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Parauapebas alcança recorde histórico de produção de minério

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Não é novidade que a mineradora Vale alcance, anualmente, sucessivos recordes de produção de minério de ferro na Serra Norte, uma porção de Carajás localizada dentro do município de Parauapebas. Mas a própria grandiosidade dos números traz, a cada dia, uma novidade diferente: em janeiro deste ano, Parauapebas alcançou a produção de 11,23 milhões de toneladas de minério de ferro, um volume histórico para início de ano. Os dados foram apresentados com exclusividade à Reportagem do Pebinha de Açúcar pelo titular da Secretaria de Mineração, Energia, Ciência e Tecnologia (Semmect), Flávio Veras, na manhã desta sexta-feira (10).

De acordo com Veras, que lança mão de dados levantados pelo engenheiro de minas André Santos junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e ainda não divulgados oficialmente, o valor de venda do minério de Parauapebas ao exterior rendeu 602 milhões de dólares em divisas para o Brasil, apenas no mês de janeiro. Isso é o triplo do registrado em janeiro do ano passado. Vale ressaltar que janeiro geralmente é marcado por chuvas, o que diminui o ritmo da lavra.


“Esses números nos fornecem informações sobre a dinâmica do setor mineral para a economia nacional e, particularmente, para o município de Parauapebas. Nosso município é o maior minerador do país”, esclarece o secretário, destacando que é necessário a sociedade ter dimensão do que a mineração local movimenta para, conjuntamente, propor medidas que fortaleçam a economia local e a tornem cada vez menos dependente da indústria extrativa. “Os minérios são de Parauapebas, mas a indústria extrativa não. Quando a mineração findar seu ciclo, a indústria extrativa vai embora minerar em outro local. Será se estaremos preparados socioeconomicamente para tocar Parauapebas? Precisamos debater e refletir sobre isso.”

Em entrevista ao Portal logo após ter sido eleito, o prefeito Darci Lermen comentou que é preciso canalizar os recursos da mineração para a promoção do desenvolvimento social e sua gestão se mostra bastante empenhada nessa realização. “Vamos trabalhar para que o povo de Parauapebas se sinta bem e feliz em viver aqui”, destacou.

NÚMEROS

O jornalista e engenheiro de minas André Santos, maior autoridade nos números da mineração regional, informou que 53% do que o Pará exportou em janeiro, em dólar, saíram exclusivamente do minério de ferro de Parauapebas. Ele revelou que o Pará exportou 1,14 bilhão de dólares no mês encerrado e que Parauapebas, Canaã dos Carajás e Curionópolis são diretamente responsáveis por 56% dessa dinheirama apenas com ferro, totalizando 639 milhões de dólares. Santos faz comparações dos diversos janeiros.

“Em 2015, Parauapebas produziu 7,65 milhões de toneladas de minério de ferro que foram vendidas por 328,4 milhões de dólares. No começo do ano passado, com o preço ainda fraco e o dólar em queda, o valor caiu para 193,5 milhões de dólares, mesmo a produção tendo crescido consideravelmente, para 9,4 milhões de toneladas”, informa.

Ainda assim, segundo ele, o que se verifica agora é triunfal, mas acende o alerta. É que foram retirados mais minérios. O que acontece, então, quando se retira mais minério? Aumenta o ritmo da exaustão. “Todo mundo precisa entender que o minério de ferro não é uma vaca, que pare um bezerro, que cresce e pare outro, e aí lota o pasto. O que temos de minério na região, a mãe natureza demorou milhões de anos para gerar, mas a competência da tecnologia, por meio de suas supermáquinas, e a gulodice do mercado internacional vão exaurir tudo em duas décadas, conforme, entre outros fatores, a viabilidade econômica”, declara.

RELATÓRIO DE 2016

Na próxima quinta-feira (16), a mineradora Vale divulgará, em sua sede no Rio de Janeiro, os números de sua produção referente ao exercício encerrado de 2016. É um relatório que movimenta o mercado de commodities minerais porque este se guia no balanço da empresa, que é considerada a maior produtora de minério de ferro de alto teor do globo. Quando a produção anunciada aumenta, é sinal de que o mercado está conseguindo absorver com vigor o produto. O resultado da produção é sensivelmente importante para municípios como Parauapebas, de onde foram lavrados 140 milhões de toneladas de minério de ferro no ano passado, uma vez que aponta os rumos da atividade e redimensiona o potencial das jazidas, que a cada ano diminui consideravelmente. Infelizmente, em nenhum dos relatórios da Vale o nome de Parauapebas aparece, mesmo sendo a unidade territorial do mundo que mais dá lucro companhia. Tudo se resume a “Carajás” — que é termo muito amplo (há porções de Carajás espalhadas em pelo menos quatro municípios) e faz Parauapebas sucumbir.

De hoje, também, a duas semanas, a empresa divulgará seu relatório financeiro referente ao ano passado, o balanço mais aguardado pelo mercado. A Vale vai anunciar lucro para animar seus investidores, que ficam eufóricos, injetam mais dinheiro e fazem as ações disparar, renovando o ciclo de confiança e valorização nos papéis da mineradora. Empregados também ficam felizes.

A menos que o preço do minério de ferro caia bruscamente para a metade do que está atualmente (cerca de 86 dólares por tonelada), nada deve abalar as aspirações da mineradora Vale, que ainda deve contabilizar um ano cheio de recordes.

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