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PRAGAS URBANAS: Falta de consciência ambiental reina e castiga a ‘Capital do Minério’

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Em Parauapebas, que tem 155 mil habitantes na sede municipal, toda sinfonia musical é válida para anestesiar a sociedade quanto aos graves problemas ambientais que assolam seus espaços públicos e suas áreas de proteção, problemas esses cultivados pelo crescimento demográfico desordenado de que a cidade se tornara vítima no decorrer do processo de formação.

Como o homem insistiu em invadir a natureza em Parauapebas para além do previsto e do tolerável, avançando sobre morros, encostas e beiras de rios e igarapés, acabou por assanhar uma nuvem de insetos que, aos olhos, é quase imperceptível, ainda assim compõe a causa de alguns males mórbidos do município.
Estudo realizado em 2009 por uma consultoria ambiental, para respaldar um grande projeto habitacional na cidade de Parauapebas, revelou que pela área urbana e entorno voam nada menos que 87 espécies de mosquitos vetores de doenças. Isso mesmo: 87. Entre os vilães estão os transmissores da dengue e da febre amarela.
Grosso modo, devido ao fato de o homem ter chegado perto demais de onde não deveria, os insetos assanharam-se e se dissolveram cidade adentro. Isso – associado à falta de saneamento básico e à inconsciência ambiental que reina – tem brindado Parauapebas com, por exemplo, a superconcentração de casos de dengue, doença em relação à qual o município é o terceiro pior, entre os 144 do Pará, atrás apenas de Belém e Santarém.


LEISHMANIOSE
Na lista dos “diabos de asas”, existe um grupo de “guerreiros da morte” que se tornou praga na cidade porque a expansão sem ordenamento territorial enxotou seus predadores e controladores biológicos. É a família Psychodidae, cujos mosquitos causam pavor à saúde pública, haja vista alguns de seus membros serem vetores do protozoário causador da leishmaniose.
A cidade de Parauapebas convive, conforme pesquisa realizada em 2010 por estudiosos do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), com 69 espécies de mosquitos flebotomíneos, divididos em três gêneros: Psychodopygus, Lutzomyia e Brumptomyia.
Não é preciso ser cientista para ter a noção de que a modificação da vegetação nas imediações da cidade causou redução da fauna predadora dos mosquitos e, por tabela, aumentou o número de insetos vetores de alguma espécie de Leishmania. O homem, por seu turno, contrai essa zoonose quando entra em contato com os ciclos silvestres de transmissão, ao nadar no Rio Parauapebas, acampar ou devastar as florestas. E mesmo em casa, tranquilo, ele pode ser infectado.

Em Parauapebas, o mosquito-palha e a mosca-de-banheiro são os principais difusores da doença, que fez 490 vítimas da leishmanione tegumentar – a qual acomete pele e mucosas – entre 2007 e 2012, de acordo com o Ministério da Saúde. São mais casos em cinco anos do que em Marabá, onde foram notificados 439.
No segundo município mais rico do Pará, o dinheiro tem sido “pouco” para ações de meio ambiente e, também, para fazer frente aos 82 casos de leishmaniose notificados em 2007; 68 em 2008; 67 em 2009 e igual número em 2010. Para piorar, em 2011, houve um surto de 100% no número de pessoas vítimas da doença em relação ao anterior: foram registrados 135 casos. Em 2012, caiu para 71.
Pode parecer um número pequeno, mas implica dizer que, de cada cem mil parauapebenses, 44 poderão ser acometidos por essa moléstia. No Brasil, a média é quatro vezes menor: 11 para cem mil. Na cidade de Parauapebas, a natureza foi forçada a dar lugar a uma série de lástimas que não existiriam se ela fosse preservada.

Reportagem: André Santos

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