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Projeto S11D pouco beneficia Canaã dos Carajás

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Apesar da instalação do projeto S11D da mineradora Vale, que visa aumentar a produção do minério de ferro na região de Carajás, representantes do setor comerciário de Canaã dos Carajás não conseguem enxergar benefícios para o município. Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Canaã (Aciacca), a mão de obra local não é valorizada e o dinheiro que os trabalhadores vindos de fora recebem não circula na própria cidade.

O motivo seria o fato desses operários, cerca de 5.200 na fase de implantação, terem poucas necessidades de gasto na cidade. “Eles compram pouco na nossa cidade. Não empregam o pessoal de Canaã, trazem a maioria dos funcionários de fora e não gera renda aqui, porque as pessoas que vêm de fora ficam no alojamento e não têm despesa com nada, tem tudo dentro do alojamento. Isso é um prejuízo muito grande para o nosso comércio”, diz Anderson Mendes dos Reis.


Ele acrescenta que as instalações do projeto ficam a 43 quilômetros da cidade e os trabalhadores só vêm aos finais de semana. Segundo Reis, outro fator que prejudica a circulação de dinheiro em Canaã é a insuficiência de agências bancárias. “São poucos caixas eletrônicos e poucos funcionários. Quando é na época de pagamento, não tem dinheiro no caixa, nem caixa eletrônico funcionando. Eles vão para Parauapebas sacar o dinheiro e por lá mesmo gastam”, exemplifica o presidente da Aciacca.

De acordo com ele, 70% dos operários da Vale e das empreiteiras contratadas recebem o pagamento em uma das poucas agências da cidade, que possui 112 metros quadrados e apenas dois caixas eletrônicos. Reis afirma que o outro banco até oferece uma estrutura mais ampla, porém tem poucos funcionários e falta dinheiro no caixa.

Para tentar melhorar a situação, o presidente conta que representantes do setor comerciário realizaram um manifesto pedindo a abertura de uma nova agência bancária em Canaã. Como resultado disso, segundo Reis, um contrato foi assinado por um dos bancos e a previsão para iniciar a construção da nova filial é na próxima terça-feira, dia 10 de junho.

Pertencente ao ramo imobiliário, o empresário Roberto Andrade Moreira admite que o município tem sofrido uma retração econômica, mas acredita que esse efeito é menor em relação ao resto do país. No que diz respeito ao mercado de imóveis, ele afirma que os loteamentos, por exemplo, apresentam boa saída, principalmente na compra parcelada.

Sobre o custo de vida em Canaã dos Carajás, considerado alto em comparação a outras cidades, o empresário avalia que não vai mudar muita coisa, mesmo com o crescimento populacional. “O custo de vida em Canaã e cidades vizinhas dessa região sempre foi acima de outras. Porém, não vejo que vai aumentar, ele vai manter o que já tinha antes”, defende Moreira.

Em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Canaã dos Carajás era de 26.716 habitantes. Em 2013, ano em que iniciou a implantação do projeto S11D, a estimativa populacional era de 31.062. “Nós canaãnenses sabemos que essa atualização do IBGE é em cima de uma média nacional e o crescimento de Canaã é muito acima de uma média nacional. Imaginamos que Canaã já ultrapassa os 50 mil habitantes”, pontua o empresário.

Reportagem: Esaú Moraes e Emilly Coelho – CT Online / Foto: Arquivo

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