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RICO POBRE: Batendo recorde em exportação, Marabá tem 40 mil desempregados

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Nunca antes, em sua história de quase 104 anos, o município de Marabá esteve tão importante para a economia brasileira como em 2017. Nos últimos cinco anos, desde que o projeto de cobre Salobo começou a operar, a presença de Marabá na Balança Comercial do país passou a ser eufórica. Da posição de número 100, o município hoje é o 24º maior exportador do Brasil e o número 11 em geração de lucro para o país. Em janeiro e fevereiro, Marabá exportou 251,4 milhões de dólares, 52,5% a mais que o mesmo período do ano passado.

Há quatro anos, neste mesmo Portal Pebinha de Açúcar, o engenheiro de minas André Santos, que também é jornalista, escreveu que Marabá entraria para o pelotão dos 20 maiores exportadores do país, mediante o sucesso comercial de Salobo. Naquela época, o município se encontrava na 96ª colocação, ainda com volume mínimo de exportações de cobre em concentrado, minerados pela Vale, que é autora do Salobo.


Atualmente, a projeção do engenheiro de minas está praticamente concretizada (em janeiro deste ano, Marabá chegou a ser o 21º maior exportador; leia em AQUI, e ele prevê que, mediante a terceira expansão do Salobo, Marabá entre no rol dos 15 gigantes do Brasil em exportações. “No primeiro bimestre de 2017, as exportações de cobre em concentrado originárias de Marabá aumentaram 30% e as de manganês, impressionantes 2.130%. Decorre disso o galope no ranking, que faz de Marabá o município médio do Brasil que mais posições subiu na balança comercial desde 2012”.

Segundo Santos, a mineração mudou a vocação econômica de b, que deixou de ser um município guseiro e comercial para tornar-se detentor da mais poderosa indústria extrativa de cobre do Brasil. “A questão é: o desenvolvimento social de Marabá tem acompanhado o progresso da indústria extrativa local? As pessoas têm passado a viver melhor, com qualidade, emprego e renda, de forma tão especial como a evolução de Marabá na Balança Comercial”, indaga o especialista. “Evidentemente, não. Os indicadores sociais de Marabá são vexatórios. A área urbana está esburacada, a população não para de crescer à sombra da espera de grandes projetos, e Marabá parou no tempo. Os índices mais recentes e de espectro nacional que mensuram qualidade de vida apontam que Marabá é um município que chegou ao século 21 vivendo como se estivesse num Brasil de 20 anos atrás”, relaciona.

CATÁSTROFE SOCIAL

De acordo com ele, enquanto a média brasileira de remuneração de um trabalhador formal é de R$ 2.655,60, mesmo num país em crise, em Marabá a média fica em R$ 2.211,66, o que aponta para a precariedade no quesito distribuição de renda. Isso leva, por tabela, a problemas como pobreza e inadimplência, haja vista os preços praticados em Marabá estarem acima da média nacional. “O trabalhador marabaense ganha R$ 400 a menos em relação ao resto do Brasil, mas os preços por aqui são mais altos em alimentos, vestuário, produtos de higiene e limpeza, transporte, gasolina, entre outros. O marabaense é um povo malabarista, já que tem de dar conta de pagar caro pelo básico com o pouco que ganha”, diz, afirmando que, conforme as estatísticas, o município concentra um batalhão de 40 mil desempregados e quase 30 mil pessoas em situação de pobreza extrema.

Enquanto isso, alheio a seus dilemas internos, Marabá vai seguindo firme rumo ao topo dos maiores exportadores do Brasil, despertando o interesse dos mais ávidos negociadores internacionais — alemães, suecos e chineses que, juntos, compram 60% dos produtos locais. “Se o cobre existisse com a mesma abundância do volume de minério de ferro, Marabá seria hoje o maior município brasileiro em termos de exportação, arrecadação de royalties e blá-blá-blá. Mas tudo, absolutamente tudo, iria continuar como dantes, no quartel de Abrantes. Desenvolvimento social: zero”, lamenta, confiando que a atual gestão promova a transformação de que Marabá precisa, sem esperar que grandes projetos sacudam o município e tragam, a reboque, mais miséria e atraso após o término de cada implantação. “Marabá precisa sair da fossa”, encerra.

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