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Pará: Homem mata a esposa, a filha dela e se suicida

O marceneiro José Maria Camargo dos Santos não suportou a notícia de que sua companheira, Lucineide Bispo dos Santos, queria se separar dele pela quarta vez e protagonizou um banho de sangue na madrugada de ontem, sexta-feira (10), dentro da própria casa, na Vila Catarina, a aproximadamente 90 quilômetros do centro de Itupiranga.

Quando os corpos foram encontrados, Lucineide estava deitada em sua cama, coberta por um lençol e com um ferimento grande na cabeça. Ao lado dela, também deitado, estava José, com a espingarda no colo. Para disparar a arma ele amarrou um fio no gatilho e outro no dedo do pé. O tiro acertou o rosto do homem. O martelo foi encontrado ao lado da cama do casal.


Já a adolescente foi encontrada na rede em que dormia, em outro cômodo, também coberta. No quarto dormiam outras quatro crianças, que não acordaram durante a noite. Pela manhã uma das crianças levantou, se deparou com a cena e foi chamar o tio de Lucineide, Raimundo Leandro dos Santos, de 58 anos.

De acordo com Raimundo, na cama onde estava o casal foi encontrada a única filha dos dois, de cinco anos, banhada em sangue, mas viva. “A pequenininha estava dormindo com eles na cama. A bichinha não viu nem a morte. Ele matou a mãe dela e ela ficou banhada no sangue, bem cedo fomos obrigados a banhar ela no igarapé”, afirmou.

Sem conseguir segurar as lágrimas, Raimundo relembrou o momento em que foi procurado por um dos filhos de Lucineide e como achou a história “doida”, sem acreditar no relato. “Ele estava chorando e me contou que tinha visto a mãe dele morta e que a irmã estava com uma pancada na cabeça, com a cara toda melada de sangue. Ele me mostrou, ainda, como o pai estava com a espingarda no colo”.

Raimundo diz que no trajeto para casa, para tentar entender o que estava acontecendo, encontrou outra filha de Lucineide. “Ela já me disse que ele matou a Kelly, matou a mãe e depois se matou”. Raimundo afirmou não saber explicar o que levou o marido da sobrinha a cometer o crime. Antes de se matar José Maria ainda escreveu uma carta, explicando os motivos do crime.

No texto ele diz que a mulher pretendia se separar dele. “Ele deixou uma carta citando que eles estavam com esse problema. Eles já tinham se separado três vezes e ele ficaria muito envergonhado se separassem de novo. Eu acho que foi só pela honra dele”, declarou Raimundo. O tio da mulher destaca, ainda, que nunca presenciou agressões contra a sobrinha, mas que José Maria tinha problemas em se relacionar com os seis enteados que viviam na casa. Ao todo, Lucineide tinha 12 filhos.

“Se ele fosse bom companheiro nunca teria feito isso, mas ele nunca a agrediu. O problema era sempre com os filhos. Ele era muito revoltado com os filhos dela, esculhambava as meninas que já são mocinhas e ela [Lucienide] ficava zangada com ele”, contou. Na noite anterior aos assassinatos, Raimundo esteve na casa da família e diz ter presenciado normalidade. “Estava tudo bem, eles estavam alegres, satisfeitos, tomamos café. Não tinha nada estranho. Ela [Lucineide] chegou de Itupiranga na quarta-feira. Veio só pra morrer com a filha”, lamentou.

O casal estava junto havia aproximadamente oito anos e há três morava na vila rural. Para Raimundo, o homem matou uma excelente mulher. “Ela era mulher tranquila, trabalhadora e nunca eu pensei que fosse acontecer isso. Ele tratava bem ela, a chamava de ‘amor’. Sempre demonstrou ter muito amor a ela e o contrário também. Nunca pensei num final assim”.

A equipe do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves” esteve no local fazendo a perícia do local de crime e também removendo os corpos, que foram encaminhados já na noite de sexta para o Instituto Médico Legal (IML), em Marabá. As cinco crianças foram entregues para familiares em Itupiranga.

Suicida deixa carta
Antes de se matar, José Maria Camargo dos Santos endereçou uma carta à mãe dele, confessando ter assassinado a esposa e a enteada e afirmando que as duas “eram contra toda opinião” dele. Além disso, ele conta que Lucineide pretendia se separar pela quarta vez e relembra as três situações anteriores.

José diz à mãe que a companheira fez uma “covardia” porque pediu para o tio conseguir outra casa para ela morar com os filhos na Vila Sebastião. “Ele arranjou a casa para ela e eu trabalhando esperando ela vir e nada porque ela tinha ido votar e tirar dinheiro já estava com 14 dias. Quando ela chegou foi pra pegar as coisas” (sic).

Em seguida, ele diz que foi após receber a notícia que resolveu matar as duas e depois se suicidar. “Eu tenho muitos conhecidos e ia ficar sem saber onde enfiar a cara de vergonha por minha reputação ser manchada de tal maneira”. Ele afirma, ainda, que amava muito a mulher e não suportava a ideia de que ela já não o amasse tanto quanto antes. “Agora nós não podemos mais nos separar”, diz.

O documento ainda apresenta uma série de pedidos de favor. José Maria, preocupado com as dívidas, diz que deixou certa quantia embaixo do aparelho televisor e pede para que algumas contas sejam pagas. Ao tio da vítima, Raimundo, ele pede que uma motocicleta que estava em sua posse seja devolvida ao dono.

Por fim, José Maria pede desculpas aos pais e outros familiares e tenta se explicar à mãe de Lucineide. “Fui obrigado a fazer isso porque até a senhora já era contra e não vinha mais em minha casa dando rasão para ela e os netos” (sic). (L. M.)

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