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Gabriel já está com a família dele em Brasília e não precisará ficar internado

Emocionante. Assim foi o reencontro em Brasília do andarilho Gabriel Costa de Carvalho, que andava descalço e maltrapilho há muitos anos pelas ruas de Parauapebas (PA). O reencontro com os familiares ocorreu às 8h30 da manhã deste sábado (3) na porta do Hospital Regional São Vicente de Paula, na cidade satélite de Taguatinga, no Distrito Federal.

Aguardavam na porta do hospital as irmãs Naiva e Zirene, o esposo de dona Zirene, Faride Cardoso e os filhos de dona Naiva, Silvane e Ausdiney Carvalho, além do esposo de Silvane, Márcio Oliveira. O outro irmão João, que é pedreiro, não pôde comparecer devido a compromissos particulares. Ao chegar, Gabriel demorou alguns minutos para começar a reconhecer os parentes. De quem mais ele lembrou foi da irmã Zirene e do cunhado Faride, com quem trabalhou como ajudante de pedreiro em Formosa (GO). E aos poucos foi reconhecendo os demais e também histórias familiares do passado. Todos estavam muito felizes com o reencontro. Conversei com eles e as respostas se resumem em alegria, felicidade, gratidão a Deus e ao meu empenho para encontrar o Gabriel.


A mãe do Gabriel, dona Sebastiana, morreu em novembro de 1997. O pai dele já havia morrido em 1968. Ele chegou a ficar dez anos fora de Brasília e Formosa e ia de vez em quando visitar a família. Em uma dessas vindas, ficou sabendo sobre a morte da mãe.  Quando voltava espontaneamente de suas andanças pelo Norte do país, especialmente o Pará, ele trabalhava como ajudante de pedreiro ou em roças. Chegou a dirigir trator ainda quando jovem. “Mas era trator simples. Não é como esses de hoje cheio de tecnologia, não”, disse Izaias, o irmão que foi a Parauapebas buscar o Gabriel e que fez toda a viagem com a equipe da Secretaria de Assistência Social (Semas) até Brasília. “Ele dizia para nós que morava com os índios e trabalhava em Garimpo no Pará”, revelou a irmã Zirene, acrescentando que ele voltou da última vez já apresentando sinais de desequilíbrio mental afirmando que “ouvia vozes falando com ele dentro de casa”. Segundo a irmã, “a permanência de Gabriel não durou dois meses e logo ele sumiu e imaginamos que foi com destino ao Pará, pelo fato de ele gostar muito do estado paraense”.  A sobrinha Silvane destacou que ele havia sumido desta última vez há 18 anos. (O Gabriel chegou a me dizer que ele estava no Pará há 14 anos). Dona Zirene disse que a família sofria com a ausência dele, mas tinha esperança de que um dia ele pudesse voltar espontaneamente, a exemplo das outras vezes. A espera de dona Zirene e dos demais familiares foi longa, mas terminou com um final feliz.

Ele foi atendido pelo Dr. Murilo R. de Moura. O médico prescreveu a medicação e o encaminhou para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS-GO), em Formosa, onde mora o irmão dele, Izaias. Ele irá lá na segunda-feira para uma avaliação médica.

Dr. Murilo disse que o Gabriel não precisava ficar internado no Hospital Regional Vicente de Paula “porque não está em crise, mas o paciente deverá ficar sob os cuidados da família”. Depois, Gabriel fará uma avaliação psiquiátrica e novos exames.

Com certeza em breve o Gabriel voltará a conviver com sua família no dia a dia. Foi o grande presente de Natal de todos da família Costa de Carvalho. A expectativa de todos, levando em conta que ele está conversando e lembrando aos poucos dos parentes, é que logo, logo ele voltará a conviver com a família ou, quem sabe, constituir uma família e voltar a morar no Pará, mas desta vez, com dignidade.

Ah, para completar minha felicidade, o cunhado Faride me revelou que o Gabriel é vascaíno. Show.

O resgate

Após a juíza Priscila Mamede Mousinho conceder a “curatela provisória” do Gabriel ao irmão Izaias Costa de Carvalho, a família decidiu que a transferência dele para Brasília seria imediata.  A Ação de Interdição foi feita pelos advogados Deivid Benasor e Gildásio Sobrinho.

 

A incursão (resgate) foi feita na manhã de sexta-feira no Mercado Municipal do Bairro Rio Verde, onde o Gabriel se encontrava tomando café, como costumava fazer quase que diariamente. Participaram da operação o 2º SGT Nelson, o 3º Sargento Vale e o SD Xavier do Corpo de Bombeiros e o técnico de enfermagem Manoel Mendonça e o condutor socorrista Edivan, do Samu-Parauapebas. Gabriel apresentou resistência, mas foi contido com todo carinho pelos bombeiros que o conduziram para a UPA do bairro Cidade Jardim. Lá, ele foi examinado pelo médico Alan Palha, pela enfermeira Érica Monteiro e pelos técnicos de enfermagem Zaqueu Oliveira e José Maria da Conceição.

