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Parauapebas tem rombo de mais de R$ 50 milhões em massa salarial em 2015

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No ano que passou, o município de Parauapebas viu sair de cena R$ 52,4 milhões em salários e décimo terceiro com a demissão de 3.053 trabalhadores. É o maior rombo proveniente de baixas em carteiras de trabalho da história da “Capital do Minério” brasileira. O impacto disso atinge diretamente o comércio local, que assiste atualmente ao cerramento de muitas portas de estabelecimentos, diferentemente de anos atrás, quando em cada esquina se abria um ponto comercial. Sem dinheiro ninguém compra, e, se a população se sente receosa de gastar, o comércio estagna. O efeito é cascata e a situação, dramática.

Ao longo do ano passado, 22.418 pessoas conseguiram arranjar emprego em Parauapebas, mas 25.471 foram mandadas ao olho da rua. O saldo disso, negativo, fez cair o salário médio das contratações. Com medo de perder emprego e não conseguir colocação no mercado, o trabalhador se vê obrigado a negociar com o patrão e sujeita-se a ganhar muito menos que sua remuneração anterior.


Até 2012, Parauapebas detinha o posto de município com o maior salário médio de carteira do Pará, mas foi ultrapassado por Altamira (influenciado pela alta nas contratações para as obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, do governo federal) e Canaã dos Carajás (no qual está sendo implantado o projeto de mineração S11D, da Vale).

NÚMEROS DA CRISE

Em 2015, a crise financeira que já vinha assolando o município desde 2014 se agravou, embora muitos resistissem em enxergar. Com a conclusão dos trabalhos de ampliação de capacidade das minas de ferro na Serra Norte de Carajás e, principalmente, com a baixa do preço do minério no mercado internacional, muitas empresas foram embora, encerrando um ciclo de implantação e mão de obra temporária, e muitos trabalhadores foram demitidos por conta, de também, redução de custos.

Paradoxalmente, o setor da Indústria Extrativa Mineral foi o único que apresentou crescimento no número de carteiras assinadas, com o total de contratações (1.552) superando o de demissões (1.197) em Parauapebas. Mas como isso foi possível se, no município, a mineração vem sendo afetada por causa do preço do minério de ferro?

A explicação é simples: como Parauapebas é o polo multisserviços de mineração da região, muitas empresas do ramo que possuem operações em outros municípios contratam mão de obra daqui. Assim, centenas de trabalhadores dos projetos S11D, em Canaã dos Carajás, e Salobo, em Marabá, por exemplo, assinam carteira como se estivessem empregados em Parauapebas, mas sequer moram aqui. O mesmo acontece em Canaã e Marabá, que têm trabalhadores que assinam a carteira lá, mas que residem em Parauapebas. Foi exatamente isso – uma espécie de maquiagem nos números das contratações – que fez o setor da Indústria Extrativa Mineral parauapebense apresentar crescimento, o que, do contrário, acentuaria a crise. Nesse ritmo, a mineração sozinha movimentou R$ 8 milhões em massa salarial com os novos e onipresentes contratados.

Por outro lado, como nos demais setores não é possível maquiar as contratações, a realidade veio à tona. E de forma sombria. A Construção Civil, setor mais afetado pela crise, perdeu 1.331 postos de trabalho, com salário médio de R$ 1.470. Na ponta do lápis, foram perdidos ano passado, entre salários e décimo terceiro, R$ 25,4 milhões. A falta de perspectivas no setor e a miríade de imóveis vagos, com placa de aluguel ou venda em Parauapebas, afugenta a ideia de novas e pujantes construções, por mais endinheirado que seja o investidor. E se ninguém constrói, ninguém é contratado para construir.

Depois da Construção Civil, o setor de Serviços é o que enfrenta a maior barra. Um dos maiores sustentáculos da mineração, o setor de Serviços viu 1.480 pais de família parauapebenses irem parar na rua, causando impacto de R$ 24,6 milhões em salários.

Por seu turno, a Indústria de Transformação fechou 437 postos de trabalho e o impacto disso foi R$ 8,2 milhões em salários. Já o Comércio demitiu 100 trabalhadores, causando um rombo de mais de R$ 1,3 milhão, enquanto o setor da Agropecuária assistiu ao desligamento de 39 postos, com mais de R$ 500 mil de remunerações perdidas. O ramo dos pequenos Serviços Industriais despacharam 21 trabalhadores, com impacto de mais de R$ 300 mil.

As ocupações que mais sofreram com a crise, em números de demissões, foram as de servente de obras, com mais de R$ 2,5 milhões em perdas de salário; trabalhadores de minas, com R$ 2,2 milhões de salários perdidos; técnicos de segurança do trabalho, com R$ 2,6 milhões.

Os dados, oficiais, são informados pelas próprias empresas instaladas em Parauapebas que contratam e demitem, estão disponíveis e são de acesso público na plataforma do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). As atualizações são feitas mensalmente.

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Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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