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Quarentena esconde violência contra a mulher em Parauapebas

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Estudo realizado pelo Fundo Populacional da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta: durante a pandemia da Covid-19, os casos de violência contra a mulher devem aumentar em 20% em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é de que, a cada uma hora, 503 mulheres sejam vítimas da violência doméstica durante esse período.

Mas não é o que vem sendo registrado pelos boletins de ocorrência feitos em março deste ano no Brasil, que mostram queda nos índices. No Pará, por exemplo, o número dos chamados BOs diminuíram em 13,2% em comparação a março de 2019; no Ceará, em 29,1%; e no Rio Grande do Sul, em 9,4%.


Em Belém, a Delegacia da Mulher registrou uma queda significativa entre 16 de março e 2 de abril, quando 152 casos foram denunciados contra 265 no mesmo período de 2019. Uma diminuição de 43% no índice de denúncias.

No País, as ligações para o serviço 180 também caíram em março, de 8.440 denúncias para 7.714. No Pará, a queda foi de 39,3%: de 219 ligações no ano passado para 133, neste ano. Por outro lado, aumentou o número de concessão de medidas protetivas pelo Tribunal de Justiça do Pará (TJPA): de 628, em março de 2019, para 684, em março deste ano. Um aumento de 8,9%.

O número de homicídios de mulheres no primeiro trimestre deste ano também evoluiu no Pará, de 51 para 57; e o de feminicídio foi ainda maior, de 7 para 20, um crescimento de 185,7%.

Todos esses dados fazem parte do relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em abril deste ano. “Embora a quarentena seja a medida mais segura, necessária e eficaz para minimizar os efeitos diretos da Covid-19, o regime de isolamento tem imposto uma série de consequências não apenas para os sistemas de saúde, mas também para a vida de milhares de mulheres que já viviam em situação de violência doméstica”, aponta o documento.

Com o coronavírus, acrescenta o relatório, as mulheres estão sendo obrigadas a permanecer mais tempo no próprio lar junto a seu agressor. “Uma das consequências diretas dessa situação, além do aumento dos casos de violência, tem sido a diminuição das denúncias, uma vez que em função do isolamento muitas mulheres não têm conseguido sair de casa para fazê-la ou têm medo de realizá-la pela aproximação do parceiro”.

Em Parauapebas, a prefeitura está alerta para essa situação. E orienta as mulheres para que não tenham medo em denunciar. “É importante lembrar que a mulher não precisa denunciar o agressor para ser atendida; basta entrar em contato pelos telefones, que os profissionais de plantão irão auxiliá-la a traçar o melhor plano de segurança pessoal, e se necessário, encaminhará a vítima e seus filhos para o  Abrigo de Mulheres, em casos de risco de morte”, assegura a secretária municipal da Mulher, Ângela Silva.

As denúncias podem ser feitas pelos telefones (94) 99101-2172/ 9810-85524, que disponibiliza atendimento 24 horas a todas as mulheres vítimas de violência. Psicólogos, assistentes sociais e advogados estão disponíveis para atendê-las.

 

Estratégias de segurança

Consciente de que a pandemia tem intimidado as mulheres vítimas de agressão, a Semmu lista estratégias para enfrentamento à violência doméstica durante o isolamento social. “São estratégias fundamentais para manter a segurança das vítimas”, garante Ângela Silva.

A Semmu pontua:

  • traga alguém da família para casa;
  • esconda objetos pontiagudos;
  • retire de casa possíveis “gatilhos” e potencializadores, como bebidas alcoólicas e drogas;
  • avise familiares e vizinhos sobre o que está acontecendo e mantenha contato com sua rede de apoio por meio de telefones e aplicativos, e-mail e outras redes sociais.
  • identifique um lugar que possa ir caso precise sair de casa imediatamente;
  • trace um plano de proteção para você e seus filhos.

Vizinho precisa, sim, meter a colher

Diante dos problemas que mulheres se veem para denunciar violência sofrida, a Semmu lembra a campanha “Em briga de marido e mulher, meta a colher”. Isso ajuda a salvar vidas, conforme observa a secretaria. “Se ouvir gritos, choro, quebradeira, briga, ligue e denuncie! A denúncia é anônima e pode ajudar a salvar vidas. Principalmente neste momento em que a vítima está afastada do seu círculo social”.

 

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