Após o exame inicial, os técnicos deram um banho no Gabriel. Ele disse para o Dr. Alan que estava há mais de três anos com a bermuda e a camiseta que usava já esfarrapadas. “Ele me explicou que calculava o ano contando os dias. Então com isso, ele calcula que ficou mais de três anos com a bermuda e com a camiseta”, revelou o médico. Após ele ser examinado e sedado, foi colocado no banco traseiro de uma caminhonete da Semas e então teve início a longa viagem de volta para Brasília.  A caminhonete foi dirigida até Brasília pelo secretário da Semas, Jorge Guerreiro. Também estavam no veículo a enfermeira Mábia Guimarães, designada pela Secretaria de Saúde de Parauapebas; o abordador social Anderson Júnior e este jornalista. No outro carro, dirigido pelo motorista da Semas Edinaldo Araújo o “Maranhão”, ia o irmão do Gabriel, Izaias Carvalho, que foi levado de Brasília até Parauapebas pela Semas, que inclusive forneceu hospedagem e alimentação.

 

A viagem

Saímos de Parauapebas às 11h20 da manhã de sexta-feira, seguimos para Eldorado do Carajás e depois pegamos a BR 155 com destino a Conceição do Araguaia. Atravessamos a ponte na divisa dos estados do Pará e Tocantins, fomos em direção à cidade de Guaraí e seguimos pela BR-153, a Belém-Brasília, até a capital da República. Só paramos para a medicação do Gabriel, uso de banheiro e alimentação rápida. Chegamos a Taguatinga (DF) às 8h20 da manhã de sábado (3), onde a família do Gabriel já nos aguardava.

 

A primeira parada ocorreu em Eldorado do Carajás porque ele disse que estava com enjoo e queria ir ao banheiro. Após usar o banheiro, ele declarou que não ia mais seguir viagem não, o que casou uma certa preocupação. Eu pensei que ele fosse correr e sumir no mundo, mas graças a Deus, com o jeito todo carinhoso e atencioso da enfermeira Mábia Guimarães  o Gabriel voltou para o carro e pudemos seguir viagem. Ao longo da viagem, ele se alimentou tranquilamente, conversou e disse que não queria voltar para Formosa, não. “Não quero ficar em Formosa. Quero morar do Araguaia pra cá para o Pará”. Mas, depois de sedado, ele fez uma viagem tranquila e não deu trabalho para ninguém.

Semas

O secretário de Assistência Social de Parauapebas,  Jorge Guerreiro, disse que se sente realizado e muito satisfeito com o final feliz do caso do Gabriel. “Foi realizado um trabalho em equipe (da Semas) a partir da investigação feita pelo jornalista Lima Rodrigues, que conseguiu descobrir a localização dos familiares dele. Tivemos também a participação da enfermeira Mábia Guimarães, por intermédio do Secretário de Saúde,  Coutinho. Também foi muito importante a atuação dos advogados Deivid Benasor e Gildásio sobrinho para que conseguíssemos a interdição do Gabriel, por intermédio da Justiça, que nomeou o seu irmão Izaias como curador do mesmo. Agradecemos o empenho de todos que participaram desta importante missão humanitária. O Gabriel há tempo muito vinha sendo monitorado pelos técnicos da Semas. Inclusive quando fomos acionados pelo Ministério Público, a pedido do Lima Rodrigues e dos advogados Gildásio e Deivid, nós informamos que as abordagens já vinham sendo realizadas nas ruas de Parauapebas, mas constatamos que o Gabriel só fazia revelações sobre sua família para o jornalista Lima Rodrigues.  A partir daí, num trabalho conjunto, conseguimos êxito missão”.

 

Agradecimento

Muito obrigado meu Deus por tudo e por ter me conduzido como um Anjo da Guarda do Gabriel. Obrigado meu Deus pela pessoa que sou. Obrigado aos advogados Deivid e Gildásio. Obrigado ao secretário de Assistência Social, Jorge Guerreiro, e toda a equipe da Semas. Obrigado à enfermeira Mábia Guimarães, da Secretaria de Saúde. Obrigado ao pessoal do Corpo de Bombeiros e ao pessoal do Samu. Obrigado aos médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem da UPA do Cidade Jardim. E um obrigado muito especial ao amigo Bariloche Silva, do Portal Pebinha de Açúcar, pela força na publicação dos meus relatos e das minhas matérias. Parceiro, o mérito é nosso. Agradeço aos amigos da RBATV e do SBT pelas belas matérias sobre o caso e aos demais jornalistas de blogs e sites que divulgaram as matérias. Obrigado a todos que direta ou indiretamente colaboram para o final feliz do caso do Gabriel. E obrigado de coração a todos vocês que enviaram milhares de mensagens me elogiando e parabenizando pela missão que Deus me deu para eu cumprir aqui na terra. Um forte abraço a todos.

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