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Parauapebas é mais importante para o Brasil que São Paulo e Rio

Nenhuma das duas maiores metrópoles do país, São Paulo (11,82 milhões de habitantes e 4ª maior do mundo) ou Rio de Janeiro (6,43 milhões de habitantes e 27ª maior do globo), é páreo para Parauapebas, infinitamente menor em população (apenas 184 mil habitantes em 2014, 161º lugar nacional), mas gigante em se tratando de exportações.
No ranking divulgado na manhã de hoje, sábado (22), pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a “Capital do Minério” aparece pelo 13º mês consecutivo como líder das exportações e como município que mais dá lucro ao Brasil. O motivo é bem conhecido: o minério de ferro que a Vale extrai das minas de Serra Norte, uma montanha com o melhor teor de hematita do mundo conhecida popularmente como Carajás e que se espalha, também, pelos municípios de Canaã dos Carajás (na Serra Sul) e Curionópolis (na Serra Leste).
No primeiro bimestre deste ano, Parauapebas exportou US$ 1.563.073.188 em minérios de ferro (US$ 1.536.150.196) e manganês (US$ 26.922.992), importou US$ 15.842.381 em insumos e deu à balança comercial brasileira um superávit bilionário (precisamente US$ 1.547.230.807), o maior e melhor da América Latina por parte de um simples município.
O município de São Paulo, pelo contrário, deixou um rombo bilionário na balança no mesmo período porque exportou US$ 1.021.471.796, mas importou US$ 2.208.123.581, o que conferiu déficit de US$ 1.186.651.785 à balança comercial.
O município do Rio de Janeiro seguiu o ritmo de déficit da capital paulista. Da capital fluminense foram exportados US$ 1.076.856.969, importados US$ 1.119.853.106 e, no frigir dos ovos, restou um buraco de US$ 42.996.137 na contabilidade.

DESENVOLVIMENTO INSUSTENTÁVEL
Há que se considerar, porém, que a gama de produtos e serviços exportados pela “Terra da Garoa” e pela “Cidade Maravilhosa” é diversificada, e não apenas centrada em somente duas commodities, como o caso de Parauapebas (com seus ferro e manganês), únicos cartões de visita do município no além-mar.
A falta de diversificação econômica condena a “Capital do Minério” a nada ter após a exaustão das jazidas de Serra Norte, assim que a mineradora Vale mandar embora do município o último trem de manganês, em 2022, e as derradeiras toneladas do melhor minério de ferro do globo, em 2027. É um modelo de exploração mineral que se arrasta desde 1984 e a partir do qual Parauapebas não será capaz de se sustentar sozinha assim que a Vale der adeus, tendo em vista que a maior parte da arrecadação municipal e do potencial de consumo gira em torno da indústria extrativa, direta (como royalties e massa salarial dos trabalhadores da mineração) e ou indiretamente (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços e massa salarial de trabalhadores de outros setores econômicos).
Contraditoriamente, nos mesmos meses de 2014 em que Parauapebas se sagra campeão nacional das exportações, o município assiste a 4.770 trabalhadores formais perderem o emprego. O saldo de desemprego se arrasta pelo 11º mês consecutivo na contramão do vigor das exportações. A própria indústria extrativa mineral já não emprega com o mesmo ânimo de outrora e o número de postos de trabalho no setor tem apresentado decréscimo.

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MOEDA DE TROCA
Em quatro anos, minérios de Parauapebas comprariam o Pará inteiro

Nos últimos quatro anos, a Vale retirou de Parauapebas US$ 40.512.173.328 em minérios. Com essa bala na agulha negociada principalmente em ferro na China, se a mineradora quisesse, poderia comprar o Estado do Pará inteiro, cujo Produto Interno Bruto (PIB) é de R$ 88.370.609.612. Em valores nacionais, as exportações de minérios de Parauapebas, desde 2010, totalizam R$ 91.152.389.988 – ou seja, quase R$ 3 bilhões a mais que o total de riquezas produzidas pelo Pará.
Em janeiro deste ano, a Vale garimpou única e exclusivamente de Parauapebas US$ 864.348.724 em minérios. Em fevereiro, mês mais curto do ano, foram US$ 698.724.464. Em dois meses, com esse valor de minérios vendidos de Parauapebas mundo afora, a Vale compraria 19 países do mundo, dos 183 reconhecidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e para os quais a entidade calcula a produção anual de riquezas. Países como Belize, São Tomé e Príncipe, Gâmbia e Guiné-Bissau poderiam virar colônias modernas da mineradora com o dinheiro do bimestre retirado de Parauapebas e ainda sobraria troco para adquirir um “graúdo sorvete” em forma de qualquer principal esquina da Europa.
A melhor moeda de troca do país atualmente, o minério de ferro, segura a Vale como maior exportadora nacional, com US$ 3.855.182.437 negociados lá fora (mas não apenas em minério de ferro), sendo a empresa responsável por 12,06% das exportações no bimestre, à frente da Petrobras, segunda colocada com US$ 1.755.832.033 exportados ou 5,49% do total.

Reportagem especial: André Santos: Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

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