Confirmados
27.650
Recuperados
18.995
Óbitos
190

 Publicidade

Sina de Parauapebas é tornar-se depósito de ferro velho da Vale

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

A Vale não esboça planos para explorar os demais corpos de minério de ferro existentes em Parauapebas porque, para acesso a muitas jazidas, seria necessário gastar uma fortuna com logística; a totalidade de minério desses corpos (854 milhões de toneladas) daria para somente seis anos de lavra, considerando-se que a produção da Serra Norte, em Parauapebas, deve ficar em 137 Mtpa em 2016 — que, somados a 5 Mtpa da Serra Leste, em Curionópolis, vão totalizar 142 Mtpa no complexo minerador do Sistema Norte.

Como há muito mais minério na Serra Sul, porção de Carajás que está no município de Canaã, especificamente nos blocos C, B e A do corpo S11 (o que vai começar a ser lavrado é apenas o bloco D, daí o nome S11D), Parauapebas será gradativamente esquecido e, fatalmente, vai perder receitas. Isso é fato incontestável, haja vista serem os minérios recursos finitos.


Os projetos que a Vale possui para o município, todos parados, têm custo elevado e retorno incerto. A mineradora não pretende tornar a região um bolsão de cobre e níquel, uma vez que são recursos menos abundantes e com vida útil mais curta que o minério de ferro. E já tem alguns deles, aqui mesmo na região, para cuidar.

Há projetos que dependem rigorosamente de logística, muitas vezes necessitando de a empresa mover céus e terras para passar com o trem ou com seus maquinários, além de estarem em área de proteção ambiental, cuja exploração carece de licenças que não saem tão rápido. Os passivos ambientais e sociais são enormes e, no mais das vezes, não compensam pelo retorno pífio que se vislumbra.

Nos últimos cinco anos, dos oito projetos entregues pela Vale na região, apenas um (Carajás Adicional 40 Mtpa, em 2013) contemplou Parauapebas. Um outro (Serra Leste, em 2014) foi em Curionópolis, dois (Salobo 1 e Salobo 2) em Marabá e os outros quatro (Píer 4 no Berço Sul, em 2013; Píer 4 no Berço Norte, Ramal Ferroviário e Complexo “Eliezer Batista” este ano) contemplaram diretamente o S11D, com impacto sobre Canaã dos Carajás.

De mais a mais, o carro-chefe da cesta de produtos da Vale é o minério de ferro, assunto no qual ela é especialista, reina absoluta e é imbatível pela qualidade do produto que distribui. Por causa do minério, e para centrar esforços nele, ela já se desfez de muitos projetos, o que vários analistas julgaram ser loucura.

É certo, ainda assim, que, em se tratando de minério de ferro, Parauapebas deve continuar reinando até a próxima década, quando Canaã, por questões técnicas e financeiramente óbvias, deve pegar o bastão — mesmo que, a partir de agora, já seja o centro das atenções. Quando S11D estiver a operar com carga máxima, Parauapebas entrará em estado de alerta.

Ainda que muitos insistam em duvidar, todos os corpos de minério mapeados pela Vale (estimados, medidos e provados) no município de Parauapebas sinalizam para exaustão em menos de 20 anos, considerando-se a atual frente de lavra. Se, até lá, não dispuser de uma carta econômica na manga, a “Capital do Minério” decretará falência.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

Publicidade

Veja
Também