média de 3 a 4 meses).

Outro importante trabalho feito pela equipe de Endemias do Departamento de Vigilância em Saúde, é a vigilância entomológica por meio de armadilhas distribuídas em diversos pontos da cidade. Conforme relatório de monitoramento realizado pela equipe técnica do LAENT/LACEN em conjunto com os Agentes de Combate às Endemias de Parauapebas verificou-se que de 405 insetos capturados 376 pertenciam à espécie Lutzomyia longipalpis, principal vetor da leishmaniose visceral. Os demais não apresentam importância médica entomológica.

Reportagem: Francesco Costa / Da Redação do Portal Pebinha de Açúcar

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