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Salário chega a fundo do poço e engenheiros são vítimas de ‘descomissionamento’

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Salário é algo que mexe com o imaginário das pessoas. Quem nunca teve curiosidade para saber quanto “seu fulano” ganha que atire a primeira pedra. Além de aguçar curiosidade, salário causa fofoca, especulação, cobiça, inveja, intrigas. Na profissão de engenheiro de minas, causa distância — tanto entre os que ainda estão no batente no Brasil quanto em relação ao passado próspero, daquilo que foi sem nunca ter sido.

Até dois anos atrás, havia engenheiro de minas no país assinando carteira com R$ 36 mil mais benefícios. Era o maior frisson nos cursos de graduação sonhar em sair da universidade, arranjar um bom emprego e ganhar rios de dinheiro. O sonho virou desilusão. Na verdade, muitos já nem dormem por causa do fantasma do desemprego.


Em 2016, o maior salário em carteira pago a engenheiro de minas foi de R$ 22.325,50, a profissionais especialistas em projetos no Rio de Janeiro, área em que, aliás, está havendo um verdadeiro desmonte de engenheiros, literalmente. E detalhe: é salário limpo e seco, ilustrando uma velha técnica conhecida na mineração: o descomissionamento (aqui, significa sem comissão mesmo: acabou o velho e gordo “por fora” mensal para alguns iluminados engenheiros; agora é pegar ou largar). Os últimos “moicanos” sobreviventes nas bandas da Região Sudeste se veem apreensivos diante da possibilidade de anoitecerem e não amanhecerem no cargo.

E quanto foi o menor salário? Divida o maior salário do Rio de Janeiro por 29,94. Dividiu? Pois é. Esse resultado foi o menor salário a que se sujeitou um profissional que passou cinco anos no banco da universidade, “divertindo-se” em madrugadas a fio com matemática, física, química, mineralogia, entre outras “artes”. Não que ganhar R$ 895 não seja digno, longe disso; mas é injusto e denota a falência a que chegou o sistema de geração de emprego e renda na mineração brasileira, bem como o acirramento na indústria extrativa mineral, que prima por otimizar custos e onde o trabalhador é herói e vítima de si mesmo.

Em 2016, ano em que o preço da tonelada do minério de ferro acumulou ganhos de mais de 80%, a coisa só não foi pior nas tabelas do Caged porque grandes empreendimentos como o S11D, da mineradora Vale, começaram a admitir, equilibrando o baque, notadamente no Pará. Mas este ano, porém, as demissões seguiram de vento em pompa, embora em ritmo mais lento, uma vez que quase não tem sobrado mais engenheiros de minas para mandar para casa, especialmente após a hecatombe que dizimou, nos últimos 24 meses, quase duas mil almas trabalhadoras de seus postos.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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