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Parauapebas

Evasão escolar chega ao potencial insustentável em Parauapebas

Fotos: Francesco Costa / Portal Pebinha de Açúcar

Após receber relatório do Barômetro da Sustentabilidade apontando que a evasão no ensino médio em Parauapebas está em potencial insustentável, a equipe de reportagens do Portal Pebinha de Açúcar foi ouvir os principais atores envolvidos na educação da rede estadual e ainda a entidade de defesa e garantia dos direitos do adolescente, em busca de entender a problemática que puxa para cima a estatística da negativa da educação.

Ana Maria Sousa – Diretora da Escola Sede em Parauapebas

 

Começamos pela representante do Governo do Estado do Pará, Ana Maria, ela é a diretora das escolas estaduais em Parauapebas, e cita que a principal causa da evasão escolar, principalmente dos que estudam no período noturno, é o fato de ser alunos com uma idade já de trabalho, e devido ao cansaço, eles terminam desistindo. “Na zona rural, além do trabalho, tem o percurso de ida e volta para a escola que é mais cansativo ainda”, explica Ana Maria, dando conta de que na zona urbana a evasão é notada nos alunos maiores de 18 anos e, pelo mesmo motivo dos da zona rural, trabalho, que os leva a desistir.

Ela dá como principal elevador da estatística de evasão a modalidade de educação para jovens e adultos conhecida como EJA, exatamente por ser pessoas em idade ativa em alguma profissão. E diz ter como pilar importante para a manutenção da pessoa na escola, a participação da família que deve saber se o filho está vindo para a escola ou usando a desculpa para ir a outros lugares.

Como medida para reduzir a evasão escolar, Ana Maria diz que tem procurado fazer acompanhamento junto à família e procurando trazer os pais para a escola; tarefa que ela diz não ter obtido tanto sucesso. “Quem vem para as reuniões são exatamente os pais dos alunos que não requer preocupação. Já os pais que precisamos que participem pelo motivo de que os filhos não têm bom comportamento escolar, não costumam comparecer nem em reuniões coletivas, muito menos quando são chamados para resolver problemas dos filhos individualmente”, lamenta a diretora, dando a boa notícia de que o governo tem feito alguns programas para tentar amenizar a evasão escolar.
Um deles é o Telecurso Mundiar: programa de aceleração da aprendizagem no Pará que atende estudantes do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e Ensino Médio; que busca corrigir a defasagem idade-ano.

Outro é o Personalizado, neste o aluno pode escolher o dia que quer participar das aulas, duas vezes por semana, sendo semi-presencial e modular, podendo concluir as matérias na ordem que ele preferir.

Tem ainda o EJA presencial, que funciona nas escolas Paulo Fonteles e Cecília Meireles, respectivamente; neste, o aluno pode concluir o ensino médio em dois anos. “Como neste o aluno precisa frequentar aulas de segunda a sexta, a estatística aponta 50% de evasão escolar”, confirma Ana Maria, mensurando que é a evasão dos alunos do período noturno que puxa a estatística.

Maurício Almeida e Cunha

 

Quem também falou a respeito do assunto foi Maurício Almeida e Cunha, ele é técnico administrativo e responsável pelas escolas estaduais na zona rural. A evasão exageradamente grande é, segundo ele, nas aldeias indígenas. “Lá há muita desorganização administrativa, além de tratar-se de uma cultura diferente onde não se pode impor as mesmas coisas como fora das aldeias”, explica ele, dizendo que em alguns casos, a evasão chega a 75%.

Já nas colônias a situação é menos pior, de acordo com Maurício, mas ainda longe de ser o ideal. “Mas há também o desinteresse dos alunos que, mesmo tendo estrutura razoável, não valorizam o que tem”, admite Maurício, reconhecendo que a própria escola pública deixa muito a desejar e ainda que há professores que não desempenham com eficiência sua função.

A educação é prevista no ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu Artigo 53, diz: A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-lhes:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
IV – direito de organização e participação em entidades estudantis;
V – acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

Francisco Eloécio

 

Por isto, procuramos o presidente do COMDCAP – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Francisco Eloécio. Ele cita a falta de estruturas básicas dentro do ambiente escolar. “Dentro do ensino médio, isto não tem sido favorável. A falta de professores e as constantes greves tem desestabilizado o sistema de ensino desde o formato de aprendizagem até a qualidade das escolas, o que afeta todos os estudantes”, detalha Eloécio, dando como saída a motivação dos estudantes.

Francisco cita como mecanismo a conscientização dos estudantes para a importância do diploma de Ensino Médio para dar continuidade no plano de formação superior. Francisco Eloécio relaciona a onda de desemprego à falta de qualificação fruto da evasão escolar. “O Estado precisa se posicionar e nós como entidade de garantia dos direitos já tomamos medidas e agora aguardamos retornos”, afirma, detalhando que já fez as denúncias junto à URE – Unidade Regional de Educação, além de ofícios a escolas que tem carência em suas estruturas.

Reportagem: Francesco Costa / Da Redação do Portal Pebinha de Açúcar

 

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