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Parauapebas na Revista Exame: Reportagem exalta economia e critica dependência de minérios

Não é São Paulo, não é Brasília, não é Belém. Deu Parauapebas no topo da lista dos 298 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes que mais crescem financeiramente, conforme ranking elaborado pela consultoria Urban Systems exclusivamente para a Revista Exame. E mais: o município começa a semana ganhando projeção nacional, nas páginas da revista, como o segundo melhor lugar do país para se fazer negócio, com base em indicadores como Infraestrutura, Desenvolvimento Social, Capital Humano e Desenvolvimento Econômico.
Apenas Vitória, capital capixaba, está à frente da “Capital do Minério”, com 17,36 pontos, numa escala que vai de 0 a 20, na qual cada item confere 5 pontos, no máximo. Parauapebas desfila com 16 pontos, com nota máxima em Desenvolvimento Econômico e rouba a cena de capitais consideradas eternas empreendedoras, como Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP). No Pará, quem passa mais perto disso é Belém, na 51º colocação (12,25 pontos), e Altamira, na 89ª (11,39 pontos).
Os números da Urban System acerca de Parauapebas são até admiráveis, apesar de retratarem cenário econômico de três anos atrás, quando o Produto Interno Bruto (PIB) municipal cresceu 1.267% entre 2002 e 2011. Mas, para além da defasagem, a Exame, que se apropriou dos dados, não deixou por menos: teceu críticas à “Capital do Minério” pela ausência de matrizes econômicas que sejam capazes de preencher a lacuna da indústria extrativa mineral no momento em que esta entrar em declínio por conta da exaustão das jazidas de minério de ferro localizadas em Serra Norte, cuja previsão a mineradora Vale, que explora os corpos minerais, sabe de cor e salteado.
COMO SERÁ O AMANHÃ?
No primeiro trimestre, 648 perderam emprego em Parauapebas

Responda quem puder: o estudante Marcelo de Lima Ribeiro, 22 anos, faz a si mesmo um questionamento bastante sensato e que talvez seja universal em Parauapebas. O que será do município sem a Vale e, principalmente, sem o minério de ferro que tanta riqueza privada – sem retorno social – financia?
Agora em 2014, o estudante de curso técnico em mecânica é apenas mais um dos tantos desempregados que superlotam o escritório local do Sistema Nacional de Emprego (Sine) à busca de uma oportunidade de trabalho para pagar as mensalidades do curso e, assim, poder concluí-lo.
Marcelo é o retrato em escanteio num município que, entre 1997 e 2013, bateu sucessivos recordes na abertura de postos de trabalho e viu a mineração movimentar impressionantes R$ 125,5 bilhões, embora apenas 1,3% disso tenha ficado, de fato, nos cofres locais, o que, ainda assim, é uma fortuna a perder de vista para um município que sequer chega a ser definido como médio nas classificações oficiais – embora, de 1997 para cá, a população tenha praticamente triplicado, saltando de 62 mil para 184 mil habitantes.
Não obstante, o ano de 2013 ficou marcado no currículo de Parauapebas como o divisor mais claro – e ao mesmo tempo sombrio – entre os tempos áureos e os de vacas magras. Por mais inverossímil que seja, Parauapebas chegou a 31 de dezembro do ano passado ostentando o cajado de segundo município brasileiro com mais elevado saldo de desligamentos. Ou seja, mandou mais trabalhadores à rua da amargura do que admitiu. “Foi nessa leva que perdi o trabalho e as esperanças”, revela Marcelo, que está focado em terminar o curso e se mudar para Canaã dos Carajás, município que vai abrigar o novo xodó da indústria extrativa mineral e da Vale: o projeto S11D, para extrair minério de ferro de alto teor da maior reserva medida e provada do mundo.
Diferentemente de Parauapebas, de quem, inclusive, teve origem, Canaã encerrou 2013 entre os 50 municípios que mais empregaram no Brasil. E no primeiro trimestre deste ano, Canaã empregou 2.471 pessoas; em Parauapebas, o saldo foi catastrófico: 648 novos desempregados no balanço entre quem conseguiu uma vaga (6.541 pessoas) e quem foi mandado ao olho da rua (7.189 trabalhadores).
QUESTÃO SOCIAL
Município tem muitos ingredientes para diversificação econômica


“Precisamos reverter essa situação e criar alternativas que gerem emprego e renda em nosso município. E urgentemente”, alerta José Rinaldo Alves de Carvalho (o Zé Rinaldo), presidente do diretório regional do PSDB no sul e sudeste do Pará e um dos cidadãos mais preocupados com as questões de ordem sustentável que dizem respeito à Capital do Minério.
E ele tem razão. Hoje, mesmo com uma vida mineral ainda muito dinâmica, Parauapebas não emprega mais como outrora porque o chamariz, que foi o pico das obras do Projeto Ferro Carajás (PFC), já arrefeceu. Parauapebas tem pelos menos dois grandes empreendimentos potenciais empregadores no momento (um mineral e outro logístico), mas nenhum capaz de evitar a onda de desemprego que tem aumentado diuturnamente.
Os projetos são o Adicional 40 Mtpa, que visa ao aumento da capacidade de produção das minas de Serra Norte; e o Ramal Ferroviário do Sudeste do Pará (RFSP), genuinamente canaense, mas que atravessa considerável área das terras de Parauapebas, onde, aliás, a infraestrutura para desenvolvimento dos trabalhos é maior e melhor.
De tempos para cá, com a especialização e a tecnologização dos serviços e processos da indústria extrativa, na qual uma máquina substitui a força de trabalho de vários homens, passaram a ser cada vez diminutas as contratações, reinando o “deus nos acuda” no limiar entre estar e de repente não mais estar empregado.
Até 2007, a Vale foi a maior empregadora isolada de Parauapebas, sem contar suas subsidiárias. Com a crise financeira mundial em 2008, nada mais ficou no lugar. Hoje, seus cerca de 7.000 funcionários parecem fichinha perto dos 10.000 servidores da prefeitura. Os tempos mudaram e vão mudar ainda mais.
“Nosso município é rico em recursos naturais e em pessoas com capacidade técnica e com vontade de trabalhar para fazer a diferença e mudar o curso do filme já assistido por outros lugares, em que as sociedades se perdem e saem perdendo, moral e socialmente, com o fim da atividade mineradora”, acredita Rinaldo.
Segundo ele, é preciso oportunizar o aproveitamento de fontes alternativas que gerem divisas localmente e, por consequência, criem oportunidades aos cidadãos. “Não podemos aceitar perder nossos habitantes para o progresso de outros lugares, visto que temos condições efetivas de promover progresso social aqui mesmo, com o que temos disponível”, indica o presidente regional do PSDB.
No próximo texto, você verá o que pode ser utilizado para o município alcançar uma matriz econômica (ou várias matrizes) que lhe sustente se a exaustão das minas se concretizar.

Reportagem: Bariloche Silva – Da Redação do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo / Blog Jovem Parauapebas

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